Burlas online disparam em tempo de quarentena

No Portal da Queixa as burlas estão a chegar desde o início da pandemia ao ritmo de 16 ao dia. Uma subida de 34% até ao final de março.

"Pessoas nascidas em 1973 ou 1974 não percam esta oportunidade!" Anunciava um alegado anúncio do Lidl, prometendo a quem clicasse um presente. E que fossem rápidos porque o prazo estava a esgotar. Se se deparou com este anúncio no Facebook e não clicou, fez bem: é uma burla, garante o Lidl. Uma das muitas que desde o início da pandemia do covid-19 têm vindo a gerar queixas dos consumidores. "Desde o início da quarentena, o Portal da Queixa já recebeu 6734 reclamações, das quais 356 são relativas a burlas e esquemas de fraude, a um ritmo de 16 por dia", adianta Pedro Lourenço, CEO do Portal da Queixa.

Desde o início do ano tem sido um crescendo de reclamações: um disparo de 34% face ao ano anterior, para um total de 1377 reclamações, entre janeiro e o final de março. Há um ano, nesse período, apenas 1024 queixas tinham sido registadas pelos consumidores no Portal da Queixa. E são as burlas com esquemas envolvendo a MB Way que estão a liderar o descontentamento: em três meses registaram uma explosão de 391% face ao ano anterior, de um total de 24 casos, para 118 até ao final de março. "As principais referências a burlas, têm sido relacionadas com o registo na aplicação da SIBS - a MB WAY, em que os consumidores são aliciados, pelo alegado burlão, a dirigirem-se a uma caixa ATM para configurarem o recebimento de uma transferência na sequência da venda de um produto online e acabam por dar acesso total à conta bancária, sendo a partir daí retirados avultados montantes em dinheiro", relata Pedro Lourenço.

Mas não só. "Os e-mail e sms fraudulentos a cobrarem dívidas da EDP e MEO têm sido igualmente casos com bastante relevância, tendo em conta que usam a coação por corte do serviço, obrigando os consumidores a efetuarem um pagamento de uma dívida inexistente", adianta o CEO do Portal da Queixa. Os burlões também usaram o nome dos CTT junto dos consumidores em casos de burla, através do "envio de e-mails alertando para a existência de uma encomenda retida na alfândega, normalmente referenciando um equipamento móvel topo de gama que terá sido ganho num passatempo, em que convidam o consumidor a efetuar o pagamento de uma taxa com um valor residual", descreve Pedro Lourenço. Só que o pagamento "remete para uma página fraudulenta, em que o objetivo é o roubo de dados pessoais e bancários".

Nesta prática de phishing, o uso de nomes de marcas de retalho alimentar é o anzol recorrente dos burlões. "A prática de phishing através de passatempos tem ocorrido igualmente no setor dos super e hipermercados, nomeadamente o Continente e o Lidl, onde os consumidores são aliciados ao preenchimento de um formulário para ganharem vales de compras e/ou reclamarem um prémio atribuído em sorteio. Esta forma enganadora de levar o consumidor a fornecer os seus dados, permite o roubo de informação e, em alguns casos, a subscrição de serviços de mensagens escritas, num valor aproximado de cinco euros semanais."

E o Lidl está novamente a ser alvo de nova campanha fraudulenta, através de um "anúncio" patrocinado nas redes sociais. "A informação sobre ofertas nas suas lojas a pessoas nascidas entre 1973 de 1974, a circular nas redes sociais, não é verdadeira", assegura a cadeia, que lembra que "todas as suas ações, iniciativas, projetos, campanhas, passatempos e sorteios oficiais são divulgados e realizados através dos canais oficiais da marca, nomeadamente, o site e/ou páginas oficiais de Facebook e Instagram Lidl Portugal".

"Estas práticas fraudulentas não estão no controlo das marcas que apenas podem tentar alertar os seus consumidores, referindo que não existe nenhuma campanha a decorrer nas redes sociais nesses moldes, e convidando os mesmos a visitar os canais da marca e confirmar, antes de avançarem para a participação e preenchimento de dados", alerta Pedro Lourenço.

Quando detetadas, "este tipo de fraudes são de imediato denunciadas às autoridades competentes, para que atuem em conformidade", informa o Lidl que pede: "Não cliquem em links desconhecidos, nem partilhem este tipo de conteúdos com demais amigos."

Jornalista do Dinheiro Vivo

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG