Luís Montenegro (primeiro-ministro), Joaquim Miranda Sarmento (ministro das Finanças) e António Leitão Amaro (ministro da Presidência).
Luís Montenegro (primeiro-ministro), Joaquim Miranda Sarmento (ministro das Finanças) e António Leitão Amaro (ministro da Presidência).Foto: Leonardo Negrão

OE2027. Governo prevê crescimento superior a 2% apoiado em subida explosiva do investimento privado

Cenário macro das Finanças para 2027 é favorável. Economia cresce acima de 2%, emprego cresce o dobro do que diz Banco de Portugal, inflação alivia para 2,3%, exportações avançam mais de 3%.
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Serão os empresários, os investidores privados e os exportadores que vão aguentar boa parte do ritmo de crescimento da economia portuguesa, que, espera o Ministério das Finanças (MF), na proposta de Orçamento do Estado para 2027 (OE 2027), que entregará esta quinta-feira à tarde (8 de outubro) ao Parlamento, pode crescer 2,1% em termos reais no ano que vem (ligeiramente mais do que foi dito nas reuniões com os deputados).

Esta informação e outra consta do cenário macroeconómico que serve de base à proposta de OE 2027, a que o DN teve acesso.

O crescimento de 2026 foi revisto em forte alta (tal como fez o Banco de Portugal), devendo chegar a 2,3%, segundo o novo OE).

Este desempenho, como explicou o banco central na quarta-feira, vai gerar um efeito de "arrastamento" muito positivo na atividade em 2027, subindo o nível da economia e facilitando a tarefa do governo nas contas públicas.

No novo cenário, o governo consegue prever uma subida de 2% no investimento total, apesar do colapso que se antecipa para o investimento público (por causa do final do PRR - Plano de Recuperação e Resiliência).

O forte impulso dos fundos europeus deverá levar a componente pública do investimento a crescer quase 53% este ano, depois corrige, devendo cair mais de 32% no ano que vem.

Mas o investimento total aguenta-se porque o investimento privado cresce mais de 10% em termos reais (descontando a inflação), espera a tutela de Miranda Sarmento.

Em termos nominais, espera o Ministério, os investidores privados devem injetar mais 13% na economia do que em 2026, naquela que é a maior subida deste agregado do PIB da última década.

Com a inflação média a abrandar dos atuais 3% (2,9% em termos harmonizados) em 2026 para apenas 2,3% em 2027, as Finanças esperam que as famílias continuem a consumir, com o consumo privado, agregado que costuma valer dois terço da economia, a avançar 2,1% no ano que vem. Em todo o caso, abranda face aos 3,1% deste ano (também estimativa no novo OE2027).

O consumo público deve aumentar 1,2%, um abrandamento face aos 1,7% deste ano. Reflexo, uma vez mais, do fim de muitos fundos europeus.

As exportações, onde está o poderoso turismo, também se aguentam. Depois de crescerem 3,5% este ano, devem avançar 3,1% em 2027, indica o novo cenário macro, que antecipa uma aceleração da procura externa: expandiu-se 2,7% este ano, em 2027 deve avançar mais 3,2%. Este último valor está em linha com o esperado pelo BdP.

A balança externa da economia pode tornar-se menos deficitária pois as importações totais vão abrandar para metade do ritmo. Crescerão 6% este ano, em 2027, devem aumentar apenas 2,8%, segundo os novos cálculos do MF.

Mais investimento privado mas com juros e petróleo a subir

No entanto, os sinais bastante positivos enviados por este cenário acontecem num contexto global marcado pela guerra, alta incerteza, por um choque petrolífero grave que continua resolver, assim como o conflito no Médio Oriente.

No OE 2027, o governo até prevê um agravamento do custo do barril de petróleo em 2027 maior do que diz o Banco de Portugal, por exemplo; no entanto, as Finanças acreditam que a economia se aguenta e que a inflação alivia para perto de 2%.

O cenário do governo é marcado, também, por um quadro em que as taxas de juro e as condições de financiamento suportadas por famílias e empresas (investidores também) devem ser mais restritivas, com o Banco Central Europeu a subir juros ou a não baixar o custo do dinheiro.

Esta forte restrição é algo que o MF até inclui no cenário que suporta o seu novo OE, mas, pelos vistos, tal constrangimento parece ser neutralizado ou mais do que compensado por fatores positivos e pela "resiliência" da economia, do investimento, das exportações, dos salários, ajudando a equilibrar o novo OE, no saldo orçamental e na dívida.

O emprego, outro alicerce das contas públicas (porque gera receita em descontos e impostos), deve resistir bastante bem, crescendo 1,4% no próximo ano, prevê o MF, naquela que é a melhor de todas as previsões feitas até agora pelas principais instituições.

Só para se ter uma ideia, esta semana, o Banco de Portugal avançou com uma previsão de crescimento do emprego português de apenas 0,7% (portanto metade do que diz Miranda Sarmento) e, em setembro, o Conselho das Finanças Públicas disse 1,1%. Em junho, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), o avaliador mais pessimista, dizia 0,4%.

De acordo com o documento obtido pelo DN, aquele crescimento previsto para a economia mais a resistência da criação de emprego serão determinantes (por via do reforço da receita e porque geram menos pressão sobre a despesa) para chegar a um novo excedente orçamental em 2027, na ordem dos 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB), e uma nova descida pronunciada do rácio da dívida, de 87,5% do PIB em 2026 para 84,5% do PIB no ano que vem.

Em 2026, as Finanças estima que o saldo orçamental fique equilibrado (0%). Assim, 2027 poderá regista o quarto excedente em cinco anos, desde 2023, inclusive. Neste ano, o feito foi do último governo PS; desde 2024, inclusive, a entrega de saldos positivos será responsabilidade do executivo PSD-CDS, liderado por Luís Montenegro, com Miranda Sarmento no leme das Finanças.

A taxa de desemprego continua a baixar. As Finanças estimam o peso da população empregada na ordem dos 5,8% da população ativa em 2026, valor que depois alivia novamente para 5,7% no próximo ano.

(atualizado 14h15)

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