Gonçalo Ramos destaca força do grupo após vitória sobre a Noruega
Gonçalo Ramos começou por destacar o trabalho coletivo na vitória de Portugal sobre a Noruega, uma reação construída depois de a seleção ter estado em desvantagem. O avançado, que voltou a marcar, recusou olhar para o lance como um mérito exclusivamente individual e apontou para a jogada que lhe permitiu finalizar.
“A finalização não foi perfeita, mas entrou. O que interessa também é a grande jogada da equipa. Estava lá para encostar e para finalizar a jogada”, afirmou o ponta-de-lança à Sport TV, lembrando que a sua função exige precisamente essa presença na área. “Eu, como ponta-de-lança, tenho de estar lá. Parece fácil, mas o mais difícil é mesmo estar lá do que encostar a bola.”
O jogador fez questão de agradecer a João Félix, autor da assistência, logo após o golo. “Tento sempre agradecer a quem me faz os passes para golo, porque há muitos jogadores que, na situação do João, podiam muito bem ter rematado ou fingido que não me viam ali. É uma forma de demonstrar que sei que ele teve o cuidado de me passar a bola. Faz parte do grupo, da equipa e do espírito de agradecer.”
“Nós criamos muitas oportunidades e eu, como ponta-de-lança, acabo por desfrutar da qualidade que há à minha volta.” Ramos considera que os golos que tem marcado pela seleção são também reflexo da qualidade coletiva. “É um orgulho e uma demonstração do meu trabalho, mas, acima de tudo, da grande qualidade que nós temos enquanto equipa.”
Portugal soma quatro vitórias em quatro jogos e já assegurou o apuramento, ficando a um passo de confirmar o primeiro lugar do grupo. Para Ramos, o percurso tem ainda maior relevância por estar a ser feito num período de adaptação. “Queremos ganhar todos os jogos e é uma competição que queremos ganhar, mas também é uma fase de adaptação às ideias do novo mister. Sem muito tempo para treinar, utilizamos os jogos para melhorar e isso tem-se visto ao longo destes quatro jogos.”
Depois de ter sido muitas vezes utilizado a partir do banco, o avançado entende que os últimos encontros confirmam o seu momento. “Desde o início mostrei que estava presente, mesmo quando saía do banco e nos poucos jogos em que fui titular antes. Trabalhei imenso e continuo a trabalhar. Estes últimos três jogos são fruto disso e uma demonstração do meu trabalho.”
João Cancelo foi outro dos protagonistas da resposta portuguesa, ao marcar o golo do empate depois de a Noruega se ter adiantado. O lateral, que viu cartão amarelo cedo, admitiu que isso acabou por pesar na decisão de o substituir, mas valorizou sobretudo a importância do lance.
“Condicionou-me, obviamente. Acho que a minha substituição foi um pouco por causa disso, porque o jogo estava a entrar num momento com muitas faltas e percebi a decisão do mister. O importante no meu golo foi ajudar a equipa a empatar, depois de sofrermos um golaço do defesa-central da Noruega, e permitir que mantivéssemos o controlo do jogo, que era o mais importante naquele momento.”
Cancelo elogiou a oposição norueguesa e considerou que Portugal fez uma exibição de grande nível. “Na maior parte do jogo tivemos o controlo. A Noruega, como vimos no Mundial, é uma grande equipa, capaz de ganhar a grandes seleções. Não era um jogo fácil. Tem jogadores de grande qualidade. Fizemos um grande jogo.”
“Somos Portugal, sabemos que somos os favoritos neste grupo e queremos acabar só com vitórias.” O apuramento antecipado dá, na opinião de Cancelo, “mais tranquilidade”, mas não altera a ambição para os dois jogos que faltam disputar.
O jogador agradeceu ainda o aplauso recebido no Estádio do Dragão, apesar de ter sido formado no Benfica. “As rivalidades ficam de lado. Aqui estamos todos a representar Portugal, de norte a sul do país. Isso ficou bem presente. Agradeço muito ao público do Estádio do Dragão por me ter aplaudido.”
Questionado sobre o ambiente em torno da seleção e a situação de Cristiano Ronaldo, Cancelo foi claro: “O Cristiano, para nós, é o nosso capitão e o símbolo da nossa seleção.” Disse não ter falado ainda com o avançado desde a sua saída, mas admitiu que o fará “certamente no futuro”.
Nuno Mendes também teve influência direta na vitória, ao cobrar o lançamento que esteve na origem do golo de Cancelo. O lateral explicou que procurava João Félix, mas reconheceu o mérito do colega na finalização. “Os meus colegas sabem que consigo meter a bola longe no lançamento. Vi o Félix no meio da área e meti a bola lá. O João Cancelo conseguiu fazer um grande golo. É um grande jogador e estamos muito contentes pela vitória e pelo golo.”
Titular nos quatro jogos, Nuno Mendes reconheceu o desgaste de uma sequência exigente, mas garantiu estar disponível para continuar a responder às necessidades da equipa. “São quatro jogos muito intensos, contra seleções com um poderio físico muito elevado. Temos muitos jogos, de três em três dias, tanto aqui como nos clubes. Estou aqui para representar a seleção. Se o mister quiser que jogue os 90 minutos, jogo. Estou preparado.”
O lateral admitiu que gostaria “de descansar um pouco”, mas fez um balanço positivo desta janela. “Acabei estes quatro jogos bem. Fisicamente, um pouco cansado, mas foi importante para mim.”
Quanto ao percurso perfeito, Nuno Mendes sublinhou a dificuldade acrescida de integrar um novo selecionador. “Com novo treinador e novas ideias torna-se mais difícil, mas conseguimos aplicar o que temos aprendido. Fizemos uma boa prestação nos quatro jogos e estamos muito contentes.”
Sobre Cristiano Ronaldo, deixou uma garantia inequívoca: “Somos um grupo unido. Tanto o Cris como qualquer jogador que não esteja neste estágio e se possa juntar ao grupo é sempre bem-vindo.” E, caso o capitão regresse em novembro, a resposta foi imediata: “Claro, de braços abertos.”

