Seca, fogos e uma ferida no parque. Quando o calor é uma ameaça

O violento incêndio que atingiu a Serra da Estrela vai deixar marcas profundas na biodiversidade do parque natural. Portugal prepara-se para enfrentar a terceira onda de calor deste verão.

Sábado, 13 de agosto

Incêndio na Serra da Estrela: uma ferida que vai demorar a sarar

O fogo na Serra da Estrela, o maior deste verão (deflagrou a 6 de agosto), chegou a ser dado como dominado no sábado, mas os fortes reacendimentos, em diferentes zonas, continuaram a dar muito trabalho aos bombeiros ao longo de toda a semana. E o pior é que o rasto de destruição que deixa demorará muito tempo a sarar. A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil recorreu ao exemplo de Hiroxima para melhor ilustrar a violência do incêndio no parque natural, uma área protegida, avançando que o fogo libertou mais de 760 terajoules de energia quando a bomba atómica lançada sobre a cidade japonesa em 1945 representou cerca de 30 terajoules. Além da imensa área ardida, o fogo teve um profundo impacto na biodiversidade da Serra: "Parte das áreas do Parque que são matos podem regenerar-se. Mas não estamos a falar de 10, ou 100 hectares. Estamos a falar de milhares de hectares, de habitats dos quais dependem muitas espécies de animais", frisou o engenheiro ambiental, Domingos Patacho, dirigente da Quercus, chamando ainda a atenção para a condição perigosa nas íngremes encostas do Vale do Zêzere, que agora sem árvores ficam mais sujeitas aos efeitos da erosão e a situações de arrastamento de terras e rocha quando chover. Este ano, até ontem, já arderam mais de 93 mil hectares em espaços rurais.

Domingo, 14 de agosto

PSD. Um rentrée, dois protagonistas

Sem precisar subir ao palco da Festa do Pontal, a Passos Coelho bastou aparecer no calçadão de Quarteira para chamar a ele os holofotes mediáticos. Recebido de forma entusiasmada pelos militantes do PSD, o ex-líder do partido e ex-PM explicou que a sua (muito rara) aparição, de "carácter excecional no sentido em que não é para repetir", foi para "assinalar este novo ciclo do partido", agora sob a presidência de Luís Montenegro, em quem vê "competência para preparar uma alternativa ao atual governo". Nada mais do que isso. Não foi essa a leitura que fez, ainda nessa noite, outro ex-líder do PSD, sempre bem informado e atento às oportunidades futuras... Marques Mendes considerou que, indo ao Pontal, Passos poderá estar a preparar um regresso à política, "pois ainda é uma pessoa muito nova" e "gostava, eventualmente, de voltar a ser primeiro-ministro ou candidatar-se a Presidência da República". "Quer deixar tudo em aberto", acrescentou. Luís Montenegro, esse, que conseguiu reunir cerca de 1500 pessoas no Pontal para o escutar, iniciou o discurso dirigindo-se a Passos (de quem foi líder parlamentar), repetindo uma ideia que já usou algumas vezes - "foi um orgulho ter estado ao teu lado naquele período de recuperação em que mandámos a troika porta fora" - e, entre propostas e ataques ao governo, preconizou que "a máquina laranja está de volta para tornar a governar Portugal".

Segunda-feira, 15 de agosto

À segunda foi de vez para Mauricio Moreira

O ciclista uruguaio Mauricio Moreira ganhou a 83.ª edição da Volta a Portugal, alcançando a camisola amarela e triunfo final na última etapa da prova, um contrarelógio de 18,6 km, entre Porto e Gaia, que concluiu em apenas 25.07 minutos. Depois do segundo lugar no ano passado (perdeu a vitória por apenas 10 segundos...), a consagração de Mauricio chega num ano particularmente difícil em que enfrentou a covid-19 por duas vezes e sofreu uma lesão no joelho direito que também o condicionou durante a prova. Numa edição que ficou marcada pela ausência da equipa que dominou a última década, a W52 (com quem o FC Porto tinha contrato de associação há seis épocas), envolta numa investigação por doping e castigada pela UCI, foi a Glassdrive-Q8-Anicolor que emergiu como a grande vencedora, colocando três corredores nos lugares do pódio (Frederico Figueiredo foi 2.º e levou para casa a vitória na montanha, enquanto António Carvalho terminou em 3.º).

