Embaixadora Aisha Farooqui
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Aisha Farooqui: “Os Estados Unidos e o Irão confiaram no Paquistão pela sua capacidade de facilitar o diálogo”

Embaixadora paquistanesa em Portugal explica papel do seu país no acordo de cessar-fogo entre americanos e iranianos.
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Qual a importância para o Paquistão de estar no centro deste momento crucial de obtenção de um cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão, intervindo como mediador para parar uma guerra no Médio Oriente?

Bem, se analisarmos o historial do Paquistão, as nossas credenciais como mediador honesto e pacificador são sólidas e de longa data. Seja nos fóruns multilaterais, na ONU em particular, ou nas missões de manutenção da paz da ONU ao longo dos anos, durante a Guerra Fria, após o 11 de Setembro e agora, o Paquistão sempre desempenhou o seu papel e contribuiu para ser um pacificador e um mediador honesto. Acreditamos que a paz e a segurança globais exigem esforço, paciência e empenho. Na atual conjuntura do Médio Oriente, que nos afeta profundamente, encontrar uma solução diplomática e dar uma oportunidade ao diálogo tornou-se uma obrigação. A nossa história, a nossa geografia e as nossas relações fraternas na região tornaram essencial que nos comprometêssemos a envidar esforços pela paz com sinceridade e boas intenções, para que essa região não seja consumida pelas chamas do conflito.

Para o sucesso como mediador, foram essenciais as boas relações tanto com o Irão como com os EUA, com ambos os lados a confiar?

Sem dúvida. Sentimo-nos muito honrados por os EUA e o Irão terem confiado no Paquistão pela sua capacidade de facilitar o diálogo e de mediar a situação. Não podemos esquecer que partilhamos uma fronteira de 900 quilómetros com o Irão. O Irão é o nosso vizinho imediato a sudoeste. Partilhamos muitas coisas com os nossos irmãos e irmãs iranianos, e as nossas relações remontam à época da independência do Paquistão. Por conseguinte, temos laços muito estreitos com o Irão. Por outro lado, com os Estados Unidos, temos relações que temos cultivado com esforço, dedicação e tempo ao longo das últimas sete décadas. Durante a Guerra Fria, e após o 11 de Setembro, o Paquistão e os Estados Unidos trabalharam em conjunto pela paz. Assim, por uma convergência de circunstâncias, conseguimos desempenhar este papel, pelo que ambos os lados passaram a ver o Paquistão como um mediador honesto, capaz de transmitir a mensagem em negociações muito difíceis, com honestidade e sinceridade, para que o cessar-fogo pudesse ser alcançado.

O Paquistão trabalhou juntamente com a China para alcançar este acordo. Foi relevante ter a China como parceiro?

Sem dúvida, certamente. É inegável que a China não é apenas uma potência global, uma grande potência, mas também uma potência regional com a qual temos uma longa e histórica parceria estratégica, sólida como qualquer outra. Mas também dentro da região, a China mantém parcerias importantes com todos os países. Isto faz da China um ator importante e um parceiro para a paz neste conflito específico. É neste contexto que o Paquistão e a China apresentaram, na semana passada, uma iniciativa conjunta de cinco pontos para a paz e a estabilidade no Médio Oriente. Por isso, a China tem sido um parceiro muito importante e uma parte interessada em todo este processo.

O Paquistão não tem problemas em partilhar este sucesso com a China?

Certamente que não. Este é um esforço coletivo. É um grande dia para todos nós. É uma vitória para a paz e uma vitória para a diplomacia.

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O protagonismo do Paquistão

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