Paulo Toste: “Vamos avançar com a consulta ao mercado, para a cedência do direito de superfície do Autódromo”

Paulo Toste: “Vamos avançar com a consulta ao mercado, para a cedência do direito de superfície do Autódromo”

Presidente do conselho de administração explica dossier ao DN e saúda regresso de Miguel Oliveira. Requalificação do circuito obrigará a um investimento na ordem dos 150 milhões de euros.
Publicado a: 
Atualizado a: 

Qual a importância de receber no Circuito do Estoril o Mundial de Superbike e Miguel Oliveira?

Miguel Oliveira é a maior figura do desporto motociclista e é o chamariz ideal para voltar a colocar o Autódromo do Estoril nas bocas do mundo. É a prova mais importante do calendário deste ano, para nós, e está tudo a decorrer com normalidade e tranquilidade, dentro da confusão que é chegarem mais de 100 camiões de repente. Está tudo a ser tratado com todo o profissionalismo e com todo o rigor, como a Dorna [entidade promotora do Mundial] exige, claro. Dói ver o circuito parado. Dias em que não há confusão, fazem-me confusão...

Quantas pessoas são esperadas no recinto? Vi que foi comunicado que a bancada que estava inutilizável foi recuperada...

Sim. A nova equipa de conselho de administração, de que tenho a honra de ser presidente, começou em funções em setembro e temos tentado resolver as coisas mais prioritárias. Tenho de agradecer à Câmara de Cascais pela conciliação de rigor e agilidade no processo de levantamento da interdição, mas o trabalho principal é a preparação do processo de consulta ao mercado para a cedência do direito de superfície. Esse é o próximo grande passo.

Para preparar a venda do Autódromo, depois de ter sido colocado no lote de imóveis do Estado considerados não estratégicos?

O que o secretário de Estado [do Tesouro] nos pediu foi para avançarmos com um procedimento de consulta ao mercado, para o direito de superfície do imóvel. Não é uma venda, é um procedimento de consulta para o direito de superfície, semelhante a uma concessão. Portanto, há um período de tempo em que alguém terá esse direito de superfície e de exploração.

Não foi isso que a Câmara Municipal de Cascais propôs?

Pelo que sei foi feita uma proposta de concessão... é uma figura jurídica diferente. A Secretaria de Estado [do Tesouro] decidiu fazer uma consulta aberta ao mercado e estamos a seguir essas instruções. Está numa fase muito preliminar, mas é nisso que estamos a trabalhar. Não será um concurso público à medida de alguém específico. Os critérios serão públicos e terá consulta com datas bem definidas e também com os mecanismos de reclamação bem definidos na lei. Portanto, é a máxima transparência.

Como se faz um plano de atividades para 2027 nessa incerteza?

Fazendo. O Autódromo tem características muito particulares, é uma empresa pública, com critérios de rigor, de transparência, mas está em concorrência num mercado globalizado e isso, por vezes, é pouco compaginável. Vamos expor um objetivo ambicioso para resolver isto, mas primeiro temos de fazer o levantamento real da situação e definir os passos a seguir. Nós neste momento ainda estamos no levantamento da realidade. E também realidade é que já se perdeu muito tempo, durante muito tempo.

E perdeu-se a janela de oportunidade de promover o regresso da Fórmula 1... 30 anos após a última corrida, que foi em 1996.

Exato. Neste momento é preciso criar condições para que o investidor se sinta seguro para fazer investimentos e sabendo que pode recuperar esse investimento. Nesta fase temos de ter alguma cautela, qualquer ação mais estratégica pode comprometer a intenção de algum desses promotores, porque seria um erro enorme, na minha opinião, falar na Fórmula 1 ou em mudanças estruturais como um possível alargamento...

O Autódromo é um imóvel atrativo ao investimento?

Na minha opinião sim. O Circuito do Estoril está implantado num local extraordinário, numa região com recursos naturais belíssimos, praias, paisagem, e aeroportos e aeródromos perto, tudo o que é necessário está à distância de um dedo. Tem uma localização fantástica e tem um prestígio internacional fantástico, por isso tem todas as condições para atrair pessoas.

A história também tem o seu peso financeiro. A proposta de Cascais previa, com ajuda de um privado, um investimento necessário e urgente à volta dos 150 milhões. É um valor nesta ordem de grandeza que é preciso?

Parece-me uma boa base...

Até lá, o que está projetado para 2027?

Continuar a dinamizar e potenciar esta infraestrutura. É business as usual diria. É tentar atrair novos clientes, manter a renda e aumentar a monetização. Fechar o ano com liquidez na ordem dos valores do ano passado [590 mil euros de lucro]. Para dinamizar e mexer com a sociedade, vamos ter embaixadores do Circuito do Estoril, mas essa é uma ideia ainda em fase de maturação. Queremos, e tudo faremos para, que 2027 possa ser melhor e ainda mais ativo do que este ano, e novamente com o Campeonato Mundial de Superbikes em outubro.

isaura.almeida@dn.pt

Paulo Toste: “Vamos avançar com a consulta ao mercado, para a cedência do direito de superfície do Autódromo”
Onze anos depois, Câmara de Cascais não desiste de comprar Autódromo do Estoril
Paulo Toste: “Vamos avançar com a consulta ao mercado, para a cedência do direito de superfície do Autódromo”
1935. Quando os ases do volante domaram uma "ventania demoníaca" no Estoril
Paulo Toste: “Vamos avançar com a consulta ao mercado, para a cedência do direito de superfície do Autódromo”
Estoril Classics celebra 10.ª edição com o lendário McLaren que "revolucionou a Fórmula 1"
Diário de Notícias
www.dn.pt