Premium Carlos Carreiras: "É preciso injetar dinheiro. A UE já devia estar a emitir moeda"

O presidente da Câmara de Cascais explica que irá testar toda a população do concelho porque quer ganhar a confiança dos cidadãos. E de criticas ao governo e autoridades de saúde, só a que deveriam disponibilizar todos os dados aos municípios sobre a pandemia. Esta a primeira de três entrevistas que o DN fez a autarcas da Área Metropolitana de Lisboa. Seguem-se no domingo as de Basílio Horta, de Sintra, e na segunda de Bernardino Soares, de Loures.

A pandemia é o pior momento que enfrentou enquanto autarca?
Não tenho essa perspetiva dos momentos complicados ou difíceis porque quem tem responsabilidades de liderança não é por aí que tem de abordar os problemas. É de facto um momento único, nunca vivemos uma situação destas, neste caso nem a academia nem a comunidade científica, nem do ponto de vista da gestão e da economia, se confrontaram com experiências desta natureza. O que torna a incerteza muito presente e o risco é o aumento da incerteza. É sobretudo uma situação de grande risco e que põe à prova as próprias lideranças.

Foi dos autarcas que agiu mais rápido na encomenda de equipamentos e até ajudou outras câmaras da Área Metropolitana de Lisboa.
Logo no início tive uma preocupação que foi perceber que tínhamos muitos fatores nesta pandemia idênticos à situação de estarmos numa guerra e ainda para mais a combater um inimigo invisível. Tive a preocupação de me aconselhar junto de generais, dos militares, que têm toda uma formação para situações de crise; juntei também a academia para me aconselhar nas áreas médica, económica e social. Tenho tido aconselhamento de especialistas nestas três áreas. A partir daí foi definida por nós uma estratégia e foram definidos um conjunto de políticas que temos vindo a implementar no terreno. Uma das que se percebeu claramente que era necessário tentar estar sempre um passo à frente do problema, ou seja, encontrarmos soluções para problemas que se poderiam vir a colocar no futuro mais curto ou mais longo. Isso levou-os a estar despertos mais cedo e perceber que ninguém vai para uma guerra sem armas e as armas precisam de munições. Isto com a pressão de toda a gente a pedir apoio à Câmara, quer de entidades dependentes da câmara quer das dependentes do Estado central. Os policiais não tinham proteção, o pessoal que estava nos centros de saúde também não, tribunais, tudo estava a pedir além da proteção civil, dos bombeiros. A pressão era muito grande e fomos dos primeiros a apoiar essa linha da frente porque tivemos também a perceção clara que se não os protegêssemos a eles estávamos a desproteger a própria população. Daí termos feito encomendas na altura, que também seguiu uma tática em que primeiro era atender ao preço, já que nos começam a chover propostas de várias empresas a querer fornecer o material, depois a idoneidade da empresa, o conhecimento dos mercados onde se estava a comprar, principalmente da China, e questão logística, porque podia estar a comprar ao melhor preço mas a encomenda nunca mais cá chegar. Antecipamo-nos ao problema, mas ainda assim tarde. No tarde fomos os mais cedo.

Ler mais

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG