Que aviões americanos a Base das Lajes recebeu nas últimas horas?A força de reabastecedores KC-46 Pegasus foi reforçada com mais três unidades, passando para 18 plataformas estacionadas. Nas últimas semanas, começando vários dias antes do primeiro ataque ao Irão, esta força tem variado entre 11 e 15 unidades. Esporadicamente, foi relatada a presença de 24 reabastecedores nas Lajes, mas alguns não eram norte-americanos, mas de outros países e apoiavam operações que segundo sabemos nada tinham a ver com a guerra em curso e estavam programadas com grande antecedência. Chegaram, entretanto, seis aviões de guerra electrónica EA-18G Growler, que são considerados muito avançados e conjugam sensores e bloqueadores visando dominar o espetro electromagnético. É fácil para um observador confundir estes aviões com os F-18, uma vez que eles de baseiam na célula desse caças (F-18 Super Hornet). O EA-18G Growler substitui o velho EA-6B Prowler, que voou desde finais dos anos sessenta do século XX até 2019, quando foi retirado. Estão também nas Lajes cinco Northrop Grumman E-2D Advanced Hawkeye (identificados como pertencendo à United States Navy). Trata-se de uma plataforma muito moderna de alerta aéreo e controlo (AEW&C - Airborne Early Warning and Control). Esta aeronave está projetada para apoiar, sobretudo, a guerra naval avançada. Tanto o EA-18G Growler como o Northrop Grumman E-2D Advanced Hawkeye podem operar a partir de porta-aviões, o que pode significar, como aconteceu em outras circunstâncias, que estarão à espera de ordens para seguirem para bordo de um qualquer porta-aviões que esteja a entrar nos respetivos raios de ação.Há uma continuidade com as aeronaves que nas últimas semanas têm usado a Base das Lajes ou há um elemento de novidade?A continuidade ocorre com os reabastecedores. Aliás, é muito difícil perceber quantos reabastecedores estão, de facto, a operar com base exclusiva nas Lajes, uma vez que há variações ao longo dos dias, eventualmente porque alguns podem estacionar em outras bases após missões de reabastecimento, voltando mais tarde, quando outros já estão no ar. Mas não será demasiado arriscado avançar que pelo menos entre 11 e 15 plataformas estão a operar exclusivamente a partir da ilha Terceira. Desapareceram, entretanto, que nos tenhamos apercebido, os caças. Nos dias que antecederam o ataque, a Base das Lajes hospedou doze caças F-16 Viper, que partiram pouco antes do início das operações. Também os P-8 de luta anti-submarinos não têm sido vistos nos últimos dias, o que não é estranho, dada a durabilidade das sono-bóias que entretanto lançaram no Atlântico. Permanece a passagem de cargueiros militares, mas sem grande intensidade. A novidade é a presença de aviões de guerra electrónica, que todos os observadores por aqui esperam não estarem a operar na zona….A movimentação desde a Guerra dos 12 Dias em 2025 e agora com este ataque ao Irão a partir de 28 de Fevereiro tem sido muito superior, por exemplo, ao que aconteceu durante a intervenção norte-americana no Iraque em 2003?Em 2023, nas vésperas e nos primeiros tempos da guerra contra o Iraque, estiveram estacionados na Base das Lajes, em permanência e com muita utilização, pelo menos 30 reabastecedores KC-135 Stratotanker (e alguns KC-10). Aviões de transporte, em grandes quantidades, também passaram pelas Lajes com equipamentos e com militares, tal como caças. Esta operação foi apoiada por cerca de 600 especialistas projetados a partir dos EUA. Estes números assemelham-se muito ao que ocorreu na Primeira Guerra do Golfo, quando estiveram estacionados nas Lajes cerca de 33 reabastecedores. Nessa altura foram projetados dos EUA os mesmos cerca de 600 especialistas. Com a quantidade de reabastecedores agora estacionados, estaremos em cerca de metade face a 2003. Os reabastecedores são agora os KC-46 Pegasus, que têm mais alguma capacidade de armazenamento de combustível, entre outras facilidades, mas não muita (96.000 kg versus 90.700 kg, com variações que dependem da configuração). Os especialistas projetados são agora cerca de 400. Quanto à restante aviação, estamos, em muitos casos, perante os equivalentes atuais dos aviões da época (por exemplo o EA-18G Growler, que substitui o EA-6B Prowler). Deve notar-se que a quantidade, na guerra atual, não tem um significado linear. Tudo depende da evolução das tecnologias e dos modos de as empregar em termos estratégicos e táticos.."Os norte-americanos usam a Base das Lajes como entendem e quando entendem"