Gasóleo acabou em vários postos de combustível em Portugal na sequência da corrida às bombas pelos automobilistas. Lisboa, 8 de março de 2026.
Gasóleo acabou em vários postos de combustível em Portugal na sequência da corrida às bombas pelos automobilistas. Lisboa, 8 de março de 2026.Foto: Reinaldo Rodrigues

Défice comercial português sobe 34% para 8,7 mil milhões de euros com mau tempo e guerra

No 1.º trimestre, fatura energética da economia, ou seja, o valor em combustíveis que precisou de comprar ao exterior, foi de 1,3 mil milhões de euros, mostram contas do DN a partir de dados do INE.
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A economia portuguesa registou um défice comercial de 8,7 mil milhões de euros no primeiro trimestre deste ano, mais 34% do que em igual período de 2025, indica o Instituto Nacional de Estatística (INE), esta sexta-feira.

Trata-se de um dos piores arranques de ano que, no caso de 2026, foram três meses marcados pelas graves tempestades do inverno (janeiro e fevereiro) e a nova guerra no Médio Oriente (desde o início de março), eventos que fizeram subir a fatura com importações e quebraram o valor das exportações de forma significativa (quase 7%), com a notória exceção das vendas de refinados ao exterior.

No 1.º trimestre, a fatura energética da economia, ou seja, o valor em combustíveis que o país precisou de comprar ao exterior para continuar a funcional, foi de 1,3 mil milhões de euros, segundo cálculos do DN a partir dos dados do INE.

Esta é uma das medidas possíveis do impacto que a dependência energética de Portugal tem nas contas externas da economia, uma vulnerabilidade que, no caso atual, abre a porta a grandes agravamentos de preços (mais inflação) e à corrosão do poder de compra das famílias e da faturação das empresas intensivas no consumo de energia, complicando a atividade económica e aumentando o risco de estagnação ou, no pior dos casos, recessão.

E o Banco Central Europeu (BCE) ainda nem começou a subir as taxas de juro (deve subir agora em junho de 2026), o que destruirá ainda mais o poder de compra das famílias e empresas mais endividadas.

Ou seja, entre janeiro e março deste ano, a economia portuguesa teve de importar mais 1,3 mil milhões de euros em combustíveis para suprir as suas necessidades, já que muitas centenas de milhões de euros em produtos refinados são produzidos no país, mas não ficam para serem usados, são exportados.

Exportações caem quase 7%

A economia portuguesa é, como sempre foi, deficitária no comércio internacional de mercadorias, uma situação que depois é equilibrada juntando a balança de serviços, onde figura o turismo.

Segundo o INE, nas mercadorias, as exportações afundaram 6,5% no primeiro trimestre face a igual período do ano passado.

Ou seja, as empresas exportadoras sediadas em Portugal faturaram menos 1,4 mil milhões de euros nestes primeiros três meses face ao período homólogo. O total exportado entre janeiro e março caiu assim para 19,7 mil milhões de euros.

Nas importações, o caminho foi inverso, claro, daí o agravamento tão elevado (34%) no défice comercial.

Portugal gastou com compras ao exterior mais 750 milhões de euros no primeiro trimestre, mais 3% do que no trimestre homólogo. Total da despesa com importações subiu para 28,1 mil milhões de euros até ao final de março.

Como referido, expurgando o comércio de combustíveis, o saldo comercial seria mais baixo na ordem dos 7,1 mil milhões de euros (em vez de 8,4 mil milhões de euros), menos 1,3 mil milhões de euros.

O que aconteceu no mês de março

O INE analisa com algum detalhe as trocas comerciais do mês de março, todo ele duramente marcado pelo novo conflito com o Irão, que entretanto alastrou ao Médio Oriente e ao Golfo Pérsico, levando a um novo choque petrolífero. O conflito não terminou, as negociações entre EUA e Irão têm sido caóticas e até agora só existem fracassos. A volatilidade dos custos das matérias primas é total.

"Em março de 2026, as exportações e as importações de bens registaram variações homólogas nominais de, respetivamente, 10,6% e 11,6%", refere o instituto.

Em março de 2026, "destacaram-se os acréscimos das exportações de Máquinas e outros bens de capital (+17,4%), principalmente para a Alemanha, de Material de transporte (+12,7%), em especial de Automóveis de passageiros com destino à Turquia, e de Bens de consumo (+12,0%), sendo Espanha e França os destinos com maiores aumentos neste caso".

No caso das importações (só em março), o INE destaca que "os maiores acréscimos ocorreram no Material de transporte (+20,2%), sobretudo Automóveis de passageiros provenientes de Espanha, e nas Máquinas e outros bens de capital (+20%), principalmente dos Países Baixos", salientando ainda "o acréscimo das importações de Fornecimentos industriais (+8,5%), em grande medida devido a transações de produtos Químicos e Metais comuns, provenientes de Espanha e Países Baixos".

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