“Escolhi-o pela sua história na segurança pública”, disse Flávio na apresentação do vice Alfredo Gaspar.
“Escolhi-o pela sua história na segurança pública”, disse Flávio na apresentação do vice Alfredo Gaspar.EPA/Andre Borges

Afinal, Flávio Bolsonaro escolheu um homem como candidato a vice

Alfredo Gaspar, deputado do Nordeste, é apenas o plano E do filho de Bolsonaro que viu o processo de escolha ser prejudicado pela opção de outros partidos conservadores pela neutralidade nas eleições de outubro.
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No último dia do prazo, Flávio Bolsonaro escolheu Alfredo Gaspar como candidato a vice-presidente nas eleições de outubro de 2026, em evento em Brasília. Deputado federal, ex-secretário de Segurança Pública do estado de Alagoas, promotor de justiça e advogado, a Gaspar não faltarão pontos fortes no currículo. Mas tem um fraco: é homem. “O meu vice será uma pessoa preparada e, de preferência, mulher”, repetiu em entrevistas em abril, em maio e em junho o candidato do Partido Liberal (PL) que, à última hora, não conseguiu cumprir o desejo. 

“Sou alguém simples mas que está pronto para a luta, que tem boa fé e que sabe o peso da responsabilidade, teremos juntos coragem de enfrentar a corrupção e essa economia em frangalhos, culpa do governo”, disse Gaspar, a propósito do executivo liderado por Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), candidato à reeleição e maior rival de Flávio. 

“Escolhi-o pela sua história na segurança pública, é alguém que foi chefe do Ministério Público do seu estado e defendeu os nossos reformados na CPI da Segurança Social e pediu a prisão do Lulinha”, disse, por sua vez, Flávio Bolsonaro na cerimónia de apresentação, referindo-se a um escândalo em que foi envolvido o nome do filho do atual presidente. 

Já Valdemar Costa Neto, presidente do PL, felicitou os candidatos: “Flávio você fez uma escolha ótima, o seu pai [o ex-presidente Jair Bolsonaro] deve estar orgulhoso, o Alfredo é um nome que agradou também à senadora Tereza Cristina”.

A senadora Tereza Cristina, ministra da Agricultura de Jair Bolsonaro, era a primeira escolha da entourage de Flávio desde o início da corrida eleitoral para esvaziar Ronaldo Caiado, candidato presidencial com forte ligação ao agronegócio. Mas disse “não” a meio de julho. Na semana passada, após conversa com Valdemar Costa Neto, até admitiu mudar de opinião, porém, a decisão do Partido Progressista (PP), a que pertence, de se manter neutro nas eleições inviabilizou o seu nome.

E o União Brasil, que tem uma federação partidária com o PP, também optou pela neutralidade, assim como o Republicanos, outros partidos de direita conotados com o “centrão”, o grupo de deputados que apoia o governo, seja ela qual for, em troca de cargos e nacos do orçamento. 

Essa neutralidade resulta de dois fatores: Lula estar à frente nas sondagens, sobretudo na região nordeste, onde não convém hostilizar o PT na política local, e a falta de apoio explícito de Flávio aos líderes do União Brasil e do PP quando ambos foram atingidos pelo escândalo em torno do banqueiro corrupto Daniel Vorcaro.     

Sem o PP formalmente do lado, os plano B, a católica Simone Marquetto, e C, a evangélica Clarissa Tércio, do filho de Bolsonaro para a vice-presidência também colapsaram: as duas são deputadas federais do partido. 

E o plano D, Daniella Marques, economista com ótimo trânsito no mercado financeiro também, por ser filiada ao Republicanos.

Foi então que a campanha de Flávio se virou para o plano E: alguém do próprio PL, numa dupla “puro sangue”, como são chamados no Brasil os tickets presidenciais com candidatos a presidente e a vice do mesmo partido. Essa opção é considerada indesejável porque, à partida, o número dois não acrescenta eleitorado próprio ao número um e também porque cada partido vale o seu peso em tempo de antena na televisão e rádio, logo, quanto maior a coligação, maior o período de propaganda nos meios de comunicação tradicionais. 

Sobraram Júlia Zanatta, do muito à direita estado de Santa Catarina, Bia Kicis, do Distrito Federal, duas fervorosas bolsonaristas que, por isso, agregariam poucos votos ao centro, e Priscila Costa, do Ceará, nome defendido por alas da campanha por ser próxima de Michelle Bolsonaro, a ex-primeira-dama com quem Flávio manteve desgastante discussão pública, por ser evangélica, segmento que a direita quer manter eleitoralmente próximo, e por vir do Nordeste, bastião de Lula.

Esse argumento regional – Gaspar também é nordestino – acabou por prevalecer sobre o argumento de género.  

Entretanto, na terça-feira, 4, Romeu Zema também definiu o seu vice: Eduardo Girão, companheiro de partido de Zema, ambos do Novo. A meio do processo de definição foi especulado o nome de Michelle Bolsonaro para o cargo, imediatamente desmentido pela própria.

Entre os principais candidatos segundo as sondagens, Ronaldo Caiado será acompanhado pelo líder do partido de ambos, Gilberto Kassab, e o Missão, de Renan Santos, também tem uma lista “puro sangue”, com Aroldo Viana, um militar na reserva do partido, ao lado. 

Lula, do PT, com Geraldo Alckmin, pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), concorrem à reeleição. 

PRINCIPAIS CANDIDATOS

Lula da Silva (PT)

Vice: Geraldo Alckmin (PSB)

Última sondagem*: 39%

Flávio Bolsonaro (PL)

Vice: Alfredo Gaspar (PL)

Última sondagem: 30%

Renan Santos (Missão)

Vice: Aroldo Medina (Missão)

Última sondagem: 4%

Ronaldo Caiado (PSD)

Vice: Gilberto Kassab (PSD)

Última sondagem: 4%

Romeu Zema (Novo)

Vice: Eduardo Girão (Novo)

Última sondagem: 2%

Augusto Cury (Avante)

Vice: indefinido à hora do fecho

Última sondagem: 1%

Samara Martins (UP)

Vice: Raquel Bricio (UP)

Última sondagem: 1%

*Genial/Quaest, de 5/8

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