Seleção alemã fez história em 1990 com equipamento que virou um "clássico cult".
Seleção alemã fez história em 1990 com equipamento que virou um "clássico cult". Foto: DR/FIFA

História dos Mundiais. Em 1990, a Alemanha conquistou o tri e Maradona dividiu a Itália

Disputado pouco após a queda do Muro de Berlim, torneio teve o último título da Alemanha Ocidental antes da reunificação; ídolo do futebol italiano, craque argentino foi alvo de ira dos adeptos.
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Quando o Mundial de 1990 começou em Itália, a Europa vivia um dos momentos mais marcantes da sua história recente. Apenas sete meses antes, o Muro de Berlim tinha caído e a Guerra Fria aproximava-se do fim. Nesse cenário de transformação política, a Alemanha Ocidental escreveu o último capítulo da sua história futebolística antes da reunificação, conquistando o terceiro título mundial.

Dentro de campo, porém, o torneio ficou longe de ser um festival ofensivo. Com apenas 115 golos em 52 jogos, Itália 1990 continua a ser uma das edições menos goleadoras da história dos Mundiais. O equilíbrio, a disciplina tática e o receio de errar prevaleceram sobre o espetáculo e a seleção alemã soube adaptar-se melhor do que qualquer outra a esse contexto.

Orientada por Franz Beckenbauer, campeão do mundo como jogador em 1974, a equipa encontrou em Lothar Matthäus o seu grande líder. Ao lado de nomes como Jürgen Klinsmann, Andreas Brehme e Rudi Völler, a Alemanha apresentou uma campanha sólida desde o início, eliminando Países Baixos, Checoslováquia e Inglaterra até chegar à final.

Do outro lado surgiu novamente a Argentina de Diego Maradona. Campeã do mundo quatro anos antes, a 'Albiceleste' chegou a Itália sem o brilho do México, mas continuava a contar com o seu capitão para desafiar todas as previsões. A caminhada começou da pior forma possível, com uma derrota surpreendente frente aos Camarões - um dos destaques daquele torneio - na partida de abertura, mas os argentinos encontraram forma de sobreviver até a decisão. Já os camaroneses, liderados pelo carismático Roger Milla, então com 38 anos, tornaram-se a primeira seleção do continente africano a atingir os quartos de final de um Mundial.

Camarões fez história no Mundial de 1990.
Camarões fez história no Mundial de 1990.Foto: DR/Professional Sport

Na Argentina, Maradona já não exibia a mesma explosão física de 1986, mas manteve intacta a capacidade de influenciar jogos e ambientes. O momento mais simbólico aconteceu na meia-final frente à anfitriã Itália, disputada em Nápoles. Ídolo absoluto do Napoli, o argentino lembrou aos napolitanos que os mesmos eram vistos como estrangeiros por muitos italianos do norte do país e pediu-lhes que não apoiassem automaticamente a seleção italiana.

A Argentina venceu nos penáltis e eliminou os anfitriões e Maradona entrou em rota de colisão com adeptos a partir daí. Um vídeo que ficou famoso posteriormente, o craque argentino xinga os adeptos ao ouvir assobios durante o hino de seu país.

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A final, disputada no Estádio Olímpico de Roma, esteve longe de ser futebolisticamente memorável. Num encontro tenso e equilibrado, a Alemanha acabou por encontrar o golo da vitória aos 85 minutos, através de uma grande penalidade convertida por Andreas Brehme. O triunfo por 1-0 garantiu o tricampeonato mundial e permitiu a Beckenbauer juntar-se ao restrito grupo de homens que conquistaram o Mundial como jogador e treinador.

Para Portugal, o torneio voltou a ser acompanhado à distância. Depois da presença em 1986, a seleção nacional falhou novamente a qualificação e posteriormente prolongou um jejum que já durava desde a histórica campanha de Eusébio em 1966. Os adeptos portugueses teriam de esperar até 2002 para voltar a ver a equipa das quinas numa fase final de um Mundial.

Já Alemanha e Argentina voltariam a se encontrar numa final 24 anos, novamente com final feliz para o lado germânico, mas essa história fica para outro capítulo. Faltam 9 dias para o arranque do Mundial de 2026.

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