Edmonton, capital da província de Alberta.
Edmonton, capital da província de Alberta.

Alberta rejeita secessão do Canadá e esvazia movimento apoiado pela administração Trump

Dois terços dos eleitores da província descartam ideia de independência. Primeiro-ministro Mark Carney regozija-se com a escolha pela "unidade".
Publicado a: 
Atualizado a: 

Através de um plebiscito realizado na segunda-feira, os cidadãos da província canadiana de Alberta rejeitaram em bloco a possibilidade de se iniciar um caminho legal para a secessão do país. O resultado, já esperado com base nas sondagens, ainda foi mais acentuado. Contados os votos de 80% das assembleias de voto, o não à independência surgia com 75,5%.

À pergunta "Deveria Alberta permanecer como uma província do Canadá ou deveria o Governo de Alberta iniciar o processo legal exigido pela Constituição do Canadá para realizar um referendo provincial vinculativo sobre a separação de Alberta do Canadá?", dois terços dos eleitores (mais de 1,3 milhões) optaram pela opção A, "Alberta deve continuar a ser uma província do Canadá". Uma derrota de um grupo minoritário mas que começou a ganhar tração durante a pandemia de covid-19, quando se rebelou contra as restrições federais. E que atingiu maiores proporções com a chegada de Mark Carney a primeiro-ministro, que cresceu em Edmonton (capital de Alberta) a fazer frente às ameaças de Donald Trump em transformar o Canadá no 51.º estado dos EUA e a envolver-se na guerra comercial em curso entre ambos os países.

Ao longo deste tempo, os líderes do movimento têm desenvolvido laços com a administração Trump. Segundo o Globe and Mail, em troca do apoio de Washington, inclusive na campanha, os líderes do movimento ofereciam contratos relativos a exploração de petróleo e de água. O secretário do Tesouro Scott Bessent foi quem verbalizou essa ligação ao afirmar, numa entrevista, que Alberta é um "parceiro natural" dos EUA. Já a CNN recorda que, entre os secessionistas, alguns expressaram o desejo de serem incorporados nos EUA.

Nos últimos dias, o bilionário Elon Musk voltou a intrometer-se nos assuntos políticos de outros países. Desta vez sugeriu que Alberta, mas também o Quebeque e Saskatchewan, deveriam separar-se do Canadá.

Nas primeiras horas desta terça-feira, o primeiro-ministro canadiano saudou os resultados numa declaração, tendo afirmado que os cidadãos de Alberta "escolheram o Canadá” e “escolheram a unidade”. Para Carney, os resultados sobre a questão da eventual separação significam que todos canadianos "avançarão juntos com um propósito renovado e grande ambição", declarou. "Estamos a construir esse futuro, maior e mais rápido do que nunca. O Canadá está a garantir novos parceiros comerciais em todo o mundo, a acelerar projetos importantes de construção do país em todas as regiões e a desbloquear todo o nosso potencial como superpotência energética global com Alberta no seu núcleo".

Os líderes do movimento separatista queixam-se das políticas restritivas de Otava, devido às metas climáticas, no que respeita à indústria petrolífera. A província tem as quartas maiores reservas do mundo, atrás de Venezuela, Arábia Saudita e Irão. Além disso, afirmam que os lucros gerados pela indústria não são devidamente redistribuídos pela província. "Quanto a mim, já ganhámos", reagiu Jeffrey Rath, o principal rosto do movimento. "Conseguimos criar um movimento enorme nesta província".

Edmonton, capital da província de Alberta.
Alberta vai perguntar aos eleitores se querem deixar o Canadá. A resposta deverá ser não
Edmonton, capital da província de Alberta.
Quebeque "merece" ser "um país", diz novo líder independentista da província canadiana
Edmonton, capital da província de Alberta.
Por que é que a província de Alberta está a equacionar a independência do Canadá?
Diário de Notícias
www.dn.pt