Nascido no Distrito Federal, em plena região do cerrado, onde o calor seco é praticamente uma constante ao longo do ano, Igor Thiago encontrou o caminho dos golos em solo europeu e em climas bem diferentes daqueles a que estava habituado na infância. Depois de ser revelado pelo Cruzeiro, o brasiliense deu nas vistas na gélida Bulgária antes de seguir para a Bélgica e, por fim, para Inglaterra, onde esta época soma 21 golos pelo Brentford na Premier League.Os números impressionantes da atual temporada – que o colocam como segundo melhor marcador do campeonato, apenas atrás de Erling Haaland, e como o brasileiro com mais golos numa única edição da Premier League – chamaram, como seria de esperar, a atenção de Carlo Ancelotti. O selecionador do Brasil, aliás, não deixou o avançado de fora da última convocatória, na qual o ponta-de-lança deixou boa impressão.Depois de ficar em branco na derrota frente à França (1-2), marcou na vitória sobre a Croácia (3-1), e o rendimento tanto no clube londrino como na seleção fazem de Igor Thiago um forte candidato à posição de número 9 no próximo Mundial. Ao lado de nomes como João Pedro, Endrick e Matheus Cunha, a missão passa por contrariar um cenário recente pouco favorável para os avançados brasileiros em fases finais.Se entre os anos 1990 e 2000 nomes como Romário, Bebeto e Ronaldo simbolizavam a figura do goleador decisivo em Mundiais, nos últimos torneios os '9' brasileiros têm vivido dias bem mais discretos. Depois de Luís Fabiano ter feito um bom Mundial em 2010, na campanha que terminou nos quartos frente aos Países Baixos, em 2014 Fred foi um dos rostos mais criticados, com apenas um golo marcado numa competição que, para os brasileiros, terminou com o histórico 1-7 frente à Alemanha, na chamada "tragédia do Mineirão".Em 2018, Gabriel Jesus também não conseguiu corresponder, saindo do torneio sem marcar, com a seleção a ser eliminada diante da Bélgica, novamente nos quartos de final. O melhor registo recente surgiu no Qatar, em 2022, com Richarlison a apontar três golos pela equipa orientada por Tite. Ainda assim, não foi suficiente para evitar nova queda nos quartos, desta vez frente à Croácia, nos penáltis.Quatro anos depois, Igor Thiago surge como uma das principais opções para a posição de ponta-de-lança mais clássico. Se Ancelotti tem apostado, por agora, num ataque mais móvel, com Raphinha, Estêvão, Vinícius Júnior e até Matheus Cunha a aparecerem em zonas mais centrais, o avançado do Brentford oferece um perfil diferente dos restantes concorrentes, onde também se incluem Endrick e João Pedro.Com 1,90 metros de altura, Igor Thiago destaca-se pela presença física e capacidade de finalização, mas não se resume a isso. Formado no Cruzeiro, onde se estreou como profissional em 2020, chegou a mostrar serviço nas primeiras oportunidades, revelando, além do faro de golo e força física, boa tomada de decisão quando atuava fora da área. As características de "jogo europeu", aliadas às dificuldades financeiras do clube mineiro à época – então na segunda divisão – levaram à sua saída precoce para a Europa. O destino foi o Ludogorets, da Bulgária.No leste europeu, afirmou-se rapidamente. Na época 2022/23, somou 20 golos em 53 jogos e foi peça importante na conquista do campeonato. As exibições chamaram a atenção do Club Brugge, que investiu cerca de 11 milhões de euros na sua contratação.Na Bélgica, voltou a dar resposta. Conquistou o título nacional e somou 35 participações diretas em golos – 29 golos e seis assistências em 55 jogos – confirmando a consistência. O salto seguinte foi para a Premier League, com o Brentford a avançar com cerca de 33 milhões de euros pelo avançado.A primeira época em Inglaterra ficou marcada por uma lesão que travou o impacto inicial: apenas oito jogos disputados. Mas a resposta viria no seu segundo ano em solo britânico. Logo na jornada inaugural da nova temporada, marcou ao Nottingham Forest. Seguiu-se novo golo frente ao Sunderland, dois diante do Manchester United e uma sequência que o levou aos atuais 21 golos na liga. Números que o deixam a apenas dois de Erling Haaland (23), numa equipa de menor dimensão competitiva do que o Manchester City de Pep Guardiola.Os golos do brasileiro colocam o Brentford, de momento, na sétima posição da Premier League, sonhando com uma vaga nas competições europeias e com o avançado a perseguir Haaland na luta pelo prémio de melhor marcador. Mas mesmo que os objetivos pessoais e coletivos não se concretizem, com o rendimento já mostrado ao longo da época, será difícil para Ancelotti ignorar o nome de Igor Thiago e talvez até deixá-lo fora do onze inicial..Portugal deixa de ser escala obrigatória para promessas brasileiras."All we need is... Cláudio Braga": o avançado português que conquistou Edimburgo com o sorriso (e os golos)