Apesar do choque económico galopante no mundo e de o crescimento da economia portuguesa ser, este ano, mais fraco do que o esperado há seis meses, Portugal deverá conseguir entregar um "pequeno défice público", como tem dito o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, na ordem dos 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, prevê o Fundo Monetário Internacional, no novo estudo Perspetivas Económicas Mundiais (WEO - World Economic Outlook), divulgado esta terça-feira, em Washington, EUA.A meta do Orcamento do Estado de 2026 (OE 2026), feito em outubro, apontava para um excedente de 0,1% no final deste ano, mas com as tempestades de janeiro e fevereiro e agora este choque económico e da energia, o objetivo revela-se difícil. Do lado do FMI, há seis meses (outlook de outubro) dava equilíbrio, um saldo orçamental de 0% do PIB.Aliás, o país pode continuar a ser chamado de "bom aluno" à luz da avaliação de Bruxelas e do Pacto de Estabilidade pois no meio desta crise, vai conseguir dar seguimento à redução do peso da dívida pública, de cerca de 90% do PIB em 2026 para 85,6% do PIB, uma descida mais ampla até do que projeta o governo (de 89,7% em 2026 para 87,5% este ano).As projeções do FMI para as referidas variáveis orçamentais foram publicadas esta terça-feira nas bases de dados do outlook do FMI e serão confirmadas, esta quarta, no estudo dedicado às Finanças Públicas dos países (Monitor Orçamental).Consumidores mais penalizados em PortugalSegundo o Fundo, a criação de emprego emprego e a taxa de desemprego aguentam-se, mas não o poder de compra dos consumidores portugueses, que aparece como dos que mais vai piorar este ano, ao nível da Zona Euro.De acordo com cálculos do DN, a inflação no consumidor prevista agora para Portugal em 2026 foi revista em forte alta, de 2,1% para 3,1%, significa que os residentes no país vão sentir o terceiro pior agravamento do custo de vida (mais 0,9 pontos, isto medido pela inflação geral e face aos 2,2% de 2025).O pior caso é Chipre (mais 1,8 pontos percentuais, para 2,6% de inflação este ano). Itália e Irlanda sofrem um agravamento inflacionista de um ponto percentual, para 2,6% e 3,1%, respetivamente. França junta-se a Portugal no terceiro lugar, com um aperto inflacionista de nove décimas, para 1,8% este ano.Ao contrário de anos recentes, Portugal surge assim com uma inflação acima do ritmo previsto para a área do euro (2,6%).Esta última, a inflação da Zona Euro, também fica fora dos limites do BCE e, portanto, a previsão do FMI sinaliza que terá de haver subidas de taxas de juro, algo que a presidente do BCE, Christine Lagarde já deixou implícito e que os analistas e mercados estão a contar que aconteça já no final deste mês.A taxa do BCE deve subir dos atuais 2% para 2,25%, devendo haver mais duas ou três subidas até ao final deste ano.O FMI também indica que já conta com vários agravamentos das taxas de juro, definidas em Frankfurt, até ao final deste ano, pelo menos, mostra o WEO."A taxa de juro de referência na zona euro deverá aumentar 50 pontos base [0,5 pontos percentuais] ao longo de 2026", assume o FMI. Isto é, os juros do banco central chegam ao final deste ano nos 2,5%, na melhor das hipóteses, e se a guerra acabar rápido e os fluxos do Golfo forem repostos.Bancos centrais devem aguentar subidas de taxas o máximo que puderemA guerra no Médio Oriente está a aumentar de forma significativa o risco de o mundo resvalar para uma nova crise energética, cujos efeitos diretos e "prolongados" serão muito negativos no crescimento económico, fazendo subir a inflação e pondo em perigo a estabilidade financeira, ou seja colocando, o mundo à beira de uma nova crise financeira (que depois será inevitavelmente económica), avisa o Fundo, no mesmo outlook.Para já, defende o FMI, estamos perante um choque económico provocado por um choque energético, é certo, mas quando mais estes se propagarem e durarem, mais a economia será empurrada para a beira do precipício, por assim dizer.Na última crise inflacionista, que deu azo a subidas muito agressivas nas taxas de juros, na sequência da guerra da Rússia contra a Ucrânia, "os níveis de preços permanentemente mais elevados aumentaram as preocupações com o custo de vida e tornaram as expectativas de inflação mais sensíveis a novos aumentos de preços", observou o economista-chefe do Fundo, Pierre-Olivier Gourinchas.So que agora, continuou, há "as evidências sugerem" que o processo de desinflação vai ser "mais oneroso", isto é, as subidas de taxas de juro que se estão a antecipar vão custar mais a todos: pessoas, empresas e governos.Por isso, o FMI e Gourinchas pedem aos bancos centrais que esperem o máximo possível até terem mesmo de subir taxas de juro..FMI corta crescimento de Portugal para 1,9% e vê inflação galgar para mais de 3% este ano.FMI. Aposta na Defesa pode levar a cortes brutais em Saúde, Educação e apoios sociais.FMI. Mesmo que a guerra acabe, custo de vida, energia e turismo ficam pior e haverá mais fome no mundo