Mudança nas leis travou a entrada de imigrantes no país.
Mudança nas leis travou a entrada de imigrantes no país.Foto: Carlos Carneiro / Global Imagens

Abrandamento da imigração põe em dúvida previsão do Governo para o emprego em 2027

A UTAO aponta que a previsão do crescimento do emprego de 1,4% em 2027 "é difícil de conciliar com o abrandamento recente da imigração líquida".
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A Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) tem dúvidas sobre as previsões do Governo para o crescimento do emprego em 2027, questionando também as estimativas relativas ao comportamento dos preços.

Na análise à proposta do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027), divulgada esta segunda-feira, a UTAO aponta que a previsão do crescimento do emprego de 1,4% em 2027 "é difícil de conciliar com o abrandamento recente da imigração líquida".

O Ministério das Finanças (MF) "assume um crescimento da população em idade ativa de 0,6% em 2026 e em 2027, o que já incorpora algum abrandamento, mas projeta um crescimento da população ativa de 1,3% em 2027, o que exige uma subida da taxa de participação para 70,2% (+0,5 p.p., 69,7% em 2026)", lê-se no documento.

No entanto, os dados mais recentes "apontam em sentido oposto: a população em idade ativa aumentou, em média, 28 mil pessoas por trimestre em 2025 e apenas 10 mil em 2026, o que deverá refletir um menor saldo migratório".

"A previsão do MF é a mais elevada das instituições de referência (entre 0,4% e 1,3%, BdP: 0,7%) e a sua concretização depende de aumentos continuados da participação e da manutenção de saldos migratórios positivos", indica a UTAO, pelo que, se o emprego crescer menos, as bases da receita fiscal e contributiva ficarão abaixo do previsto.

Além disso, a unidade questiona também as previsões para os preços, tendo em conta que a inflação prevista pelo MF para 2027, medida pelo IHPC, é de 2,3%, "situando se no limite inferior das projeções de referência e coincidindo com as da CE e do FMI (Artigo IV, junho de 2026".

"O CFP [Conselho das Finanças Públicas] considera esta previsão pouco coerente com as hipóteses técnicas do próprio cenário: o MF assume para 2027 o preço do petróleo mais elevado entre as instituições consideradas no parecer (86 dólares por barril, face a 79,2 dólares em média) e a menor redução face a 2026 (−7,1%, contra reduções entre −9,8% e −19,7% nas restantes), mas projeta uma inflação igual à mais baixa das projeções pontuais", explica a UTAO.

O organismo deixa também uma ressalva quanto aos preços do petróleo, apontando que para 2027 o preço do Brent assumido "situa-se próximo ou acima das previsões das instituições nacionais (Banco de Portugal e CFP), mas abaixo do que indicam os futuros mais recentes" .

"Esta diferença evidencia os riscos associados à persistência do choque energético", alerta a UTAO, sendo que "se os preços se mantiverem nos níveis atuais, a inflação e a fatura energética ficarão acima do previsto."

Já no que diz respeito ao crescimento da economia, o organismo considera que a estimativa das Finanças para 2026 "é compatível com o crescimento já observado e implica uma desaceleração no 2.º semestre".

"Para se atingirem os 2,3% previstos para 2026, basta um crescimento de 1,0% no 2.º semestre face ao primeiro, ou seja, cerca de 0,3% em cadeia em cada um dos dois últimos trimestres, aproximadamente metade do ritmo médio do 1.º semestre (0,55%), com estagnação da atividade no 2.º semestre, o crescimento anual seria de cerca de 2,1%", conclui a UTAO.

Para 2027, o Governo prevê um crescimento real do PIB de 2,1%, "com o menor contributo da procura interna parcialmente compensado pela melhoria do contributo das exportações líquidas".

"O consumo privado, o consumo público e o investimento deverão crescer a um ritmo mais moderado, sendo o abrandamento mais acentuado no investimento", sinaliza a UTAO.

A proposta de Orçamento prevê um crescimento da economia de 2,3% este ano e de 2,1% em 2027 e contas equilibradas este ano e um excedente de 0,1% em 2027.

A proposta vai ser discutida e votada na generalidade entre 27 e 28 de outubro. A votação final global está marcada para 24 de novembro, após o processo de debate na especialidade.

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