O Ministério Público (MP) confirmou a existência de um inquérito sobre alegadas interferências no setor da arbitragem do futebol. “Confirma-se a existência de inquérito a correr termos no DCIAP, que teve origem em denúncia recebida. Na investigação, o Ministério Público é coadjuvado pela PJ-UNCC [Unidade Nacional de Combate à Corrupção]”, disse, à agência Lusa, fonte do MP.O jornal Público noticiou esta segunda-feira, dia 27 de julho, que a PJ recebeu uma denúncia sobre alegadas ingerências na nomeação dos árbitros, com referência explícita a dois jogos do Estrela da Amadora no final da I Liga 2025/26. O MP não esclareceu se a denúncia foi anónima ou se é a mesma que a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) disse ter enviado, após serem tornados públicos os motivos da demissão do antigo árbitro Duarte Gomes do cargo de Diretor Técnico Nacional de Arbitragem.O antigo árbitro saiu e implicou o presidente do Conselho de Arbitragem (CA), Luciano Gonçalves, que teria transmitido informações sobre futuras nomeações de árbitros e enviado uma mensagem a um árbitro antes de um encontro da I Liga. Em específico, o árbitro Hélder Malheiro terá tido conhecimento antecipado da nomeação, para um jogo do Estrela da Amadora, que lutava pela permanência na I Liga. Hugo Ribeiro é o outro árbitro que terá denunciado situações semelhantes. Após a demissão, o Conselho de Justiça da FPF instaurou também um processo de inquérito ao presidente do Conselho de Arbitragem (CA) federativo, Luciano Gonçalves, que entretanto já foi arquivado por falta de “indícios suficientes da prática de infração disciplinar”.O instrutor entendeu que não foi produzida prova suficiente que permitisse concluir que Luciano Gonçalves tenha facultado, antecipadamente, informação sobre a nomeação de árbitros ou que tenham existido nomeações efetuadas a pedido de qualquer clube.Duarte Gomes, já substituído no cargo por João Ferreira, garantiu, logo na altura, estar disponível para prestar todos os esclarecimentos necessários, se lhe forem “solicitados pelas entidades competentes”.Segundo o jornal Público, a Polícia Judiciária recebeu como objeto de prova, algumas mensagens de Whatsapp, registadas em capturas de ecrã, registos de chamadas telefónicas, áudios, vídeo-mensagens e testemunhos de reuniões que terão ocorrido na Cidade do Futebol, no período entre abril e junho do presente ano.