A 12 dias do fim do prazo determinado pelo Tribunal Superior Eleitoral do Brasil, só três dos 13 pré-candidatos à presidência da República do Brasil têm os vice-presidentes escolhidos. Entre os 10 retardatários está Flavio Bolsonaro, o principal rival de Lula da Silva na corrida. O senador de extrema-direita do Partido Liberal (PL), entretanto, já definiu um traço do perfil: será uma mulher. Mas quem? A senadora Tereza Cristina, ministra da Agricultura de Jair Bolsonaro e primeira escolha da entourage de Flávio desde o início da corrida eleitoral para esvaziar Ronaldo Caiado, candidato presidencial com forte ligação ao agronegócio, disse “não” nesta semana. A explicação oficial, divulgada por Valdemar Costa Neto, o presidente do PL, é que ela sente que concorrer à vice-presidência pode prejudicar a candidatura própria à presidência do Senado na próxima legislatura, o seu principal objetivo político.Nos bastidores, porém, há mais razões especuladas para a recusa. Do ponto de vista pessoal, Tereza Cristina, que é próxima de Michelle Bolsonaro, não gostou da discussão pública entre a ex-primeira dama e o enteado que marcou as últimas semanas e enfraqueceu a candidatura nas sondagens. “Chega de fofoca, temos é de discutir o projeto que queremos para o Brasil”, disse ela, incomodada com a repercussão do conflito, na ocasião. E, do ponto de vista partidário, o Partido Progressista (PP), a que Tereza Cristina pertence, ainda não definiu se apoia, oficialmente, Flávio.A tendência neste momento é que tanto o PP como o União Brasil, dois dos principais partidos de direita do país, optem pela neutralidade na corrida ao Planalto entre Flávio e Lula, do Partido dos Trabalhadores (PT). Em causa, as pesquisas de opinião a apontarem o aumento da vantagem do atual presidente sobre Flávio, por um lado, e, por outro, a mágoa de Ciro Nogueira e Antonio Rueda, os presidentes dos dois partidos, com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nogueira, talvez o político mais atingido pelo escândalo em torno das fraudes e subornos do banqueiro Daniel Vorcaro, e Rueda, cujo aliado Márcio Canella, prefeito de uma cidade do estado do Rio de Janeiro, foi detido noutro caso de polícia, esperavam manifestações públicas de apoio de Flávio que jamais aconteceram.Se, portanto, o PP não apoiar Flávio, os plano B, a católica Simone Marquetto, e C, a evangélica Clarissa Tércio, do filho de Bolsonaro para a vice-presidência também colapsam: as duas são deputadas federais do partido, uma por São Paulo, o estado mais populoso, a outra por Pernambuco, no coração do nordeste, região que costuma votar à esquerda. O plano D é Daniella Marques, economista com ótimo trânsito no mercado financeiro filiada ao Republicanos, um terceiro partido de direita que também resiste a apoiar Flávio e até lançou nota a afirmá-lo. Nele milita Tarcísio de Freitas, o governador de São Paulo que a maioria da direita preferia ver a enfrentar Lula a 4 de outubro.Sem os planos A, B, C e D, pode restar a Flávio uma solução interna: Júlia Zanatta, do muito à direita estado de Santa Catarina, ou Bia Kicis, do Distrito Federal, duas fervorosas bolsonaristas mas do próprio PL, o que acrescentaria pouco à candidatura em matéria de amplitude eleitoral. A convenção do partido, onde tudo tem de ficar definido, é neste sábado, 25.No dia seguinte, domingo, 26, o Partido Social Democrático (PSD), de centro-direita, oficializa a candidatura de Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás, antigo senador, deputado federal, candidato presidencial em 1989 e terceiro na maioria das sondagens, com Gilberto Kassab, presidente do mesmo PSD, como vice. Só o PSD, o PT, de Lula, com o atual vice-presidente Geraldo Alckmin, do Partido Socialista Brasileiro, novamente como número dois, e o Missão, de Renan Santos, com o militar na reserva Aroldo Viana, como candidato a vice, já definiram o ticket completo. PT e Missão organizam as respectivas convenções no primeiro fim de semana de agosto.Entre as principais candidaturas, na segunda-feira 27, é a vez do Novo, de Romeu Zema, definir o vice – uma especulação em torno de Michelle Bolsonaro para o cargo, imediatamente desmentida pela própria, aumentou o mal estar à direita. CANDIDATOSLula da Silva (PT)Vice: Geraldo Alckmin (PSB)Última sondagem*: 41% Flávio Bolsonaro (PL)Vice: a definirÚltima sondagem: 30% Ronaldo Caiado (PSD)Vice: Gilberto Kassab (PSD)Última sondagem: 6% Romeu Zema (Novo)Vice: a definirÚltima sondagem: 3% Renan Santos (Missão)Vice: Aroldo Medina (Missão)Última sondagem: 1%Augusto Cury (Avante)Vice: a definirÚltima sondagem: 1%Joaquim Barbosa (Democracia Cristã)Vice: a definirÚltima sondagem: 1%Hertz Dias (PSTU)Vice: a definirÚltima sondagem: não pontuouSamara Martins (UP)Vice: a definirÚltima sondagem: não pontuouCabo Daciolo (Mobiliza)Vice: a definirÚltima sondagem: não pontuouEdmilson Costa (PCB)Vice: a definirÚltima sondagem: não pontuouHeró Bezerra (PRTB)Vice: a definirÚltima sondagem: não pontuou Rui Costa Pimenta (PCO)Vice: a definirÚltima sondagem: não pontuou *Indexa Pesquisas, 21/7