Cristiano Ronaldo já chegou a Itália, em avião-ambulância

Capitão da seleção nacional tem covid-19, está assintomático e é ausência de peso para o jogo com a Suécia, na quarta-feira, no Estádio José Alvalade.

Cristiano Ronaldo já chegou a Itália, para onde viajou esta quarta-feira, em avião-ambulância. O capitão da seleção nacional, que está está infetado com covid-19, viajou para Turim depois de assinar um termo de responsabilidade, como esclareceu esta quarta-feira a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, em conferência de imprensa.

"Cristiano Ronaldo regressou a Itália num voo médico autorizado pelas autoridades sanitárias competentes, a pedido do jogador, e continuará o seu isolamento em casa", indicou a Juventus, clube do jogador, em comunicado na sua página oficial.

O futebolista tinha deixado Portugal hoje às 13:30, a bordo de um avião-ambulância privado, que partiu do aeródromo de Tires. O plantel do campeão italiano voltou entretanto a entrar em isolamento, depois de também o jogador Weston McKennie ter testado positivo.

O capitão da seleção portuguesa estava desde terça-feira em isolamento na Cidade do Futebol, em Oeiras, depois de ter testado positivo ao novo coronavírus.

A notícia abalou a seleção nacional na noite de segunda-feira e colocou o mundo em sobressalto na terça-feira de manhã, quando a Federação Portuguesa de Futebol o tornou público. E agora? Depois de um positivo e um inconclusivo o jogador da Juventus pediu para fazer um teste num laboratório diferente, que também deu inconclusivo, segundo soube o DN. Perante esse resultado, o jogador decidiu viajar para Itália esta quarta-feira. Depois de ser transportado por uma ambulância do INEM da Cidade do Futebol, onde estava isolado, para o aeroporto de Tires, CR7 embarcou para Turim num avião-ambulância como manda o protocolo sanitário. Os infetados não podem viajar em voos regulares, sendo obrigados a viajar em aparelhos específicos.

Ronaldo é o terceiro caso positivo na seleção nacional no espaço de 15 dias e um dos 1208 casos em Portugal, nas últimas 24 horas. Antes do jogo com a Espanha (0-0), José Fonte foi dispensado da seleção nacional depois de testar positivo. Dias depois foi Anthony Lopes a deixar os trabalhos da equipa nacional, pelo mesmo motivo, falhando o jogo com a França. (0-0). Agora, na véspera do jogo com a Suécia, para a Liga das Nações, foi CR7 a testar positivo como um comum mortal. Logo ele que tem pé quente com os suecos: sete golos em quatro jogos.

Os jogadores da seleção nacional fizeram testes covid-19, a 48 horas do jogo com a Suécia (nesta noite, no Estádio José Alvalade, às 19.45), como mandam as regras da UEFA e as normas da Direção-Geral da Saúde. Um desses testes deu positivo. O de Cristiano Ronaldo. Assim que o laboratório concluiu a análise deu conhecimento ao delegado de saúde regional e à Federação Portuguesa de Futebol, que informou o jogador da Juventus. Ronaldo soube assim na noite de segunda-feira que estava infetado e foi de imediato isolado num quarto, na Casa dos Atletas, na Cidade do Futebol, e submetido a nova análise, na terça-feira de manhã, para tirar dúvidas, uma vez que não tinha qualquer sintoma. Esse teste deu inconclusivo e por isso foi preciso fazer um terceiro num laboratório diferente (ainda aguarda o resultado). O jogador permaneceu no quarto e até viu o treino desde a varanda. Sorridente e de polegar levantado, o capitão deu alento às tropas.

CR7 fez seis testes nos últimos sete dias (tal como os outros jogadores selecionados) até um deles (feito na segunda-feira) dar positivo. O jogo de Portugal com a Suécia nunca esteve em risco. Apesar dos três casos positivos (José Fonte, Anthony Lopes e Cristiano Ronaldo), as autoridades de saúde não sinalizaram esses casos como um surto nem colocaram o grupo de quarentena, por isso o adiamento da partida da Liga das Nações não se justificava. Assim como o jogo com a Espanha (apesar de particular) não foi colocado em causa depois de José Fonte testar positivo, nem o encontro com a França, depois de Anthony Lopes ter sido infetado.

Estratificação de risco atrasou treino e conferência

Além disso todos os outros jogadores e elementos do staff testaram negativo a 24 horas do jogo com os suecos, o que permitiu que fossem treinar na terça-feira à tarde. O treino foi adiado (das 10.00 para as 17.00), bem como a conferência de imprensa de Fernando Santos (das 12.00 par as 19.00), não por causa do capitão, mas para cumprir o protocolo sanitário, uma vez que foi necessário dar tempo para o delegado de saúde regional de Oeiras fazer a estratificação de risco. Ou seja, definir se algum jogador ou elemento do staff eram colocados em isolamento profilático por contacto direto e continuado com o extremo. Algo que não aconteceu até à noite de terça-feira.

Segundo o protocolo sanitário elaborado entre a DGS e a federação, "o caso positivo deve ser isolado, ficando impossibilitado de participar nos treinos e nas competições até à determinação de cura, nos termos do aplicável da Norma 004/2020 (sintomático) ou da Norma 010/2020 (assintomático) da DGS". Ronaldo, como qualquer outro, depende da recuperação da doença para voltar a jogar. E em Itália já se fazem contas aos jogos que pode falhar pela Juventus, um deles o encontro com o Barcelona para a Liga dos Campeões. Além do reencontro com Messi, o extremo poderá falhar os jogos com o Crotone e o Verona para o Calcio e o Dínamo de Kiev para a Champions.

A UEFA confirmou entretanto, esta quarta-feira, que Cristiano Ronaldo deverá apresentar um teste negativo até uma semana antes do jogo com o Barcelona, ou seja, até dia 21 de outubro.

Assim que se soube que CR7 estava infetado, o mundo correu para as redes sociais do jogador à procura de uma reação na primeira pessoa e encontrou uma fotografia, que em outros tempos seria normalíssima e reveladora do bom ambiente da seleção, mas que em tempos de pandemia é questionáveil. O capitão mostrou a boa disposição do grupo de trabalho à mesa, no Instagram, com a seguinte mensagem: "Unidos dentro e fora de campo." Um jantar com mais de 20 pessoas sem distanciamento adequado. Isto numa altura em que a diretora-geral da Saúde tem insistido que os jantares de família foram potenciadores de contágios consideráveis. Mesmo estando o grupo isolado há quase 15 dias, era de esperar mais distanciamento físico, até porque a maior parte dos selecionáveis vem de países que passam por uma segunda vaga (Inglaterra, França, Espanha e Itália) e alguns com casos de coronavírus nos clubes (Juventus, Lyon e Lille).

O capitão da seleção nacional e mais seis jogadores da Juventus foram aliás notícia na semana passada por terem quebrado o isolamento da Juventus para se juntarem às respetivas seleções. A equipa de Turim estava em isolamento depois de detetados dois casos positivos de covid-19 no grupo bianconeri. Os atletas só podiam sair do hotel para treinar e jogar, além de estarem proibidos de contactos com pessoas exteriores ao grupo até receberem o resultado do segundo teste covid-19. Algo que, segundo a imprensa italiana, os jogadores fizeram, enfrentando agora um processo por desrespeito das normas anticovid-19 do país transalpino.

Fernando Santos: "Ronaldo está bem e diz que só quer jogar"

"Cristiano Ronaldo está bem. Entrou em isolamento ontem [segunda-feira] à noite. De manhã voltou-se a testar. Cristiano está no quarto, diz que quer jogar, comunica connosco lá de cima. Está bem, completamente assintomático, nem percebe muito bem o que lhe aconteceu", revelou Fernando Santos, na conferência de imprensa de antevisão do jogo de Portugal com a Suécia, na quarta-feira, no Estádio José Alvalade (19.45).

O selecionador defendeu ainda que não foi na seleção que se deu o contágio: "Desde segunda-feira que estamos aqui completamente confinados. O staff e os jogadores entraram e não entrou mais ninguém. Não há ninguém de fora a entrar. No primeiro estágio não tivemos problemas, mas aqui aconteceu e não foi pelo não cumprimento das regras. Não foi aqui que o vírus atacou. Fizemos sete testes, todos os dias fomos testados, por isso obviamente isso é que nos deixa o sabor de que tudo fizemos e aconteceu. Tudo o que são as regras da DGS temos cumprido à risca."

A ausência do capitão devido à covid-19 foi um rude golpe. "Já disse antes, nenhuma equipa do mundo fica melhor sem o melhor do mundo. Mas esta equipa já demonstrou que tem capacidade para responder coletivamente e eu tenho plena confiança nos jogadores. Se o gostava de ter, sim, mas tenho absoluta confiança nos que jogarem", respondeu o técnico campeão da Europa em 2016, que já é o selecionador com mais jogos à frente da seleção (76).

Sem poder contar com o jogador da Juventus frente à Suécia (quarta-feira, às 19.45, no Estádio José Alvalade), em que equipa vai apostar? "O plano é o mesmo. É claro que as dinâmicas são diferentes. O Cristiano tem características próprias e os próprios comentadores dizem isso. Tendo Cristiano, que é um jogador mais móvel, obviamente que nesses detalhes é diferente. Mas a equipa já jogou sem ele e esteve bem, mas isso tem que ver com o ADN que a equipa tem agora", explicou Fernando Santos sem revelar se entrará em campo com Trincão, João Félix e André Silva.

*artigo atualizado esta quarta-feira às 16.59

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