Os favoritos aos Óscares, Globos e outros escrutínios no cinema

Num ano com uma temporada de prémios em que o foco são as estreias em streaming, o que não sobram são as grandes interpretações. Atores como Frances McDormand, Kate Winslet, Anthony Hopkins, Chadwick Boseman, Glenn Close ou Michelle Pfeiffer perfilam-se como os principais nomeados numa caminhada até aos Óscares.

Numa temporada dos prémios marcada pela supremacia dos filmes estreados em streaming, são talvez as interpretações dos atores o grande foco de atração. Numa caminhada até 25 de abril, data da cerimónia dos Óscares, são muitos os atores e as atrizes em relevo e apontados à glória. Um ano em que os filmes viabilizaram atuações extraordinárias e são muitos os favoritos a acotovelarem-se uns aos outros.

Nesta altura, nomes como Viola Davis, Riz Ahmed, Anthony Hopkins, Delroy Lindo, Gary Oldman, Frances McDormand, Kate Winslet e o malogrado Chadwick Boseman estão na linha da frente.

Nos secundários, importa não descartar um suave Bill Murray, em On The Rocks, de Sofia Coppola, e a surpresa de Os 7 de Chicago, de Aaron Sorkin, o afro-americano Yahya Abdul-Mateen II, bem como Leslie Odom, Jr. em One Night in Miami e Sacha Baron Cohen também em Os 7 de Chicago.

No que toca a interpretações masculinas, parece haver uma enorme aclamação generalizada em torno de Gary Oldman, em Mank, de David Fincher. Esta produção da Netflix mostra o ator que venceu o Óscar recentemente em A Hora mais Negra, como Churchill, na pele do argumentista de Citizen Kane, o alcoólico e rebelde Herman Mankiewicz.

É um desempenho para lá das proezas do jogo carnavalesco das parecenças. Mas também Anthony Hopkins em O Pai, de Florian Zeller, tem uma das suas históricas encarnações, neste caso de um patriarca com Alzheimer. O filme é uma viagem pela mente de um doente e desconcerta o espectador.

Seja como for, parece haver também uma vontade de consagrar Riz Ahmed, ator que aos poucos está a ganhar uma posição sólida em Hollywood depois de presenças em filmes como Os Irmãos Sister, de Jacques Audiard, ou Nightcrawler - Repórter da Noite, de Dan Gilroy. Em Sound of Metal, de Darius Marder, é notável como baterista de uma banda de rock que subitamente perde a audição. O filme só agora chegou à Prime Amazon e é um caso de popularidade evidente. Aconteça o que acontecer, parece ter nascido aqui uma nova estrela de Hollywood.

Também garantido nesta temporada é Delroy Lindo, a presença mais marcante do elenco de Da 5 Bloods- Irmãos de Armas, de Spike Lee. Lindo, ator que sempre deu nas vistas em papéis secundários, agigante-se com fúria e ódio no papel de um afro-americano reacionário que se junta aos seus antigos companheiros de armas do Vietname para uma caça ao tesouro. Será talvez o ator afro-americano com maior claque, talvez só seguido de perto por Chadwick Boseman em Ma Rainey - A Mãe do Blues, em estreia por estes dias na Netflix e Kingsley Ben-Adir, a revelação de One Night in Miami, de Regina King, filme que parece estar também a ganhar peso nestas contas de prémios. Boseman, o ídolo desaparecido neste ano, é verdadeiramente intenso em Ma Rainey - A Mãe do Blues, mas a Netflix poderá ainda colocá-lo na categoria dos atores secundários, onde aí fica ainda mais favorito.

Tal como nos atores, os filmes com selo Netflix também jogam cartada forte nos prémios femininos, mesmo apesar do entusiasmo para Frances McDormand, sublime em Nomadland - Sobreviver na América, e aí celebre-se o efeito Viola Davis em Ma Rainey - A Mãe do Blues e o regresso de Sophia Loren, fortíssima nesta competição no drama italiano Uma Vida à Sua Frente, realizado pelo seu filho Edoardo Ponti.

Para além do efeito do estúdio de Ted Sarandos, temos outro comeback, o de Michelle Pfeiffer ,em French Exit. Por seu turno, a habituée Kate Winslet, em Ammonite, de Francis Lee, filme já muito pirateado mas sem data de estreia entre nós, está a ter de novo muita vassalagem.

Com grande lóbi está ainda Vanessa Kirby em Pieces of a Woman, supostamente uma das revelações do último Festival de Veneza. Kirby que teve um 2020 feliz ao contrário dos comuns mortais: esta atriz fogosa conquistou também a crítica na série The Crown e no drama lésbico The World to Come. Com menos hipóteses mas a ganhar terreno está a veterana asiática Yuh-Jung Youn, supostamente genial em Minari, o A Despedida deste ano, e a inglesa Carey Mulligan em Promising Young Woman, em que se transforma numa mulher disposta a tudo para se vingar de quem a violou. Menos contada mas cheia de elogios de uma imprensa especializada está Carrie Noon, arrebatadora em O Ninho, de Sean Durkin.

2021 poderá ser um ano de contrastes: há quem acredite que estes prémios vão ser a rampa de lançamento de atrizes e aí Maria Bakalova da sequela de Borat está a gerar consensos nas interpretações secundárias, mas o ano poderá ser de consagrações e nesse capítulo é Glenn Close em Lamento de Uma América em Ruínas, como avozinha saloia quem parece poder lucrar mais, por muito que haja quem fale em boneco caricatural... Nessa competição em particular, dos desempenhos de suporte, talvez seja sensato não subestimar o olhar magoado de Amanda Seyfried em Mank, de David Fincher. A indústria está ainda a tentar que as consagradas Jodie Foster, em O Mauritano, Olivia Colman, em O Pai, e Ellen Burstyn, em Pieces of a Woman, tenham ainda um slot, mas era divertido que a criança-atriz alemã Helena Zengel baralhasse as contas no aguardado Notícias do Mundo, um western com Tom Hanks que tem a pressão da Netflix.

Dê por onde der, é um ano fortíssimo e que vai deixar muitas atrizes bem cotadas de fora.

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