João Almeida dá prova de vida como voltista e Enric Mas fica mais perto da vitória na Vuelta
João Almeida deu uma excelente resposta no contrarrelógio mais longo da Volta a Espanha, de 32 km, em Jerez de la Frontera. O português de 28 anos teve o melhor tempo no primeiro setor e percebeu-se logo que iria para um tempo competitivo. Acabou por conseguir o terceiro lugar na etapa, o seu melhor lugar numa etapa desde a ida a Monchique, em fevereiro, na Volta ao Algarve.
Depois de vários problemas físicos decorrentes de uma infeção respiratória, com impactos na oxigenação pulmonar, mas também na capacidade de resistência ao esforço de vários dias de prova que o deixaram de fora do Giro e longe das condições ideais para o Tour, o ciclista de A-dos-Francos mostrou dotes num exercício onde é, entre os voltistas, dos melhores do mundo.
João Almeida ficou apenas atrás de Stefan Kung, já bicampeão europeu na especialidade, da Tudor, e de Callum Thornley, da Red Bull-Bora-Hansgrohe. Gastou mais oito segundos do que o suíço e seis do que o britânico.
Como tal, é expectável que este exercício tenha dado confiança para os Mundiais de ciclismo, especificamente para a prova de crono, a decorrer daqui a dez dias no Canadá. Ivo Oliveira também tem de ser mencionado, uma vez que transpôs a capacidade em prólogos para um exercício de 32 km, fechando em oitavo lugar a tirada. Naturalmente, o facto de a UAE não estar a lutar pela vitória da Vuelta permite, em certos casos, alguma gestão física para ter melhores desempenhos no contrarrelógio.
Almeida fez até melhor do que Roglic e Van Aert, grandes candidatos ao triunfo na etapa. O esloveno ficou a 18s de Kung, precisava de recuperar 2m10s para Enric Mas, mas viu o espanhol fazer o contrarrelógio da sua vida. O maiorquino está mais perto de ganhar a Volta a Espanha ao ceder apenas 33 segundos para o rival que o derrotou em quatro ocasiões na Vuelta. Foi 12.º na etapa e a Movistar faz contas à possível celebração em Granada, daqui a três dias. Enric Mas mantém-se cauteloso. "Nunca é suficiente, com concorrentes como Roglic, Gall e Carapaz", afirmou ao Eurosport. "Eles podem lançar um ataque surpresa a qualquer momento, então temos de ter muito cuidado", projetou, embora reconheça estar "muito feliz com o contrarrelógio", admitindo que a camisola vermelha "só dá motivação, nenhuma pressão."
"Não consegui treinar nada com minha bicicleta de contrarrelógio. Este foi simplesmente um ótimo contrarrelógio", disse Roglic, sem mostrar desilusão. O esloveno disse que não acredita na vermelha. "Não me parece possível", vincou, embora a equipa garanta que "não veio para ser segundo na geral", segundo o diretor Sven Vanthourenhout.
Enric Mas parte para os dois últimos dias de montanha com 1m37s. Félix Gall, da Decathlon, perdeu tempo para os dois, está a 3m01s, e olha com conforto para segurar o pódio, uma vez que Richard Carapaz, da EF, está a 2m16s do terceiro lugar.
Na sexta-feira e no sábado, haverá alta montanha para decidir o vencedor da Volta a Espanha. O pelotão cumpre primeiro a ida até Estepona, uma ascensão de 18,9 km com pendentes médias nos 6,5%. Não é uma subida marcada pela altitude (não ultrapassa os 1300 metros) nem muito íngreme, mas será a extensão a poder ditar mexidas nos últimos cinco quilómetros. Em 2022, numa fuga vitoriosa de Richard Carapaz, na altura pela Ineos, Enric Mas chegaria ao lado de Primoz Roglic e do líder da corrida, e que viria a ganhar a Vuelta, Remco Evenepoel.

