Gasóleo acabou em vários postos de combustível em Portugal na sequência da corrida às bombas pelos automobilistas. Lisboa, 8 de março de 2026.
Gasóleo acabou em vários postos de combustível em Portugal na sequência da corrida às bombas pelos automobilistas. Lisboa, 8 de março de 2026.Foto: Reinaldo Rodrigues

Inflação portuguesa sobe para 3,3%, o valor mais alto dos últimos dois anos

No início deste ano, antes da nova guerra, agravamento do custo de vida em Portugal estava relativamente controlado: em janeiro, a subida homóloga dos preços foi de apenas 1,9%. Dados do INE.
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A inflação homóloga no consumidor está a subir rapidamente com os efeitos da nova guerra no Médio Oriente e, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), atingiu 3,3% em abril deste ano, o valor mais elevado em dois anos.

No início deste ano, antes da guerra que começou com o ataque dos EUA e de Israel ao Irão no final de fevereiro, a evolução dos preços em Portugal estava relativamente controlada e baixa: em janeiro, os consumidores terão sentido uma subida de preços na ordem de 1,9% face a igual mês do ano passado.

Desde então que a subida não cessa, confirma o novo destaque do INE, divulgado esta quarta-feira: em fevereiro, o ritmo de aumento dos preços no consumidor aumentou para 2,1% e em março, mês que já foi todo marcado pela agressão ao Irão e à retaliação deste aos países vizinhos do Golfo Pérsico, a inflação portuguesa saltou para 2,7%, segundo o instituto.

Recorde-se que há um ano, em abril de 2025, a inflação homóloga foi de 2,1%. E é preciso recuar a maio de 2024 para encontrar um aumento de preços mais forte do que este agora revelado pelo INE: nessa altura, há 24 meses, a inflação chegou a 3,8% (maio de 2024).

Combustíveis disparam quase 12%, alimentação mais de 7%

De acordo com o destaque do INE sobre este tema, "a variação homóloga do Índice de Preços no Consumidor (IPC) foi 3,3% em abril de 2026, taxa superior em 0,6 pontos percentuais (p.p.) à observada no mês anterior".

Tal como em março, "a aceleração do IPC é maioritariamente explicada pelo aumento do preço dos combustíveis".

"A variação do índice relativo aos produtos energéticos aumentou para 11,7% (5,7% no mês anterior) e o índice referente aos produtos alimentares não transformados registou uma variação de 7,4% (6,4% em março)", indica o instituto.

E, mesmo expurgando a componente da energia e da alimentação do cabaz geral do consumidor, o INE conclui que o resto dos bens e serviços da economia também já estão a ser ligeiramente contaminados pelo ambiente geral de agravamento no custo de vida.

Prova disso é que "o indicador de inflação subjacente (índice total excluindo produtos alimentares não transformados e energéticos) registou uma variação de 2,2% (2% em março)".

Álcool, tabaco e transportes lideram agravamento entre março e abril

O IPC é constituído por 13 classes de bens e serviços.

O INE compara o que aconteceu nas variações homólogas registadas em março e abril.

"Por classes de despesa e face ao mês precedente, são de destacar os aumentos das taxas de variação homóloga das bebidas alcoólicas e tabaco (classe 2), dos transportes (classe 7), em consequência do aumento do preço dos combustíveis rodoviários, e dos serviços financeiros e de seguros (classe 12), com variações de 5%, 4,8% e 2,6% respetivamente [em abril]".

No mês de março, foram registadas subidas assinaláveis face aos níveis de inflação homóloga de fevereiro, mas, apesar da guerra em curso, esses valores foram visivelmente inferiores aos registados agora em abril: o INE diz que os preços do grupo álcool e tabaco subiram 2,9%, nos transportes o agravamento foi 3,8% e nos serviços financeiros e seguros o aumento foi de apenas 1,6%.

Entre março e abril, mas "em sentido oposto, assinala-se a diminuição da taxa de variação homóloga da classe lazer, recreação, desporto e cultura (classe 9), com uma variação de -0,6% (0,4% no mês anterior)", calcula o INE.

Inflação portuguesa supera média europeia

Comparando com a Zona Euro e os restantes países da união monetária, Portugal está pior do que a média porque a inflação harmonizada (que permite a comparação com os pares europeus) subiu para 3,3% em abril, estando agora três décimas acima do nível médio do euro que o Eurostat estimou em 3% (a 30 de abril passado).

"De acordo com a informação disponível relativamente a abril de 2026, e tendo como referência a estimativa do Eurostat, a taxa de variação homóloga do IHPC português foi superior em 0,3 p.p. à da área do Euro (em março, esta diferença foi de 0,1 p.p.)", confirma o INE.

Segundo o Eurostat, os países do euro que mais estão a sofrer com a subida de preços (em abril) são Bulgária (aumento de preços de 6,2%), Croácia (5,4%) e Luxemburgo (5,2%).

As economias que, por enquanto, estão a ser mais poupadas ao embate da pressão inflacionista são Finlândia (2,3%) e Malta (2,4%). Dados do Eurostat também.

(Atualizado às 12h40)

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