Pedro Nuno Santos diz ser “muito importante que os líderes políticos do PS e do Governo se comprometam também com a negociação” do Orçamento do Estado para 2025 e espera até que Luís Montenegro esteja presente na próxima reunião..Porém, o secretário-geral socialista - que até recordou que “António Costa dava o pontapé de saída para as reuniões do Orçamento com a reunião com os líderes políticos dos partidos que estavam disponíveis para viabilizar o Orçamento” -“tem recusado todas as tentativas do primeiro-ministro”, nos últimos dez dias, para reuniões entre os dois, diz ao DN fonte governamental..Fonte socialista, no entanto, contraria esta versão e sustenta que só houve um contacto e que foi explicado, nessa altura, ao Governo que só depois de o PS receber a informação pedida é que essa reunião deveria acontecer - em princípio na próxima semana..O líder do PS considera estar já muito claro quais “as matérias que não aceitamos que sejam introduzidas no orçamento [IRS Jovem e IRC]” e que o próximo passo é “dizer aquilo que nós queremos introduzir no Orçamento”..No entanto, como revelou ao DN fonte socialista, o partido “quer” ainda “perceber que tipo de propostas [do Governo] é que estão no Orçamento do Estado, qual é a dinâmica do Orçamento (…), perceber a folga, que eventualmente exista, para apresentarmos projetos”. E propostas, “talvez no final da próxima semana”..Aquilo “com que o PS não concorda” tem do Governo, apesar, dizem fontes governamentais, da “retórica um pouco inflamada” de Pedro Nuno Santos, a garantia de “modelação” ou de “calibração” - expressão até usada por fonte socialista..“Não vamos abdicar do IRS Jovem. Estamos disponíveis para, dentro da nossa proposta, aproximar posições”, refere ao DN fonte do Governo. Outra fonte, também do Governo, sublinha que “não estamos disponíveis para abdicar do IRS Jovem” admitindo, tal como já o tinha feito há semanas o secretário-geral social-democrata, Hugo Soares, uma negociação que “remodele” a proposta inicial - contrariando, assim, a ideia de que o Governo pode deixar cair o IRS Jovem ou que começa a recuar..“Nada mais errado. Já dissemos da disponibilidade para calibrar a proposta”, esclarece fonte do Governo. E é até recordado que o secretário-geral do PS já admitiu que um “profundo desacordo” com o Governo não impedirá o PS de viabilizar o OE2025, desde que seja respeitado “o quadro de princípios programáticos do PS” porque, sustentou Pedro Nuno Santos, “um Orçamento do Estado “não são duas medidas”..A ameaça pública do líder socialista de que não haverá “um meio caminho” no IRC e IRS Jovem, como sugeriu Pedro Duarte, ministro dos Assuntos Parlamentares, em entrevista ao Público e à Rádio Renascença, contrasta com o plano interno, pelo que apurou o DN, de o PS seguir “as linhas mestras do seu programa de Governo” e acolher medidas “calibradas” do Governo “não muito distantes” das que defende. .Nuno Melo, ministro da Defesa, acredita, por isso, que no final, “o sentido de Estado prevalecerá” e “tudo será concluído num resultado que é o desejável. .“Se o OE não for aprovado, Portugal ficará pior, porque “há impostos que não vão baixar”, como o IRS e o IRC, e “aquilo que são previsões de crescimento da receita e da redução da dívida também não serão possíveis, acentuou..Por isso, “eu acredito que, no final, tudo será concluído num resultado que é o desejável para um país inteiro que também acredito que não deseja eleições” - havendo, o ciclo eleitoral será de três eleições em onze meses.