Fernando Pimenta voltou a assumir o papel de principal figura da seleção.
Fernando Pimenta voltou a assumir o papel de principal figura da seleção. Foto: Lusa

Hélio Lucas Araújo: “Não sei como poderemos voltar a bater este recorde”

Selecionador nacional enaltece as quatro medalhas conquistadas nos Mundiais de velocidade e destaca a longevidade de Fernando Pimenta.
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Portugal encerrou os Campeonatos do Mundo de canoagem de velocidade, em Poznan, na Polónia, com quatro medalhas: duas de ouro, uma de prata e outra de bronze. Fernando Pimenta sagrou-se campeão mundial em K1 1000 e K1 5000 metros, João Ribeiro e Messias Baptista foram vice-campeões em K2 500 e o K4 500, completado por Gustavo Gonçalves e Pedro Casinha, conquistou o bronze.

A seleção nacional igualou, desta forma, o melhor registo português em Campeonatos do Mundo de velocidade, alcançado em 2023, quando também conquistou dois títulos, uma medalha de prata e outra de bronze. Em relação aos Mundiais de 2025, nos quais Portugal arrecadou três medalhas, a equipa lusa acrescentou mais um pódio.

Hélio Lucas Araújo, selecionador nacional e treinador de Fernando Pimenta, fez um balanço “extremamente positivo” da participação portuguesa e destacou a capacidade demonstrada pelos atletas para voltarem a superar as expectativas.

“No ano passado tínhamos batido um recorde, ao conquistar três medalhas no Campeonato do Mundo: uma de ouro, uma de prata e uma de bronze. Esse resultado já tinha sido alcançado durante a manhã e, à tarde, com a medalha do Fernando, batemos um novo recorde, conseguindo dois ouros, uma prata e um bronze”, afirmou o técnico ao Diário de Notícias.

Fernando Pimenta voltou a assumir o papel de principal figura da seleção. Aos 37 anos, o canoísta de Ponte de Lima conquistou no sábado o título mundial de K1 1000 metros, ao cumprir a distância em 3.24,39 minutos. O português impôs-se ao húngaro Balint Kopasz, segundo classificado com 3.24,61, e ao australiano Thomas Green, terceiro com 3.25,80.

Com este triunfo, Fernando Pimenta tornou-se o mais velho campeão mundial de K1 1000 metros. Foi igualmente o quarto título da carreira do português nesta distância, depois das vitórias alcançadas em 2018, 2021 e 2023.

No domingo, Pimenta voltou a subir ao lugar mais alto do pódio, desta vez na final direta de K1 5000 metros. O português terminou em 24.15,72 minutos, à frente do sul-africano Hamish Lovemore, segundo com 24.17,17, e do dinamarquês Mads Pedersen, terceiro com 24.18,17.

Foi o terceiro título mundial de Fernando Pimenta nos 5000 metros, depois dos triunfos de 2017 e 2018, e o segundo ouro conquistado pelo canoísta em Poznan.

“O Fernando continua a ser a nossa bandeira. Penso que, nos caiaques masculinos, tem tido uma carreira excecional. Bateu vários recordes durante este fim de semana e fez aqui mais um pouco de história”, salientou Hélio Lucas Araújo.

O técnico, que acompanha há vários anos o percurso do melhor canoísta português de sempre, não escondeu a satisfação com o rendimento apresentado em Poznan. “Já nos habituou a estes resultados, mas competiu muito bem, muito, muito bem”, reforçou.

Apesar do protagonismo de Fernando Pimenta, o sucesso português nos Mundiais não ficou limitado às provas individuais. João Ribeiro e Messias Baptista conquistaram a medalha de prata em K2 500 metros, repetindo o segundo lugar obtido nos Mundiais de 2025.

Lusa

A dupla portuguesa, campeã mundial em 2023, terminou a final em 1.29,29 minutos. Os alemães Jacob Schopf e Max Lemke conquistaram o título com 1.27,57, enquanto os checos Jakub Spicar e Daniel Havel completaram o pódio.

João Ribeiro e Messias Baptista confirmaram, assim, a presença entre a elite mundial de uma distância que integra o programa dos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.

Os dois canoístas já tinham conquistado uma medalha em Poznan. Ao lado de Gustavo Gonçalves e Pedro Casinha, João Ribeiro e Messias Baptista alcançaram o bronze na final de K4 500 metros.

O quarteto português, campeão mundial em 2025, terminou a prova em 1.25,53 minutos, atrás da Alemanha, vencedora em 1.23,95, e da Austrália, segunda classificada com 1.24,57.

