A Xfin, intermediária de crédito portuguesa, apoiou a contratualização de 12.900 empréstimos para compra de habitação no ano passado, um crescimento de 43% face ao registado em 2024. Este aumento de atividade deveu-se, em grande medida, aos jovens até aos 35 anos, que fecharam 4900 créditos para aquisição de casa com intermediação da empresa. Contudo, muitos destes jovens entraram "no mercado com margens financeiras reduzidas e elevada sensibilidade a qualquer alteração nas condições económicas", realça Bernardino Machado, CEO da Xfin.Como afirma, o peso dos jovens no crédito à habitação intermediado pela Xfin tem vindo a crescer, impulsionado por apoios públicos e por uma perceção de maior estabilidade nas taxas. Mas o esforço financeiro é grande. "É importante não confundir acesso com segurança", sublinha. E frisa: "o aumento da procura não significa que o mercado esteja mais acessível, significa apenas que mais pessoas estão a conseguir entrar, muitas vezes com menor margem de segurança". No ano passado, a taxa de esforço média nos contratos intermediados pela Xfin situou-se em 30%, sendo de 36% no caso dos jovens até aos 35 anos.Este indicador permite concluir que "os jovens tendem a entrar com taxas de esforço mais elevadas e menor margem de segurança", diz Bernadino Machado. Um contexto financeiro que "torna este segmento particularmente vulnerável a qualquer subida das prestações ou a alterações no rendimento disponível". No ano passado, o valor médio intermediado pela Xfin foi de cerca de 200 mil euros. No caso dos jovens até aos 35 anos, rondou os 195 mil euros.Os mutuários com contratos de crédito para compra de casa revistos neste mês de abril já tiveram uma surpresa desagradável. As taxas de juro aumentaram nos vários prazos, fruto da instabilidade gerada pela guerra no Médio Oriente, com impacto no orçamento familiar. Nas contas de Bernardino Machado, "num crédito de 200 mil euros a 30 anos, uma subida de meio ponto percentual pode representar um aumento de várias dezenas de euros mensais, enquanto uma subida de um ponto percentual pode ultrapassar os 100 euros por mês, dependendo das condições do contrato".Apesar de um eventual aperto no orçamento familiar de muitas famílias devido à subida dos juros, Bernardino Machado considera que "não estamos perante um cenário generalizado de incumprimento", mas a pressão está a aumentar e "isso pode traduzir-se em dificuldades para uma parte dos mutuários". A subida das taxas de juro condiciona também as escolhas das famílias. Quem conseguia comprar uma casa de 300 mil euros passa a olhar para as que custam 265 mil, ou até menos. Num mercado pressionado pela escassez de oferta e elevada procura, os preços das casas não ajustam ao mesmo ritmo, reconhece o responsável, dificultando ainda mais o acesso a habitação. Ainda assim, não antecipa quebra na venda de casas. "Existe falta de stock e por isso o mercado não se retrai", mas há "necessidade de ajustar expectativas, seja no valor do imóvel, seja no timing da compra", considera.Segundo Bernardino Machado, 70% dos mutuários optou pela taxa mista (combina taxa fixa num período inicial do empréstimo e taxa variável no remanescente) em 2025, sendo que taxa fixa continuou a ser residual. Na sua opinião, esta opção "reflete bem o momento atual: os clientes querem avançar, mas procuram proteção inicial". Há confiança para comprar, mas "não para assumir totalmente o risco de uma taxa variável num contexto ainda incerto". A taxa fixa "continua a ser percecionada como mais cara no momento da contratação", diz.Para o responsável, as famílias cometem muitas das vezes o erro de olhar apenas para o valor da prestação no momento do contrato e não para o risco futuro. Muitas "entram no crédito com pouca margem, sem considerar cenários adversos, e sem perceber totalmente o impacto de uma subida das taxas", alerta. No crédito à habitação, que pressupõe muitas vezes o maior investimento da vida dessas pessoas, "o mais importante não é conseguir entrar, é conseguir manter o compromisso ao longo do tempo".O CEO da Xfin defende a simulação de cenários com taxas mais altas, para que as famílias percebam qual o esforço máximo que conseguem suportar e possam considerar soluções com maior previsibilidade, como a fixação parcial da taxa, pelo menos nos primeiros anos do empréstimo. .Negócio das casas de luxo esbarra na falta de oferta.Bosch acelera condução autónoma com investimento de 30 milhões na produção de radares em Braga