Os norte-americanos gostam especialmente  de casas em Lisboa.
Os norte-americanos gostam especialmente de casas em Lisboa. Foto: D.R.

Negócio das casas de luxo esbarra na falta de oferta

Porta da Frente Christie’s realizou cerca de 600 transações, a um valor médio de um milhão de euros, no ano passado. Mas alerta que a oferta de gama alta caiu quase 25% desde 2021.
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“Portugal constrói cerca de 25 mil novas habitações por ano, quando as necessidades apontam para perto de 70 mil”, alerta João Cília, CEO da Porta da Frente Christie’s. Esta falta de oferta acaba por se refletir “em todos os segmentos, incluindo o premium e o luxo”. A mediadora especializada em imobiliário de gama alta verificou que “2025 foi mesmo um ano recorde ao nível da procura em Portugal” e essa aceleração “aumentou a pressão na oferta, porque não conseguimos construir à velocidade necessária” para responder à demanda. Desde 2021, a oferta de gama alta caiu quase 25%, revela um estudo da mediadora. Os preços refletem esta pressão e subiram 8,5% no ano passado.

João Cília defende que, no segmento de gama alta, as dificuldades sentem-se mais ao nível da escassez de produto disponível em localizações privilegiadas. A pouca capacidade de expansão da oferta em zonas prime é mesmo um obstáculo ao crescimento do negócio dos imóveis de luxo. Na sua opinião, as áreas com maior pressão são sobretudo Lisboa e Cascais, onde já existe pouca margem para nova construção relevante. No Algarve, observa-se alguma expansão para zonas periféricas ao “Triângulo Dourado” (Vilamoura, Quinta do Lago e Vale do Lobo). Já a procura crescente em zonas Comporta, Tróia e a faixa costeira até Sines começa agora a impulsionar o desenvolvimento de novos projetos.

No ano passado, a Porta da Frente Christie’s foi responsável por cerca de 600 transações, com um valor médio de um milhão de euros, o que traduz um crescimento de 18% face a 2024. João Cília revela que os portugueses representaram cerca de 60% das transações, muito focadas em Lisboa e Cascais. Do lado dos compradores internacionais, destacaram-se os brasileiros e norte-americanos. Segundo o gestor, os brasileiros mantêm “uma presença estável e muito relevante, especialmente em zonas como Cascais e Estoril, enquanto os norte-americanos têm crescido de forma muito expressiva e já representam mais de 10% de transações”. Têm preferência por imóveis em Lisboa. Em 2025, a Porta da Frente trabalhou ainda com britânicos, angolanos e israelitas, estes últimos mais focados em oportunidades de investimento.

João Cília está otimista quanto ao exercício de 2026, apesar do contexto geopolítico atual. O mercado de gama alta irá manter-se “bastante sólido, tanto do lado da procura nacional como internacional”, considera. Segundo diz, a procura nacional “mantém-se ativa, apoiada pela descida das taxas de juro e pela valorização dos imóveis existentes, que têm levado muitos clientes a fazer upgrade de habitação”. No segmento internacional, não são visíveis sinais de abrandamento. Portugal continua a ser “muito atrativo” para estes investidores. Na sua opinião, a atual situação mundial, marcada por conflitos bélicos, “tem levado alguns investidores a redistribuir capital para a Europa” e, particularmente, para “o sul da Europa, o que pode reforçar ainda mais a procura no segmento de luxo”.

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