Em Alvalade a festa foi do Tondela
ANTONIO COTRIM

Em Alvalade a festa foi do Tondela

Apesar de estar a vencer por 2-0 e de ter um penálti defendido nos descontos, o Sporting permitiu dois golos de canto nos minutos finais e deixou escapar uma vitória que parecia garantida.
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O Sporting deixou escapar uma vitória praticamente garantida frente ao Tondela (2-2), em Alvalade, num jogo em atraso da 26.ª jornada da Liga, que poderia ter relançado os leões na luta pelo segundo lugar e aproximado a equipa do Benfica. Num encontro que esteve controlado durante largos períodos e que chegou a parecer resolvido com dois golos de vantagem, a formação de Rui Borges permitiu uma reviravolta emocional inesperada nos minutos finais, sofrendo dois golos consecutivos na compensação, ambos na sequência de pontapés de canto, depois de Rui Silva ainda ter defendido uma grande penalidade.

A partida, inicialmente agendada para março, mas adiada devido ao calendário europeu do Sporting, surgia num momento sensível da temporada leonina. Sem vitórias nos jogos recentes e já sem depender apenas de si para alcançar o segundo lugar, a equipa precisava de um triunfo para manter viva a pressão sobre o rival direto. Durante muito tempo, tudo indicava que esse objetivo seria alcançado.

A primeira parte foi morna e equilibrada, com pouca intensidade e escassas oportunidades claras de golo. O Sporting teve mais iniciativa ofensiva, mas revelou dificuldades em acelerar o jogo e criar situações consistentes de finalização. O Tondela, apesar de algum tempo de posse nos minutos iniciais, limitou-se sobretudo a defender de forma organizada, mantendo o nulo até ao intervalo.

Na segunda parte, os leões surgiram mais pressionantes e acabaram por desbloquear o marcador aos 62 minutos, por intermédio de Luis Suárez, na sequência de um cruzamento de Salvador Blopa. O domínio leonino consolidou-se e, aos 78 minutos, um autogolo de João Silva ampliou a vantagem para 2-0, aparentemente sentenciando o encontro. Nessa fase, o Sporting controlava o ritmo, tinha posse e não dava sinais de fragilidade defensiva, enquanto o Tondela revelava dificuldades em chegar com perigo à baliza de Rui Silva.

O desfecho inesperado começou a desenhar-se já dentro do tempo de compensação. Primeiro, um penálti para o Tondela poderia ter reduzido a desvantagem, mas Rui Silva respondeu com uma defesa importante que parecia selar definitivamente a vitória leonina. No entanto, dois cantos consecutivos alteraram completamente o rumo do jogo: aos 90+2 minutos surgiu o 2-1, com um desvio infeliz de Salvador Blopa após cabeceamento de Cícero, e já aos 90+5 o mesmo Cícero voltou a marcar, desta vez sem interferências, estabelecendo o empate final. 

A forma como o Sporting permitiu este desfecho levanta várias questões. Em primeiro lugar, a equipa revelou incapacidade para gerir emocionalmente os minutos finais após o primeiro golo sofrido. A reação foi desorganizada, com perda de referências defensivas nas bolas paradas e ausência de controlo do espaço na área. Em segundo lugar, a sucessão de lances de perigo concedidos nos instantes finais demonstra alguma fragilidade estrutural na defesa de cruzamentos laterais, agravada por substituições que alteraram equilíbrios posicionais e rotinas defensivas.

Há também um fator psicológico evidente: depois de uma série de resultados menos positivos, a equipa mostrou sinais de ansiedade quando o jogo parecia resolvido. O golo sofrido criou instabilidade imediata e o Sporting deixou de conseguir controlar o ritmo, permitindo ao Tondela acreditar num resultado que até então parecia improvável. A incapacidade de “fechar” o jogo com bola e de travar o ímpeto adversário acabou por ser decisiva.

Este empate tem impacto direto nas contas do campeonato. Os leões falham a possibilidade de igualar o Benfica em pontos e mantêm-se no terceiro lugar, prolongando uma fase irregular numa altura determinante da épocaPara o Tondela, pelo contrário, o ponto conquistado em Alvalade reforça a esperança na luta pela permanência e representa um dos resultados mais surpreendentes da jornada.

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