O emprego em Portugal continua a bater recordes sucessivos, mas a situação é bastante mais difícil no grupo etário dos trabalhadores mais jovens, com menos de 25 anos, mostra a publicação das Estatísticas do Emprego relativas ao quarto trimestre de 2025, divulgada esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).Entre os mais jovens há destruição de emprego; já entre os mais velhos (65 a 89 anos), o avanço e o volume do emprego atingem níveis recorde, sendo que este grupo etário está no maior valor que há registo.São agora quase 258 mil pessoas da chamada terceira idade que se encontram em atividade; quase tantos quanto os jovens empregados (cerca de 300 mil).Neste quadro, o INE revela que o emprego total nacional aumentou 3,7% nos últimos três meses do ano passado face a igual período de 2024 (homólogo), o que dá mais 191 mil novos empregos em apenas um ano; a média anual de 2025 também saiu reforçada com uma criação de emprego na ordem dos 3,2%, indica o inquérito trimestral.Assim, tudo considerado, Portugal tem hoje mais de 5,3 milhões de pessoas empregadas, o valor mais elevado destes registos históricos do INE, que remontam a 2011.No entanto, como referido, entre os muito jovens, a situação laboral está longe de ser favorável.Aqui, neste grupo etário dos que têm menos de 25 anos, no quarto trimestre, houve uma destruição de emprego de quase 2% em apenas um ano: havia quase 307 mil jovens a trabalhar na reta final de 2024; hoje são cerca de 301 mil, mostra o instituto.Olhando em detalhe para os dados do INE, percebe-se que podem tratar-se de jovens pouco escolarizados (nono ano ou menos) já que neste grupo a destruição de emprego foi de quase 4%, segundo as contas do DN.O INE mostra também que são, sobretudo, as mulheres muito jovens que estão a pagar esta crise de empregabilidade e compressão do mercado de trabalho mais focalizada: o emprego de jovens mulheres (com menos de 25 anos) afundou mais de 8% em termos homólogos.Entre os rapazes, nem por isso: o número de postos de trabalho até aumentou 4%.Como referido, o grande dinamismo na criação de emprego em Portugal está a acontecer nas idades mais avançadas: o avanço homólogo no número de trabalhadores com mais de 65 anos foi de 11%, com o país a ganhar aqui 26 mil trabalhadores de idades mais avançadas.O universo etário imediatamente abaixo (dos 55 a 64 anos) também se expandiu de forma significativa, tendo contribuído com mais de 47 mil pessoas para o novo recorde do emprego.Juntas, estas duas faixas etárias que vão dos 55 aos 89 anos deram à economia mais de 73 mil empregados, cerca de 40% da criação de emprego total nacional (os tais 191 mil postos de trabalho), superando largamente os 56 mil postos de trabalho que foram ocupados pelos dois segmentos mais novos (menos de 35 anos).Mercado laboral volta a "surpreender"Seja como for, o quadro geral do mercado é bastante positivo, dizem alguns analistas.Além do avanço do emprego, o desemprego estabilizou entre o terceiro e o quarto trimestre e caiu face há um ano; o peso do número de desempregados na população ativa (taxa de desemprego) idem."A população empregada volta a surpreender com um crescimento homólogo expressivo e com um novo máximo histórico", comenta Vânia Duarte, do gabinete de estudos do Banco BPI (BPI Research).Segundo a economista, "o sector terciário é, de longe, o principal driver [dinamizador] do crescimento do emprego"."Os principais contributos positivos para o crescimento homólogo do emprego vieram das atividades de saúde humana e apoio social (+52.600 indivíduos), das atividades de consultoria, científicas, técnicas e similares (+28.300 indivíduos), da Administração Pública, Defesa e Segurança Social (+22.900) e das atividades administrativas e serviços de apoio (+20.500)"."Em sentido negativo, destaca-se a queda no sector da agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca (-14.500 pessoas) e na Indústria Transformadora (-14.100)", observa a analista."O final do ano espelha também a menor precariedade do emprego criado" pois "foi principalmente por via de contratos sem termo".Já a taxa de desemprego "manteve-se inalterada nos 5,8%", o que traduz "uma redução de 0,9 pontos percentuais face ao trimestre homólogo e contraria o comportamento sazonal da taxa no último trimestre de cada ano (tipicamente aumenta)", indica a mesma economista..Duas décadas de investimentos e falências em Portugal: 130 mil novos empregos compensam 60 mil despedimentos