A seleção nacional sub-20 de futebol de praia estreia-se esta quinta-feira, 23 de abril, frente à Inglaterra na primeira edição do Euro Beach Soccer Cup, competição que decorre em Viareggio, Itália, e que representa um momento considerado estruturante para o desenvolvimento da modalidade nos escalões jovens. Para o coordenador nacional do futebol de praia, Madjer, trata-se de uma etapa há muito aguardada e que surge para preencher uma lacuna histórica no percurso formativo dos atletas portugueses.A participação portuguesa na prova resulta de um convite direto à Federação Portuguesa de Futebol, numa fase inicial do projeto competitivo europeu para este escalão. Segundo Madjer, a decisão de aceitar a presença foi imediata e sustentada pela convicção de que a criação deste espaço competitivo internacional era essencial para a evolução dos jovens jogadores. “Existia esta lacuna ao nível da formação. Sabemos que havia muitos jovens interessados em apostar no futebol de praia, mas faltava-lhes este espaço para mostrarem o seu valor e serem valorizados. Por isso aceitámos logo participar”.A estreia frente à Inglaterra marca o início de uma competição que Portugal encara com ambição, mas também com consciência do seu caráter estruturante. O coordenador nacional sublinha que o torneio deve ser entendido como o início de um percurso mais amplo. “Quando Portugal entra em qualquer competição entra sempre para conquistar títulos, essa é a mensagem que transmitimos aos jogadores. Mas também temos os pés assentes na terra e sabemos que este é apenas o início de uma caminhada”, afirmou.Portugal integra o grupo B da competição, juntamente com Inglaterra e Chéquia, sendo que os dois primeiros classificados garantem presença nas meias-finais. Apesar da exigência competitiva, Madjer acredita que a equipa portuguesa reúne condições para discutir os primeiros lugares. “Temos possibilidades de ganhar os dois encontros. Estes miúdos já trabalham na areia há algum tempo, muitos conciliam futebol de onze ou futsal com futebol de praia e isso dá-lhes uma base competitiva importante”, explicou.Ainda assim, o responsável técnico antecipa dificuldades distintas nos dois adversários da fase inicial. “A Inglaterra é uma seleção fisicamente forte e que já desenvolve trabalho na formação há algum tempo. É uma equipa com características muito próprias. A Chéquia está a iniciar este processo agora, e ainda estamos a perceber melhor a realidade deles”. Para Madjer, mais do que os resultados imediatos, esta participação representa uma oportunidade única de crescimento competitivo e pessoal para os atletas convocados. “O que noto é que isto é um motivo de enorme orgulho para eles. Estão a viver um sonho. Já não existe apenas o objetivo de competir internamente, agora existe o objetivo de representar Portugal ao mais alto nível”..Ao mesmo tempo, Madjer procura transmitir equilíbrio emocional ao grupo antes da estreia internacional. “Costumo dizer-lhes para viverem o sonho, divertirem-se e aproveitarem o momento. Eles não estão aqui para provar nada a ninguém, porque nós conhecemos as capacidades deles. Estão aqui para potenciar o melhor de si e representar bem o país”.Na perspetiva do coordenador nacional, a criação do Europeu Sub-20 constitui um passo determinante para consolidar o crescimento da modalidade em Portugal e na Europa. “Foi uma solicitação feita pelas federações, porque existia claramente a necessidade de criar este espaço competitivo. É um ganho para todos os países envolvidos”, explicou. O dirigente considera ainda que esta nova competição poderá funcionar como plataforma de transição para a seleção principal. “Para muitos destes jogadores, esta é uma montra importante. Alguns já passaram por estágios da seleção A, mas para a maioria é a primeira experiência deste nível. Isto abre-lhes novas perspetivas”.A aposta na formação tem sido uma das prioridades estratégicas da Federação Portuguesa de Futebol nos últimos anos, com a criação de competições nacionais nos escalões jovens a contribuir para o alargamento da base competitiva. Madjer acredita que esse trabalho começa agora a produzir resultados visíveis. “Nós já temos taças nacionais Sub-15 e Sub-19, e isso foi fundamental para preparar estes jogadores. Era natural que Portugal estivesse presente nesta primeira edição do europeu”. O antigo capitão da seleção portuguesa reconhece ainda que observa com especial satisfação o crescimento das novas gerações, sobretudo tendo em conta a evolução das condições existentes atualmente. “Quando vejo estes miúdos, penso muitas vezes que gostava de ter tido estas condições quando era jogador. Eles têm de aproveitar esta oportunidade”, confessou.Madjer admite que continua a sentir ligação emocional à competição sempre que acompanha os jovens internacionais portugueses. “Tenho saudades de jogar, claro. Quando os vejo ali, ainda sinto o bichinho. Mas aquilo que mais me orgulha é perceber que muitos deles dizem que começaram a jogar futebol de praia depois de me verem jogar”.Esse legado traduz-se sobretudo na criação de melhores condições para as gerações seguintes. “A minha maior conquista é contribuir para que existam mais oportunidades para estes jovens e para que Portugal continue a conquistar títulos no futuro”.O crescimento sustentado da modalidade em Portugal passa, segundo Madjer, pela criação de mais espaços competitivos regulares para jovens atletas, tanto no setor masculino como feminino. “Uma coisa é captar o interesse dos jovens com competições pontuais, outra coisa é garantir continuidade competitiva ao longo da época. É isso que temos vindo a fazer”. Entre os objetivos futuros está também o reforço da presença internacional nos escalões jovens. “Estamos a trabalhar com a FIFA para a criação do primeiro Campeonato do Mundo feminino de futebol de praia e já discutimos a possibilidade de organizar um Europeu Sub-17. Estamos claramente no caminho certo”, concluiu..Futebol de Praia: Portugal perde com equipa da casa e falha conquista da El Salvador Soccer Cup.Bruno Torres, o treinador que só sabe ganhar vai assumir a seleção de futebol de praia