Terça-feira, 16 de agosto

Crimeia volta a estar no epicentro da guerra

A península ucraniana da Crimeia, que a Rússia anexou em 2014, voltou a ser palco de explosões na terça-feira, uma semana depois de o mesmo ter acontecido num aeródromo militar, em Saki. Além das bases navais, a aviação militar russa tem usado a região, desde o início da guerra a 24 de fevereiro, como ponto de partida para uma das principais frentes de ataque à Ucrânia. Desta vez, o ministério da Defesa russo admitiu que as explosões foram resultado de "sabotagem" e que danificaram, além de instalações militares, alvos civis como "uma linha de alta tensão, subestações elétricas, a linha ferroviária e várias casas". Oficialmente, Kiev não reconhece a responsabilidade pelos ataques, mas tem elogiado as ações e seus efeitos, que já resultaram, por exemplo, na debandada de turistas russos da região. E é de esperar que os ataques não abrandem. Se o antigo presidente russo Medvedev advertira que se o conflito chegasse à península seria "o dia do juízo final", já Zelensky não se coibiu de dizer que "se a guerra russa contra a Ucrânia e contra toda a Europa livre começou na Crimeia, então também deve terminar na Crimeia com a sua libertação".

Quarta-feira, 17 de agosto

Onda de calor agrava seca e combate a fogos

Alessandro Marraccini, meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), já o havia adiantado na véspera ao DN: "Neste momento, não temos recursos para dar boas notícias: parece que [o tempo] vai continuar péssimo para o combate aos incêndios e bom para a praia". Na quarta-feira, seria o próprio presidente do IPMA, Jorge Miguel Miranda, a confirmar a chegada, a partir de hoje, da terceira onda de calor deste verão, acrescentando ao problema do combate aos incêndios - e ao excesso de mortalidade provocada pelas altas temperaturas - o agravamento da situação de seca que Portugal já vive nesta altura. "A situação na Europa ainda será talvez pior do que a media em Portugal, mas temos um sistema natural que está tremendamente fragilizado e temos ainda um mês e meio, pelo menos, pela frente para sermos capazes de ultrapassar", afirmou, numa semana em que uma análise da organização World Wide Fund for Nature deu conta que 17% da população europeia está em grande risco de escassez de água até 2050. São notícias preocupantes para o país que, ainda assim, conseguiu neste dia encontrar um bom motivo para sorrir com a conquista de mais uma medalha de ouro por Pedro Pichardo, no triplo salto, nos Europeus multidesportos, em Munique.

Quinta-feira, 18 de agosto

Diálogo para cessar-fogo ainda é uma miragem

O cidade de Lviv, na Ucrânia, foi palco de uma cimeira que juntou à mesma mesa Volodymyr Zelensky, o secretário-geral da ONU, António Guterres, e o presidente turco, Recep Erdogan. Os dois últimos levavam em mente a ideia de usar o recente acordo que permitiu o desbloqueio das exportações de cereais ucranianos e fertilizantes russos, através do Mar Negro, como ponto de partida para uma nova ronda de negociações agora com vista a um cessar-fogo. Mas Zelensky foi taxativo: "Pessoas que matam, violam, atacam as nossas cidades civis com mísseis de cruzeiro todos os dias não podem querer a paz. Deveriam primeiro abandonar o nosso território, e então veremos". O fim da guerra ainda é uma miragem, reconheceu, por sua vez, já depois do encontro a três, o porta-voz de Guterres na ONU, Farhan Haq: "Existem diferentes iniciativas a acontecer, mas ainda estamos longe de quando poderemos falar sobre os esforços para acabar com os combates em geral". Tudo isto numa altura em que cresce o receio de uma desastre na maior central nuclear da Europa, em Zaporíjia, com Rússia e Ucrânia a acusarem-se mutuamente de estarem a preparar ações de provocação no local.

Sexta-feira, 19 de agosto

Morreu Orlando Costa, o "Zé Gato"

O ator Orlando Costa, figura central de algumas séries policiais históricas da televisão portuguesa na década de 80, morreu ontem aos 73 anos. Começou pelos palcos do teatro, tendo feito parte do núcleo fundador da Cornucópia (com Luís Miguel Cintra e Jorge Silva Melo), mas foi na RTP que alcançou projeção nacional, principalmente como protagonista da série "Zé Gato", onde vestia a pele de um agente da polícia, sendo que anos mais tarde também participou noutro clássico de "ação à portuguesa": "Duarte e Companhia". "A Mala de Cartão" (1988), "A Morgadinha dos Canaviais" (1990), "Ballet Rose" (1998), "Capitão Roby" (2000), "Malucos do Riso" (1995), "Super Pai" (2002) e "Inspetor Max" (2004) fazem igualmente parte do extenso currículo do ator, que também teve várias participações em filmes e manteve uma atividade paralela como escritor de canções para espectáculos e músicos como Júlio Pereira, Fausto ou Sérgio Godinho.

pedro.sequeira@dn.pt

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