Só a esquerda se solidarizou com Marega. Direita ficou em silêncio

O debate não tinha um tema pré marcado. Assim, centrou-se sobretudo na atualidade e Marega foi objeto de manifestações de solidariedade. Mas só à esquerda. À direita do PS, silêncio geral.

Primeiro foi o PS, pela voz da líder parlamentar, Ana Catarina Mendes. E depois os restantes partidos à esquerda, um por um. Todos se manifestaram solidariedade com o jogador portista Marega, que no domingo se recusou continuar em campo num jogo com o Vitória de Guimarães por causa dos insultos racistas de que estava a ser alvo pelos adeptos vimaranenses e que já motivaram a abertura de um inquérito pelo Ministério Público, bem como um processo disciplinar na Federação.

Neste ponto, o primeiro-ministro manifestou-se contra novas mudanças na lei - dizendo que o que falta é cumprir as que já existem - e atacou duramente os dirigentes desportivos pelos "discursos de ódio" que alimentam. Aconselhou mesmo os dirigentes do futebol a seguirem o tom que cada vez mais tem vindo a ser adotado, para arrefecer as rivalidades clubísticas, pelos treinadores de futebol.

"Portugal não é um país racista mas há quem promova o racismo."

Para a história do debate ficou também um pensamento de Jerónimo de Sousa que muitos ativistas anti racistas contestam: "Portugal não é um país racista mas há quem promova o racismo."

À direita do PS, com a exceção dos deputados do PSD Cristóvão Norte e Duarte Marques, ninguém aplaudiu as intervenções anti racistas que se fizeram ouvir por parte das bancadas do PS, BE, PCP, PEV e PAN. André Ventura, do Chega, que nas redes sociais, bramou contra a "hipocrisia" do clamor anti racista que o caso suscitou, também não tocou no assunto.

"Achei estranho, depois de ter andado dois dias a dizer que eu seria hipócrita que agora, cara a cara, não tenha dito nada sobre esta matéria."

António Costa salientou-lhe precisamente isso, o facto de, estando agora os dois de "olhos nos olhos", Ventura não falar de hipocrisia. "Achei estranho, depois de ter andado dois dias a dizer que eu seria hipócrita que agora, cara a cara, não tenha dito nada sobre esta matéria", disse-lhe Costa. "Ficámos entendidos sobre a sua frontalidade."

O líder do Chega preferiu criticar António Costa por este ter divulgado as suas respostas ao juiz Carlos Alexandre no questionário por escrito que este lhe fez sobre o caso de Tancos. O chefe do Governo respondeu que no seu entender o segredo de justiça acaba quando acaba o inquérito - e agora o processo já está em instrução. Também falou sobre uma suposta dívida de 700 mil euros da GNR na conta da luz - e Costa garantiu na resposta que aquela força nunca deixará de "iluminar" a vida dos portugueses.

O debate começou com Rui Rio a voltar à carga com um tema do OE2020: a decisão da oposição de acabar com o financiamento à construção da chamada "rede circular" do Metro de Lisboa. O líder do PSD acusou o ministro do Ambiente de ter mentido quando disse que a decisão obrigaria o Governo a gastar dinheiro em indemnizações por causa das expropriações que teriam de ser revogadas com a suspensão da obra.

O chefe do Governo, pelo seu lado, continua a dizer que os fundos europeus que estavam alocados à obra não poderão agora ser transferidos para outra obra. E assegurou que as obras da linha circular vão prosseguir, insistindo na ideia de que a determinação do Parlamento, obtida só com os votos contra do PS, é inconstitucional (os deputados socialistas já prometeram que vão requerer a atuação do TC).

De resto, à esquerda - BE e PCP - o tema principal foi a decisão governamental de renovar o contrato para a gestão do hospital de Cascais em modo PPP (parceria público-privada). Tanto Catarina Martins como Jerónimo de Sousa salientaram que a decisão vai contra o espírito da nova Lei de Bases da Saúde aprovada na legislatura passada.

António Costa respondeu que esta decisão está conforme o programa do Governo. E sublinhou mais uma vez o peso mínimo das PPP - que só são duas, Cascais e Loures - no peso global do SNS e dos seus 114 estabelecimentos de saúde.

Pelo lado do CDS, Cecília Meireles - que esta terça-feira se despediu do cargo de líder parlamentar do seu partido, sendo substituída por Telmo Correia - centrou as suas atenções na questão da rede nacional de cuidados paliativos - forma de antecipar o debate da eutanásia, marcado para quinta-feira. Costa respondeu que a rede está em alargamento e que o plano estratégico definido pelo Governo está a ser cumprido.

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