Costa dramatiza coronavírus: "Um tsunami é um tsunami. Este processo vai ter dor"

No dia em que Centeno disse que não alimenta o "folhetim" da sua remodelação, Costa dramatizou a situação: "É um tsunami" e "num tsunami não há bóias que nos ajudem".

Prioridade um do Governo: evitar ao máximo cenários italianos, no que toca ao número de vítimas do covid-19. E prioridade dois: fazer com que a economia não colapse totalmente até junho, apelando-se dramaticamente aos empresários para que não partam já para despedimentos, usando antes o mecanismo do lay-off (o trabalhador em casa com menos um terço do ordenado), tendo para isso o Governo um orçamento de mil milhões de euros/mês. Isto tudo no pressuposto de que a esta primeira vaga do covid-19 se seguirá uma segunda.

No geral, foi este o tom da entrevista que o primeiro-ministro deu esta segunda-feira à noite à TVI. Para convencer os empresários a não partir já para despedimentos, António Costa deixou mesmo o aviso: quem o fizer não terá acesso a linhas de crédito para recuperação de empresas. Em maio, prometeu, o Governo já terá pronto um plano de relançamento da economia. E, entretanto, deixa cair metas que tinham sido estabelecidas antes da pandemia: o superavit já era, vai haver défice; e prepara-se um orçamento suplementar, o primeiro desde que Costa chefia o Governo (2015). Para o primeiro-ministro impõe-se ainda, na UE, um plano Marshall.

Quanto ao SNS, deixou uma garantia: está a ser adquirido todo o material necessário para enfrentar a doença. "Nunca perderemos o controlo da situação", assegurou. O Exército tem camas de reserva, vêm aí mais ventiladores comprados na China, há até doações individuais. O Governo, entretanto, admite aprovar um quadro sancionatório para quem viole o "dever geral de recolhimento" a que os portugueses estão todos sujeitos. E as forças de segurança serão - prometeu o PM - "implacáveis".

Seja como for, "um tsunami é um tsunami". E "não há boias que salvem num tsunami". Portanto, "este processo vai ter dor". O que se pede aos portugueses é que tenham consciência da gravidade do momento - mas sem entrar em pânico. E sejam "disciplinados" na autoproteção: distância social, lavar muito as mãos, não coçar os olhos. "Eu roo as unhas e agora não posso", exemplificou Costa.

"Todos devemos gastar as energias apenas focados na resposta à crise e não a alimentar folhetins que só interessam aos que desenham",

Segunda-feira começou com o ministro das Finanças a ir a Belém falar com o Presidente da República sobre o impacto da pandemia nas contas públicas - e também sobre as medidas europeias de combate à crise, já que o ministro das Finanças também preside ao Eurogrupo.

O Expresso tinha dito que Marcelo iria pedir a Centeno que não deixasse o Governo - assunto que Centeno descreveu numa palavra: "Folhetim". "Todos devemos gastar as energias apenas focados na resposta à crise e não a alimentar folhetins que só interessam aos que os desenham", disse, após a audiência - numa declaração onde também admitiu que o Governo poderá ter de avançar para um orçamento suplementar.

Marcelo, pelo seu lado, anunciou ter promulgado o OE2020 e, em comunicado, fez saber que tinha agradecido a Centeno o seu "total enfoque no enfrentar dessa situação".

Hoje o primeiro-ministro, o Presidente da República, os líderes partidários e o presidente da AR, vão assistir no Infarmed a uma sessão com apresentações técnicas sobre a "Situação epidemiológica da covid-19 em Portugal". As apresentações técnicas serão feitas epidemiologistas da DGS (Direção-Geral da Saúde), INSA (Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge), ISPUP (Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto) e ENSP (Escola Nacional de Saúde Pública)". Também foram convidados os líderes das confederações patronais e das centrais sindicais.

À tarde, o primeiro-ministro estará no Parlamento em mais um debate quinzenal - apesar de todas as pressões, Ferro Rodrigues recusa fechar os trabalhos parlamentares, prevendo-se apenas que a participação de deputados seja drasticamente reduzida para todos conseguirem manter no plenário as devidas "distâncias sociais". Para dia 1 de abril já está marcado um plenário que fará, se for solicitado, a revalidação do estado de emergência.

O balanço feito segunda-feira pela DGS revela 23 mortos e 2060 pessoas infetadas. Ou seja: mais nove mortos do que no domingo e mais 460 infetados.

Registou-se, porém, finalmente um aumento do número de pessoas recuperadas - passaram de cinco para 14. 201 pessoas estão internadas, estando 47 nos cuidados intensivos. Dos 2060 infetados, 82 são médicos e 37 enfermeiros.

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