A seleção nacional de futebol do Usbequistão vive uma verdadeira euforia face à chegada ao primeiro Mundial da histórica. Enfrentando sempre potências asiáticas que dominam manchetes, o país tem começado a conseguir exportar talentos e rebater favoritismos de Japão, Coreia do Sul ou Irão. O ponto central passou por interpretar como a independência, em 1991, após o fim da União Soviética poderia ter no desporto um esforço coletivo de engrandecimento. A federação uzbeque apostou cedo em infraestruturas desportivas e academias de formação, permitindo o aparecimento de uma geração de jogadores tecnicamente evoluídos e competitivos em contexto internacional. Tentou, também, angariar jovens com ascendência russa ou, por outro lado, que já tenham nascido no enorme país que se estende por Europa e Ásia. A galvanização levou a que se começasse a conseguir exportar talento para outras ligas, com o campeonato russo a acolher muitos jovens do Usbequistão.Desde 1994, quando a FIFA não permitiu a inscrição em provas de acesso ao Mundial, que o caminho tem sido de progressão. E depois de figurar em meias-finais da Taça Asiática, em 2025 venceu o Irão na segunda edição da CAFA Nations Cup, isto após garantir o apuramento para o Mundial com um segundo lugar no grupo do Irão, à frente de Qatar ou Emirados Árabes Unidos. Para chegar ao certame, sofreu, porém. Uma derrota pelos golos fora de casa contra o Bahrein – num jogo repetido por erro de arbitragem - fez com que os uzbeques falhassem na quinta e última fase das eliminatórias o Mundial da Alemanha de 2006. Oito anos depois, perderia, nessa mesma fase, nos penáltis com a Jordânia. Até que finalmente logrou o apuramento.Nos particulares recentes empatou com Irão, venceu o Egito e no ano inteiro de 2025 só perdeu com o Uruguai um encontro de preparação. Fabio Cannavaro, Bola de Ouro depois de vencer o Mundial pela Itália em 2026, é o comandante da seleção e recebe quatro milhões de euros, empatado com Roberto Martínez no top-5 dos treinadores que mais auferem neste Mundial.Os jogos em Tashkent mobilizam atualmente milhares de adeptos e refletem o crescente entusiasmo popular em torno do futebol. Os Lobos Brancos são, portanto, um perigo relativamente desconhecido, mas têm duas figuras relevantes no ataque e um comandante no eixo defensivo. Entre os nomes mais conhecidos destaca-se Eldor Shomurodov, avançado que passou pelo futebol italiano e se tornou uma das principais referências ofensivas da equipa nacional. É forte na área, pede cruzamentos para usar a pujança física. Emprestado pela Roma, marcou 23 golos no Basaksehir. No mesmo clube, Abbosbek Fayzullaev, extremo, fez quatro golos e quatro assistências. É o desequilibrador pelos corredores.Para garantir blindagem atrás neste Grupo K contra Colômbia, Portugal e R.D. Congo, o esteio defensivo é Khusanov, jogador do Manchester City. Fez parte da equipa olímpica com 20 anos, realizou 40 jogos pelo City este ano, custando, no ano passado, 40 milhões de euros para se transferir do Lens..Japão desafia favoritos e quer afirmar-se no Mundial de 2026.Italiano Fabio Cannavaro deixa o cargo de selecionador da China após dois jogos.Mais do que um Mundial: ir aos EUA é prova de vida para a seleção do Irão