Portugal tem 27 milhões de cartões bancários, mas reciclagem destes plásticos é fraca
Os cartões bancários expirados, feitos maioritariamente de plástico, podem ser transformados em bancos e cadeiras, caixotes de lixo ou passadiços de praia, mas apenas uma pequena percentagem dos 27 milhões que circulam no país é reciclada.
Cartões com componentes eletrónicos, sejam bancários ou não, devem ser reciclados (não podem ser colocados nos ecopontos amarelos), até porque são muitas dezenas de milhões de cartões desde referentes a lojas, gasolineiras, de refeição ou de serviços, por exemplo, disse à agência Lusa Filipa Castela, diretora de marketing da Contisystems, empresa que promove a iniciativa Merece.
A Merece foi criada há três anos e tem como objetivo a reciclagem de cartões com componentes eletrónicos, os cartões de plástico dos bancos, recolhendo-os e encaminhando-os para uma empresa, a Extruplás, que os transforma em mobiliário urbano.
No primeiro ano, foram recolhidos 700 quilos de resíduos de cartões fora de prazo e no ano seguinte 1.700 quilos. Em 2023, segundo a mesma responsável, a reciclagem chegou a 4,7 toneladas, estando os valores deste ano em quase quatro toneladas.
Para a empresa, é pouco, tendo em conta o volume de cartões existente, mas a iniciativa Merece está a procurar mais parceiros e também diz que têm plantado milhares de árvores.
Além disso, inaugurou recentemente uma loja online, para chegar ao consumidor final com produtos feitos a partir da tal reciclagem de resíduos, como garrafas, sacos, esculturas feitas de chinelos de praia, meias feitas parcialmente de algas marinhas, etc.
"A loja é uma montra, uma forma de dar visibilidade a projetos que partilham os nossos valores, iniciativas interessantes de sustentabilidade, de uso de materiais reciclados, de reutilização de resíduos", explicou Filipa Castela.
E outro pilar da Merece são as árvores. Filipa Castela diz que desde o início do projeto há mais de 15.000 árvores envolvidas, mas nem todas estão ainda plantadas.
A ideia aqui, diz a Contisystems, é compensar as emissões de dióxido de carbono geradas pela produção de cartões (cada um pesa aproximadamente seis gramas). Por cada quilo de cartões recolhidos a Merece planta uma árvore, com garantia de a manter por cinco anos.
"Na próxima semana vamos plantar mais 600", disse, explicando que o tipo de árvore e o local são decisões que têm a colaboração da organização ambientalista Quercus.
Filipa Castela está satisfeita com o programa mas reconheceu que é baixa a reciclagem dos cartões, mesmo só tendo em conta o universo bancário. "Tentamos que os nossos membros comuniquem aos clientes o que devem fazer com o cartão antigo", disse, adiantando que se o cartão for colocado numa caixa multibanco automaticamente fica retido.
"É a forma mais prática, eficaz e segura", afirmou, explicando que, se o banco for membro do projeto Merece, o cartão irá fazer parte de um qualquer banco de jardim ou de um parque infantil. Caso contrário será também inutilizado embora o destino final possa ser outro.
O projeto Merece - Movimento Empresarial para a Reciclagem de Cartões com Componentes Eletrónicos, é uma criação da Contisystems, uma empresa nacional sediada em São Domingos de Rana, Cascais, com mais de meio século, que começou por ser uma gráfica, e que hoje, outras atividades, faz a personalização de cartões bancários, um serviço qye vende há mais de 25 anos.
A Merece pretende envolver o maior número possível de entidades do setor, incentivando empresas e indivíduos a contribuir para o tratamento dos resíduos de cartões com componentes eletrónicos.

