Mesmo que as contas públicas venham a derrapar para uma situação de "pequenos défices", sobretudo na sequência do aumento de despesa corrente e de investimentos públicos que vão ocorrer no âmbito do PTRR (o plano Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência), o país e o governo vão poder continuar a dizer que "as finanças públicas estão equilibradas", afirmou o primeiro-ministro, Luís Montenegro.No debate quinzenal que decorre esta quinta-feira, no Parlamento, em Lisboa, e em resposta ao deputado do CDS, Paulo Núncio (sobre se o governo tem margem ou não para responder à crise provocada pelas tempestades), Montenegro respondeu de forma clara: há margem e mesmo que o saldo orçamental passe do atual excedente para défice, não haverá grandes problemas."O senhor deputado coloca uma questão que é de facto muito pertinente. Nós, pelo desempenho económico e orçamental que tivemos, quer em 2024 e 2025, também criámos resiliência económica e financeira para hoje podermos dizer às pessoas que estamos em condições de ter apoios extraordinários, de ter um volume de investimento que não estava inicialmente previsto e ao mesmo tempo pugnar por finanças públicas equilibradas", disse o chefe do governo.E acrescentou: "Estou convencido que nós podemos ter este plano [PTRR] e compaginar isto com finanças públicas equilibradas e que, se algum dia, isso significar pequenos défices, serão ainda assim, finanças públicas equilibradas à luz daquilo que são as nossas responsabilidades relativamente à Europa e aos nossos parceiros", afirmou Montenegro.O PRTT é aprovado esta sexta-feira em Conselho de Ministros.O país terá terminado o ano de 2025 com um excedente orçamental ligeiramente acima de 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB), deu a entender o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, em janeiro.Para este ano, a meta do Orçamento do Estado era chegar a um excedente de 0,1% do PIB.O prejuízo total preliminar que as tempestades provocaram no país foi avaliado há poucas semanas em quatro mil milhões de euros pelo ministro da Economia, Manuel Castro Almeida..PM reforça plano de salvação até 3,5 mil milhões de euros e anuncia reforma do INEM e da Proteção Civil.Montenegro afasta necessidade de Orçamento Retificativo que o PS se oferece para aprovar no debate quinzenal