A 43.ª edição da Volta ao Alentejo arranca esta quarta-feira, 25 de março, com uma ligação entre Sines e Almodôvar e reserva para os dias seguintes uma revolução no percurso. Agora organizada pela Federação Portuguesa de Ciclismo, que esta terça-feira assinou um protocolo com a Comunidade Intermunicipal do Alentejo até 2029, a competição mantém os cinco dias (é assim desde 2022 e tem sido a versão mais tradicional ao longo dos anos), mas transfigura as duas jornadas mais decisivas. Na terceira etapa, na sexta-feira, o contrarrelógio de 23,2 km no Crato limita em grande medida os trepadores que não se sintam confortáveis a rolar em terreno plano e fará uma enorme seleção. Desde 2022 que não se via um crono na prova, na altura de apenas 8 km e com subidas ao longo de Castelo de Vide. É preciso recuar 18 anos, até 2008, para encontrar um exercício mais longo, no caso de 31 km de Nossa Senhora das Neves até Beja, relembrando o início de século onde a região do Redondo recebia, repetidamente, enormes troços de esforço individual. Na quarta etapa, Portalegre acolhe o final da jornada com a ascensão às Antenas de São Mamede, que tem sido ultrapassada mas a meio da etapa que culmina em Castelo de Vide. Desta feita, a rampa de 1.ª categoria será a terceira ascensão do dia e dividirá, ainda mais, o lote de candidatos a vencer a corrida. Pela 35.ª vez, a Praça do Giraldo, em Évora, acolherá a conclusão da corrida.A Volta ao Alentejo, como se sabe, está destinada a equipas continentais, no terceiro nível do ciclismo europeu. Não se coloca, portanto, ao nível da Volta ao Algarve, que está no segundo patamar e pode, por isso, receber um lote de equipas de World Tour. Mas o percurso aproxima-a ao Algarve na extensão e retoma a tradição de se fazer uma preparação mais efetiva para a Volta a Portugal. A Federação já não está com a Podium Events, num processo que fez correr tinta, a qual organizou de 2010 a 2025 a corrida, e isso terá naturais ajustes ao longo do ano no desenho dos percursos. Este decorreu graças aos acordos intermunicipais que, ainda assim, só tem 25 de 47 municípios envolvidos, o mais baixo de sempre, e que faz pensar nas dificuldades de atrair investimento das câmaras e o próprio retorno financeiro do ciclismo português. O cérebro do percurso é Ezequiel Mosquera, galego que tutela a Emesports e que fez o acordo com a Federação para a Volta ao Algarve e Portugal. Porém, também foi o ex-ciclista, três vezes top-5 na Volta a Espanha, a apresentar o percurso da Alentejana há uma semana.Desde 2016, com Enric Mas, que nenhum jovem se mostra na Alentejana para depois encantar no ciclismo mundial. Orluis Aular ganhou duas vezes pela CajaRural e deu depois o salto para a Movistar e em 2025 foi Noah Hobbs a ganhar pela equipa de desenvolvimento da EF. Os norte-americanos lutam com a equipa de talentos, a Gen Z da UAE de João Almeida e de Pogacar, pelo favoritismo, até pelo contrarrelógio. Na UAE, Enea Sambinello ganhou a clássica da Arrábida há três dias. Movistar, NSN e CajaRural são outras equipas estrangeiras com ambições pela amarela. Artem Nych, vencedor das Voltas a Portugal 2024 e 2025, lidera a Anicolor Campicarn, que, para este percurso, pode ter rival interno na Efapel, com Tiago Antunes e Jesús Peña. Tivani, do Louletano, pode surpreender, apontando, principalmente, a conquistar etapas. .Artem Nych ao DN: "Na Rússia, os ciclistas sabem sempre quem venceu a Volta a Portugal".Ciclismo. Em busca da imortalidade, Pogacar precisa de ganhar Sanremo e de evitar o sprint de Van der Poel .Orluis Aular conquista Volta ao Alentejo pelo segundo ano consecutivo