Novas explosões em alvos militares abalam Crimeia

Um paiol e um aeródromo militar foram atingidos na península ocupada, onde os russos não estão a salvo de ataques.

O presidente Volodymyr Zelensky reiterou há dias a importância estratégica da península anexada por Moscovo: "Esta guerra russa contra a Ucrânia e contra toda a Europa livre começou na Crimeia e deve terminar na Crimeia, com a sua libertação." Nas últimas horas, uma explosão num paiol e outra num aeródromo militar deram indicações de que Kiev estará a expandir a sua contraofensiva. O regime de Vladimir Putin, o homem que vê na região um lugar sagrado russo, fala em "sabotagem".

Nas redes sociais circulam vídeos de filas nas estações de comboios da Crimeia. Serão turistas russos, até agora não importados por estarem paredes meias com uma guerra, a quererem voltar para casa. Mas de comboio não há como. A explosão que atingiu o paiol perto da localidade de Maiske atingiu a via férrea. Segundo a agência russa TASS, 10 quilómetros da linha entre as estações Azovske e Rozizd foram danificados na sequência das explosões, impedindo a ligação com Kerch, no extremo leste da península, onde uma ponte rodoviária liga o território ocupado com a Rússia. Não longe de Maiske fica a cidade de Dzhankhoi, cuja estação de comboios faz a ligação da Crimeia para as regiões de Kherson e Zaporíjia - um local estratégico para o abastecimento e transporte de tropas, munições e equipamentos.

"Em resultado de um ato de sabotagem, um depósito militar perto de Dzhankoi foi atingido", afirmou o Ministério da Defesa russo num comunicado. Antes, Moscovo falara de um incêndio. Horas depois, mais explosões foram ouvidas, desta vez oriundas de uma base aérea militar em Hvardiiske, perto da cidade de Simferopol, no centro da Crimeia, não havendo informações sobre a destruição causada num local onde estariam até 24 aeronaves russas.

Pela boca do ex-presidente Medvedev, o regime de Putin advertira que, se o conflito chegasse à Crimeia, viria "o dia do julgamento final". A realidade é que já chegou. No dia 31 de julho um ataque feito por drone atingiu um edifício da Marinha russa no centro de Sebastopol, a cidade que abriga a frota do Mar Negro. Como resultado, as comemorações do dia da Marinha foram canceladas. No dia 9, explosões atingiram o aeródromo militar de Saki, tendo destruído pelo menos nove aviões de combate.

Em duas semanas, alvos na Crimeia são atingidos por quatro vezes. Além de aviões e armamento destruído, a linha de abastecimento foi interrompida.

Kiev não reconhece oficialmente que as explosões resultam de ações suas, embora, sob anonimato, um funcionário governamental citado pelo New York Times disse que o ocorrido na terça-feira foi realizado por um grupo de operações especiais. Já o conselheiro presidencial Mykhailo Podolyak tentou o humor: "A Crimeia do país normal é o Mar Negro, as montanhas, a recreação e o turismo, mas a Crimeia ocupada pelos russos é a de explosões de depósitos e de alto risco de morte para invasores e ladrões. Desmilitarização em curso."

Perante estas notícias, comentadores russos pediram uma resposta militar à altura e a força aérea ucraniana já avisou que no dia da independência, 24, é de esperar um significativo ataque russo. Para já, porém, os militares russos parecem aturdidos, com os navios da frota do Mar Negro numa "postura extremamente defensiva", o que permite à Ucrânia "desviar recursos para pressionar as forças terrestres russas noutros locais", segundo um relatório do Ministério da Defesa britânico.

cesar.avo@dn.pt

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