“Os caiaques masculinos estiveram muito bem. O Gustavo, o João, o Messias e o Pedro fizeram uma prova extraordinária. Depois de terem sido campeões do Mundo no ano passado, estiveram sempre nas medalhas ou muito perto delas ao longo desta época”, analisou Hélio Lucas Araújo.

O selecionador lembrou os vários resultados em que o K4 português ficou próximo do pódio, antes de voltar a conquistar uma medalha na principal competição internacional da temporada.

“Tivemos muitos quartos lugares e agora conseguiram o terceiro lugar no K4, que é uma distância olímpica. O João e o Messias também fizeram um trabalho excecional”, sublinhou.

Hélio Lucas Araújo destacou igualmente o contributo do treinador diretamente responsável pela preparação do grupo que integra o K2 e o K4 masculinos.

“O Rui, que trabalha com eles, fez um trabalho fantástico e tem mantido estes atletas num nível muito elevado. Penso que tivemos uma excelente prestação no Mundial”, declarou.

Embora assuma a coordenação da seleção portuguesa, Hélio Lucas Araújo fez questão de repartir os méritos pelos restantes treinadores, clubes e estruturas que acompanham diariamente os atletas.

“Eu sou o selecionador, procuro que não falte nada aos treinadores e que tenhamos cada vez mais condições, mas o trabalho é efetivamente dos técnicos. Neste caso, cabe-me alguma responsabilidade porque também trabalho com o Fernando, mas todos eles têm feito um trabalho louvável”, explicou.

O selecionador recordou ainda que os resultados de uma competição não podem ser avaliados exclusivamente através das medalhas. Além dos projetos já consolidados no setor masculino, Portugal procura desenvolver novas embarcações na velocidade e manter-se competitivo na paracanoagem.

“Estiveram envolvidos vários treinadores, desde a paracanoagem aos caiaques. As medalhas são aquilo de que mais se fala, mas há outros projetos que estão em desenvolvimento. Ainda assim, ao nível dos resultados, foi extraordinário aquilo que os caiaques masculinos fizeram”, considerou.

As quatro medalhas conquistadas em Poznan aumentam também a responsabilidade da seleção nas próximas competições. Hélio Lucas Araújo admite que será difícil voltar a melhorar estes resultados, mas garante que o grupo continuará a trabalhar com a ambição de permanecer entre as principais potências da modalidade.

“Vinha a caminhar com os treinadores para o hotel e falávamos precisamente disso: temos um problema. No ano passado batemos um recorde, este ano voltámos a batê-lo e não sei como poderemos voltar a melhorar este resultado”, afirmou, entre sorrisos.

O grande objetivo passa agora por prolongar o atual ciclo de resultados até aos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.

“A fasquia está muito, muito alta. Queremos prolongar esta dinâmica até aos Jogos Olímpicos, para que os atletas consigam, em Los Angeles, resultados que deixem os portugueses orgulhosos. Isso é o mais importante”, declarou.

O novo sistema de qualificação olímpica da canoagem de velocidade assenta num ranking internacional, com dez competições elegíveis e a contabilização dos oito melhores resultados. Apesar de ainda não existirem qualificações definitivas, os desempenhos alcançados durante a temporada permitem à seleção encarar com confiança a corrida às vagas olímpicas.

“Só podemos levar, no máximo, cinco atletas masculinos. Não digo que estes cinco já estejam qualificados, porque ainda falta um ano e foram disputadas oito provas de um total de dez, mas estamos numa posição muito positiva. Penso que o Fernando lidera o ranking e o K4 está, se não em primeiro, no segundo ou terceiro lugar”, explicou o selecionador.

Hélio Lucas Araújo considera que Fernando Pimenta e os quatro elementos do K4 estão muito bem posicionados, embora sublinhe que o processo ainda não terminou.

“Estamos na zona das medalhas. Mantendo esta dinâmica, acredito que a qualificação será possível. Depois, temos outras embarcações que continuam na luta, a somar pontos até ao final, e queremos melhorar as prestações para que também consigam chegar aos Jogos”, acrescentou.

A ambição portuguesa estende-se à paracanoagem, na qual a seleção esteve representada em Poznan por Norberto Mourão, Alex Santos e Matilde Nunes. Os resultados conquistados pelos três atletas também contam para o respetivo processo de qualificação paralímpica.

“Temos o Norberto, o Alex e a Matilde, que fizeram boas prestações e que também estão numa posição que lhes permite lutar pelo apuramento para os Jogos Paralímpicos”, concluiu Hélio Lucas Araújo.

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