Após as duas fases de acesso, ainda há 25 cursos desertos

Sete cursos de Engenharia Civil continuam sem um único colocado. Mas o representante dos politécnicos avisa que estas vagas costumam ficar preenchidas através de outras formas de ingresso. Os resultados da segunda fase de acesso ao ensino superior público foram conhecidos nesta quinta-feira, com uma diminuição do número de colocados.

Ao final de duas fases de candidatura de acesso ao ensino superior público, há 25 cursos que continuam desertos, com a totalidade das vagas que abriram em ambas por preencher - a larga maioria deles na área de Engenharia. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), nesta segunda fase, ficaram colocados 9274 estudantes, entre as quase 14 mil vagas disponibilizadas.

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São já 46 721 os alunos colocados no ensino superior público para o ano letivo 2019-2020, mais 1,4% do que no ano transato. Nesta segunda fase do concurso, grande parte ficou no ensino politécnico (4789) e a restante (4485) no universitário. Mas representam menos 178, no total, do que o número de colocados na mesma fase do ano transato (9452), em que já tinha sido registada uma diminuição de 379 em relação a 2017.

Uma tendência que pode ser justificada pelo aumento do número de colocados na primeira fase, de 43 992, em 2018, para 44 500 neste ano. Mas também por 87% da totalidade dos estudantes terem sido admitidos numa das suas três primeiras opções, na fase anterior.

À semelhança do cenário registado na primeira fase, os cursos com as médias do último colocado mais altas dizem respeito aos ciclos de estudo de Engenharia e Gestão Industrial (195,8 valores) da Universidade do Porto (UP), Engenharia Aeroespacial (194,5) no Instituto Superior Técnico (IST) de Lisboa, Engenharia Física Tecnológica (194,3) também do IST, Medicina quer no Porto (193,7 no ICBAS) quer em Lisboa (193,3) e ainda Bioengenharia (192,8) na UP. Contudo, todos eles abriram apenas uma ou duas vagas para esta segunda fase do concurso.

Entre os 18 195 candidatos elegíveis a concurso nesta fase, apenas 6019 não tinham concorrido à primeira. Outros 6070 tinham ficado colocados e matriculados, mas decidiram recandidatar-se. Já 1914 estudantes, apesar de colocados na anterior, não chegaram a realizar a matrícula (representam mais de 10% do total dos colocados). Por fim, juntam-se às contas os 4062 que eram candidatos à primeira fase mas que não conseguiram colocação.

Da primeira fase do concurso de acesso, cujos resultados foram conhecidos no início deste mês, ficaram 6734 vagas por preencher, naquele que foi o número de lugares sobrantes mais baixo da década. A estas juntaram-se outras vagas correspondentes a todos os alunos que colocados não matriculados, as libertadas na sequência do processo de recolocação de estudantes colocados na primeira fase e as consequentes de retificações na mesma fase, totalizando 13 734 vagas. Sobram, por isso, 4583 desta segunda fase, em 264 cursos. Menos 14% comparativamente com 2018, que podem ser transferidas para a terceira fase do concurso ou mesmo para concursos especiais e de mudança de instituição ou curso.

De acordo com os dados do MCTES, a quantidade de estudantes que ingressaram no superior através de um contingente especial para candidatos com deficiência aumentou 34% relativamente a 2018. Quando contabilizadas as entradas das primeira e segunda fases, neste ano entraram 310 alunos neste contingente, sendo certo que eram 231 em 2018. Ainda em 2015, eram apenas 120.

Sete cursos de Engenharia Civil vazios

Há cerca de 40 cursos que não preencheram uma única vaga nesta segunda fase. Destes, 25 já tinham ficado vazios na anterior. São na vasta maioria cursos de Engenharia, com sete dos de Engenharia Civil a ficar desertos.

Os institutos politécnicos estão nas duas faces da moeda: tanto são os que mais estudantes albergam nesta fase como aqueles com mais cursos a registar zero colocados na segunda fase, maioritariamente nas zonas do interior do país. No ensino universitário, só a Universidade da Beira Interior tem presença neste lote, terminando as duas fases com zero colocados em Engenharia Civil.

Mas o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) considera ser "muito cedo para fazer análises". Pedro Dominguinhos lembra que "esta é apenas a segunda fase e há um número muito significativo de estudantes internacionais e alunos vindos de concursos locais que completarão agora as vagas que não foram preenchidas".

"Há cursos que continuam a ficar vazios, sim, mas no Concurso Nacional de Acesso [CNA]", alerta, em entrevista ao DN. Só no final de outubro, quando estiverem todas as fases concluídas, "é que deverão ser feitas as devidas análises". "Porque há uma outra questão que não fica espelhada nestes dados, que é o número de estudantes que concluem o Curso Técnico Superior Profissional (CTeSP) e prosseguem para licenciaturas." Pedro Dominguinhos diz que cerca de 54% destes prosseguem estudos para a licenciatura e preenchem a totalidade das vagas remanescentes."Aliás, neste momento, só cerca de 31% dos estudantes já não ingressam pelo CNA", que representa apenas metade das formas de ingresso no ensino superior. "Continua a ser a maior fatia, mas temos de valorizar outras formas de ingresso", reforça.

Ainda assim, reconhece que o número de ciclos de estudos que ficam vazios "obrigam a uma reflexão" por parte de cada instituição, que "tem de ponderar a sua oferta formativa".

Face dos resultados desta segunda fase, o representante realça "o aumento do número de politécnicos que têm menos vagas por preencher nesta segunda fase". O que justifica com o aumento de candidatos, "mas também, para aqueles que estão mais próximos de Lisboa e do Porto, por consequência da redução de vagas nas grandes cidades". Como é o caso do Instituto Politécnico de Setúbal, do qual é reitor. "A instituição teve o melhor ano de todos desde que me lembro [mais candidatos] devido à proximidade com Lisboa. Nos cursos de pós-laboral, por exemplo, tenho dezenas de alunos maiores de 23 anos que não vão ser colocados porque as vagas ficaram todas preenchidas", conta.

Para os estudantes agora colocados, as matrículas decorrem até 30 de setembro. Consideradas todas as vias de ingresso ao ensino superior, oMinistério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) prevê que existam cerca de 77 mil novos alunos no ano 2019-2020.

Cada uma das instituições tem agora autonomia para decidir se irá abrir a terceira fase do concurso nacional e qual o número de vagas a fixar, que deverão ser iguais ou inferiores às vagas sobrantes desta segunda fase, juntamente com aquelas que não ficaram ocupadas pelos colocados que não se matricularam. As vagas serão divulgadas no dia 3 de outubro, no site da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES), e a candidatura decorre entre 3 e 7 do mesmo mês.

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