Governo na assinatura da venda da TAP. Lisboa, 3 de novembro de 2026.
Governo na assinatura da venda da TAP. Lisboa, 3 de novembro de 2026.Leonardo Negrão

Emprego vacila no terceiro trimestre e taxa de desemprego aumenta

Desde o final da pandemia (2022), o emprego em Portugal só caiu três vezes em termos trimestrais. Quebra no terceiro trimestre é a quarta em quase cinco anos. Dados do INE.
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A criação de emprego em Portugal continua em termos homólogos, mas está claramente a perder o dinamismo dos últimos anos, mostram as novas estatísticas do Instituto Nacional de Estatística (INE) relativas ao terceiro trimestre. A taxa de desemprego também aumentou entre o segundo e o terceiro trimestre, para 5,5% da população ativa.

O emprego da economia, que ainda é medido com base nas antigas estatísticas da população (que sobrestimavam de forma significativa o número de imigrantes), terá aumentado 1,1% no terceiro trimestre de 2026 face a igual período de 2025, o avanço homólogo mais fraco dos últimos dois anos e meio, segundo contas do DN.

Portanto, é preciso recuar ao segundo trimestre de 2024 para encontrar um registo inferior (1% nessa altura).

Os sinais de enfraquecimento da atividade económica estão, como já a contaminar a dinâmica do emprego em Portugal, este ano. Por exemplo, o INE mostra que entre o segundo e o terceiro trimestre de 2026, o emprego nacional recuou 0,2%, tratando-se esta da segunda contração em cadeia deste ano.

Desde o final da pandemia (2022), o emprego português só caiu três vezes em termos trimestrais. Portanto, esta quebra em cadeia no terceiro trimestre é a quarta em quase cinco anos.

"No 3.º trimestre de 2026, a população empregada foi estimada em 5,391 milhões de pessoas, tendo diminuído 0,2% (menos 8,8 mil) em relação ao trimestre anterior e aumentado 1,1% (mais 58,9 mil) relativamente ao trimestre homólogo", diz o INE.

Recorde-se que, no segundo trimestre, o emprego atingiu um máximo histórico de 5,4 milhões de pessoas. Agora, no período de julho-setembro voltou a cair. Já tinha acontecido algo parecido no início deste ano, mas antes disso é preciso recuar ao começo de 2024 para se encontrar uma contração do emprego (-0,5%). E antes disso, é preciso recuar ao final de 2022 para ver uma destruição de emprego trimestral (-0,2%)

Em todo o caso, o emprego avançou numa base homóloga, a melhor para evitar grandes perturbações comparativas por causa da sazonalidade.

Em termos anuais (homólogos), o INE explica que aquela variação da população empregada "resultou essencialmente" do aumento no emprego entre as mulheres (mais 30,9 mil empregos ou um crescimento de 1,2%); do número de pessoas com idades entre 55 e 64 anos (mais 27,2 mil, um aumento de 2,6%); com ensino superior (106 mil; 5,7%).

Olhando para outros critérios, o avanço de 1,1% no emprego total (com mais 59 mil emprego) também é explicado pelo acréscimo de "empregados no setor dos serviços (66,4 mil; 1,7%), nomeadamente nas atividades financeiras e de seguros, cujo aumento de 17,8 mil pessoas (15,7%) representou 26,8% da variação do emprego no setor".

Ou visto ainda de outra perspetiva, a criação de emprego homóloga veio dos "trabalhadores por conta de outrem (44,1 mil; 1%), com contrato sem termo (76,5 mil; 2%); e a tempo completo (68,2 mil; 1,4%)", segundo o INE.

Desemprego atingiu mínimos e agora subiu

Quanto ao nível de desemprego, os sinais são algo difusos. A taxa de desemprego aumentou entre o segundo e o terceiro trimestre, de 5,3% para 5,5% da população ativa e o número oficial de desempregados (critério do INE e do Eurostat) aumentou bastante face há um ano. Aquela marca de 5,3% é um mínimo histórico, segundo as séries do INE analisadas pelo DN.

Em todo o caso, o peso do desemprego continua abaixo dos níveis de há um ano. No terceiro trimestre de 2025 fixou-se em 5,8%.

Em número de indivíduos, o INE apurou que a população desempregada terá chegado a 316,8 mil pessoas no terceiro trimestre de 2026, ou seja, "aumentou 5,3% (16 mil) em relação ao trimestre anterior e diminuiu 3% (-9,8 mil) relativamente ao trimestre homólogo".

Já nas camadas mais jovens, o instituto sinaliza que há problemas crescentes. "A taxa de desemprego de jovens (16 a 24 anos), que foi estimada em 19,9% [do total da população ativa com nessas idades], aumentou em relação ao trimestre anterior (1,6 p.p. ou pontos percentuais) e ao homólogo (1,1 p.p.)".

(em atualização)