A economia portuguesa registou um défice comercial de 8,7 mil milhões de euros no primeiro trimestre deste ano, mais 34% do que em igual período de 2025, indica o Instituto Nacional de Estatística (INE), esta sexta-feira. Trata-se de um dos piores arranques de ano que, no caso de 2026, foram três meses marcados pelas graves tempestades do inverno (janeiro e fevereiro) e a nova guerra no Médio Oriente (desde o início de março), eventos que fizeram subir a fatura com importações e quebraram o valor das exportações de forma significativa (quase 7%), com a notória exceção das vendas de refinados ao exterior.No 1.º trimestre, a fatura energética da economia, ou seja, o valor em combustíveis que o país precisou de comprar ao exterior para continuar a funcional, foi de 1,3 mil milhões de euros, segundo cálculos do DN a partir dos dados do INE.Esta é uma das medidas possíveis do impacto que a dependência energética de Portugal tem nas contas externas da economia, uma vulnerabilidade que, no caso atual, abre a porta a grandes agravamentos de preços (mais inflação) e à corrosão do poder de compra das famílias e da faturação das empresas intensivas no consumo de energia, complicando a atividade económica e aumentando o risco de estagnação ou, no pior dos casos, recessão.E o Banco Central Europeu (BCE) ainda nem começou a subir as taxas de juro (deve subir agora em junho de 2026), o que destruirá ainda mais o poder de compra das famílias e empresas mais endividadas.Ou seja, entre janeiro e março deste ano, a economia portuguesa teve de importar mais 1,3 mil milhões de euros em combustíveis para suprir as suas necessidades, já que muitas centenas de milhões de euros em produtos refinados são produzidos no país, mas não ficam para serem usados, são exportados.(em atualização)