“Ser campeão do mundo é um privilégio, mas os Jogos Olímpicos são o próximo objetivo”
Salvador Sas

“Ser campeão do mundo é um privilégio, mas os Jogos Olímpicos são o próximo objetivo”

Vasco Vilaça tornou-se o primeiro homem português campeão do mundo de triatlo. Em entrevista ao DN, o atleta do Benfica fala da família, da amizade com Ricardo Baptista e da pressão de chegar ao topo.
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Vasco Vilaça ainda estava a caminho de Lisboa, acompanhado pelo pai, quando falou ao Diário de Notícias, um dia depois de se ter sagrado campeão do mundo de triatlo. Aos 26 anos, o atleta tornou-se o primeiro homem português a alcançar o título mundial, seguindo os passos da sua ídola, Vanessa Fernandes. A conquista, porém, não muda a ambição: o olhar está já posto nos Jogos Olímpicos.

O que pensou assim que cortou a meta?

Naquele momento estava muito focado no que estava a fazer, que era terminar a última prova da melhor forma possível. Estava concentrado no sprint final. Não estava à espera de que as emoções caíssem logo em cima de mim, mas, como acontece na maior parte das provas, quando estou focado no que tenho de fazer, as emoções ficam de lado. Demorou algum tempo até poder acalmar e ter a paz necessária para processar tudo.

Um dia depois, já conseguiu processar a conquista?

Já comecei a processar.

É o primeiro homem português campeão do mundo de triatlo. Tendo Vanessa Fernandes como ídolo, o que significa esta conquista?

Significa que estou a seguir os passos da Vanessa. Teve uma carreira incrível e o meu percurso não teria começado sem aquilo que ela fez pelo triatlo em Portugal. É bonito poder estar agora eu a subir este pódio e espero conseguir motivar a próxima geração para que, daqui a dez anos, outros atletas portugueses possam também subir a um pódio mundial.

Mas há ainda muito para conquistar.

Sem dúvida. Ainda tenho objetivos pela frente, sobretudo os Jogos Olímpicos. Tudo aquilo que estou a fazer agora é uma construção para os Jogos.

Depois de se tornar campeão do mundo, a fasquia não fica demasiado alta?

Sem dúvida. É difícil debater o resultado, porque já só posso igualar aquilo que fiz e já não posso ser melhor. Mas essa pressão é um privilégio. Gosto muito do trabalho que foi feito até agora e de ter as pessoas que tenho à minha volta para celebrar estes momentos.

O bigode que apresentou nesta prova foi uma brincadeira ou uma forma de aliviar a pressão?

Foi brincadeira. Talvez uma forma de fugir um bocadinho à pressão, de me focar noutras pequenas coisas e não estar só a pensar na prova e nos resultados.

Vai mantê-lo?

Ainda não pensei nisso. Já me fizeram essa pergunta. Para já, vou deixá-lo durante mais algum tempo. Caso contrário, as pessoas deixam de me reconhecer: agora acham que sou “o rapaz de bigode que foi campeão do mundo”. Se o tirar, parece que já não fui campeão do mundo (risos).

A sua família esteve presente. Que importância teve poder partilhar este momento com ela?

Foi muito bonito isto ter acontecido numa prova tão perto de Portugal, onde pude ter a minha família comigo. O meu pai, a minha mãe e a minha irmã estiveram lá desde o início até ao fim, para celebrarmos estes momentos. Devido ao meu trabalho profissional, passo pouco tempo presencialmente com a família. Estou agora a voltar para Lisboa com o meu pai no carro. Poder estar com eles em momentos tão especiais é único e torna tudo ainda mais importante para mim.

Depois desta medalha, o que gostaria de receber ou de ter no plano pessoal?

Honestamente, não tenho nenhum desejo especial neste momento. Tenho muito trabalho pela frente para chegar a uma medalha olímpica, que, depois de ser campeão do mundo, é sem dúvida o próximo objetivo. Não estou habituado a que as coisas me sejam dadas, por isso também não tenho um desejo específico nem estou à espera de que algo apareça do nada.

World Triathlon

Partilhou o pódio com Ricardo Baptista, medalha de bronze. O que lhe disse antes da cerimónia?

O Ricardo fez uma época incrível e foi muito especial subir ao pódio com ele, poder festejar juntos e não estar sozinho num momento tão especial. As palavras não são o mais importante. Estes momentos são sobre a forma como nos sentimos um pelo outro, sobre o abraço. O que interessa é estarmos lá, felizes um pelo outro, e percebermos que somos mais felizes pelos resultados positivos que nos ajudamos mutuamente a alcançar.

Já era uma figura conhecida no triatlo, mas será agora ainda mais solicitado. Está preparado para essa exposição?

Espero que sim. Tenho de começar a aprender um pouco mais. Sempre achei que a prova era a parte mais difícil, mas treino tanto para competir e estou tão preparado que talvez seja este lado que preciso começar a preparar melhor. Ao mesmo tempo, gosto de ser eu próprio, de não me preparar demasiado e de dizer honestamente aquilo que me vai no coração.

Houve alguma mensagem de parabéns que o tenha surpreendido?

Tive muito poucas chamadas, porque as pessoas com quem queria celebrar estavam comigo. Só hoje comecei realmente a olhar para o telefone. A minha família, os treinadores, o Ricardo, o João Nuno e o Miguel Tiago Silva, colegas com quem tenho andado pelo mundo a lutar por este título, estavam todos lá. As mensagens não eram mais importantes do que isso. Mas uma mensagem de parabéns do Presidente da República foi, talvez, a mais inesperada.

Que mensagem deixa aos portugueses que o acompanharam?

Muito obrigado pelo apoio de todos os portugueses. Estamos juntos pelo mundo fora a lutar por levar a nossa bandeira o mais longe possível. Espero continuar a contar com o apoio de todos para chegarmos ainda mais longe.

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