PJ abre inquérito criminal às nomeações de árbitros na sequência do caso Estrela da Amadora
A Polícia Judiciária (PJ) abriu um inquérito formal para investigar o processo de escolha de juízes para encontros do escalão máximo do futebol nacional, avançou a RTP este sábado, 12 de setembro. A medida surge na sequência da demissão de Duarte Gomes do cargo de diretor Técnico de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e das denúncias graves apresentadas em torno de alegadas fugas de informação na reta final do campeonato.
Duarte Gomes quebrou o silêncio, aos microfones do podcast Hora Bolas (RTP e Antena 1), e detalhou os factos críticos que motivaram o seu afastamento imediato da estrutura federativa.
A denúncia entregue às autoridades judiciais faz-se acompanhar por um volumoso dossier com cerca de 20 páginas, segundo foi possível apurar pelas diversas notícias divulgadas. Esta documentação inclui elementos de prova material e digital considerados cruciais, nomeadamente conversas via WhatsApp, registos de chamadas e capturas de ecrã (screenshots) que indiciam o conhecimento prévio de escalas por parte de terceiros.
O caso, que corre agora termos no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) sob a alçada operacional da PJ, aponta para suspeitas de interferência e para a existência de um alegado complô estruturado para beneficiar o Estrela da Amadora.
No centro das diligências e investigações práticas avançadas estão figuras como Paulo Lopo (antigo líder da SAD do clube amadorista) e a gestão em torno do Conselho de Arbitragem liderado por Luciano Gonçalves.
O caso rebentou na sequência de denúncias graves sobre a reta final do campeonato da I Liga da época passada (2025/2026), altura em que se concentram as suspeitas e as denúncias de fugas de informação sobre as nomeações dos árbitros para os jogos decisivos. Fugas que colocam sob escrutínio o papel de Paulo Lopo, antigo líder da SAD do Estrela da Amadora, e de Luciano Gonçalves à frente do Conselho de Arbitragem.
Em causa estão suspeitas de interferência e conhecimento prévio de escalas de arbitragem para beneficiar o clube, um cenário que levou, como se referiu, à demissão de Duarte Gomes, empurrando o processo da esfera puramente federativa para a investigação criminal do Ministério Público e da Polícia Judiciária.
Ainda antes destes desenvolvimentos, o Diário de Notícias já tinha adiantado os contornos do reencaminhamento institucional do caso, noticiando que a própria Federação Portuguesa de Futebol decidira remeter o processo para o Ministério Público, antecipando a transição da crise desportiva para a esfera estritamente judicial e criminal que agora se desenrola.

