Cristiano Ronaldo castigado com 30 dias de suspensão e 255 euros de multa
Cristiano Ronaldo foi castigado com 30 dias de suspensão e 255 euros de multa por ter abandonado o estágio da seleção no passado dia 30 de setembro, anunciou o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol esta segunda-feira em comunicado.
Deste período de suspensão, 19 dias já foram cumpridos, uma vez que a suspensão preventiva a que o jogador esteve sujeito é contabilizada.
O abandono ocorreu após um desentendimento com o selecionador Jorge Jesus na véspera do confronto da Seleção Nacional de Futebol com a equipa da Dinamarca a contar para a Liga das Nações da UEFA, partida que acabou por ser vencida por Portugal por 4-2.
Nessa noite, explica a Federação, Ronaldo faltou ao treino e ao jantar de equipa na sequência da conferência de imprensa de antevisão de Jorge Jesus, que, segundo o capitão da seleção, teria quebrado um compromisso feito entre ambos para pedir desculpa nessa conferência por não o ter deixado entrar no jogo anterior, frente à Noruega e também ganho pela seleção.
No acórdão do Conselho de Disciplina, disponível também no site da Federação, lê-se que o órgão da FPF considerou que as ações do jogador preenchem o "ilícito disciplinar" do artigo 160.º do Regulamento de Disciplina da FPF, que, em circunstâncias normais, levariam "a uma sanção de suspensão de um a seis meses" e ainda uma "multa a graduar" entre 505 e 1005 euros.
Porém, a defesa de Cristiano Ronaldo citou que o jogador tinha direito a uma série de atenuantes previstas no mesmo regulamento, tais como a "ausência de registo disciplinar na presente época desportiva e nas três épocas anteriores", a "prestação de serviços relevantes ao futebol, louvor por mérito desportivo" e a "contribuição para a descoberta da verdade material".
Destes, só a última não foi aceite pelo Conselho de Disciplina, sendo que no caso dos "serviços relevantes ao futebol" e o "louvor pelo mérito desportivo", o conselho listou o seu longo palmarés ao serviço da Seleção Nacional e pelos clubes.
"Efetivamente, a comunidade desportiva nacional (e, neste caso concreto, global) reconhece, de forma consensual, a impressionante carreira desportiva do atleta Cristiano Ronaldo, o qual se transformou, por mérito próprio, num emblema ou símbolo da modalidade e da Seleção Nacional em todo o Mundo", afirma o Conselho de Disciplina, falando ainda numa "carreira com projeção nacional e internacional ímpar".
O conselho destaca as cinco Bolas de Ouro, a condecoração com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique como sendo "o testemunho e o reconhecimento de uma carreira sólida e longa" que foi fonte de "inspiração para crianças e jovens atletas um pouco por todo o Mundo" e ajudou na "promoção mundial da modalidade e na divulgação da Seleção Nacional A Masculina e do país".
Estas atenuantes, combinadas com o facto de o jogador ter confessado no processo aos factos apresentados pela Federação, levaram a que a moldura da pena aplicável fosse reduzido para entre oito a 45 dias de suspensão e a multa entre 125 euros e 255 euros.
Ainda assim, o Conselho de Disciplina deixa críticas à atuação de Cristiano Ronaldo, tendo afirmado que se exigia "que tivesse sido especialmente cauteloso na escolha do momento e do modo de manifestar o seu descontentamento em relação às opções e à atuação do Selecionador".
"Em vez disso, o atleta agudizou ainda mais a especulação e a curiosidade pública com a publicação feita na rede social Instagram no próprio dia em que deixou Copenhaga, anunciando que 'a seu tempo' diria 'a verdade a todos os portugueses sobre as razões que motivaram' a saída da equipa nacional masculina A", acrescentam.
Para além disso, o facto de Cristiano Ronaldo ser um dos capitães da seleção traz "responsabilidades acrescidas" como "um modelo a seguir", algo que o Conselho de Disciplina frisou citando Roy Kent, personagem da série Ted Lasso.
"Como se explica numa conhecida série, numa equipa de futebol um capitão tem três tarefas: garantir que todos correm em direção ao mesmo objetivo, defender o que está certo e colocar o bem-estar dos outros à frente do seu próprio", lê-se.
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