Este sábado, 21 de março, começa a primeira maratona para os fãs das principais clássicas de ciclismo. A Primavera, como é conhecida a Milão-Sanremo por decorrer na terceira semana de março, será novamente o epicentro da batalha mais entusiasmante da modalidade, entre Tadej Pogacar e Mathieu van der Poel.O primeiro, da UAE Emirates, coleciona quatro Voltas a França, pode este ano atingir o patamar dos cinco que mais venceram a corrida, mas corre, acima de tudo, pela imortalidade. É o único ciclista capaz de vencer provas de três semanas e provas de um dia, sejam elas a subir, na gravilha ou no empedrado, o que só se viu com Eddy Merckx, o melhor de todos os tempos.Pogacar é mestre nas subidas íngremes e, por isso, tem cinco Voltas à Lombardia (que decorre em outubro, em Itália), já ganhou três Liège-Bastogne-Liège (a mítica prova de subidas curtas, recorrentes, nas Ardenas belgas), mas foi nas duas vitórias no empedrado da Volta a Flandres que, realmente, inscreveu o nome na corrida pelos maiores de sempre. Tendo feito o que conseguiu na Flandres, sabe que pode atacar nos empedrados rugosos e lamacentos (mas em zona plana) da Paris-Roubaix, em terreno francês, em abril. A corrida que está mesmo a ser a espinha na garganta é a Milão-Sanremo.Fundamentalmente porque nos 298km de extensão só os últimos 60km representam testes em subidas curtas. Pogacar já tentou de tudo, de ataques no Poggio, (subida de 3,7km) a 15km da meta, a arriscar a descer para tentar chegar isolado à Via Roma. Arriscou na Cipressa (a 28km da meta), já colocou a equipa em alta voltagem a 50km da meta, nas pequenas subidas de preparação para as reais dificuldades. A estratégia será a mesma, colocar a equipa a preparar o ataque e sprintar a cada subida para descartar rivais.Foi 5.º em 2022, 4.º em 2023, 3.º em 2024 e 2025. Ganhar colocaria Tadej com 11 clássicas monumento, igualando Roger de Vlaeminck no segundo posto dos mais titulados. Só o belga, além do compatriota Rik van Looy, e do já mencionado Merckx (esse com 19 monumentos), ganharam as cinco principais clássicas mundiais.Nos últimos três anos a Alpecin contrariou Pogacar e ganhou por Philipsen (2024) e com Van der Poel (2023 e 2025). É o neerlandês, o mais profícuo atleta da história no ciclocrosse, a grande ameaça que leva já oito monumentos e que em abril, no empedrado, pode tornar-se o primeiro a vencer Roubaix e Flandres pela quarta vez. Venceu duas etapas no Tirreno-Adriático, exibindo a forma para ser o principal candidato em sprint reduzido.João Almeida arranca segunda-feira a Volta à CatalunhaJoão Almeida tem marcado o regresso à bicicleta para a Volta à Catalunha, que arranca segunda-feira. O ciclista da UAE Emirates estava escalonado para a Paris-Nice - seria um confronto direto com Jonas Vingegaard, até a perspetivar a Volta a Itália -, mas ficou de fora devido a síndrome gripal. Depois de ser 3.º na Volta ao Algarve, o português atacará a prova de etapas de uma semana. Em 2025, venceu País Basco, Romandia e Suíça, três provas de uma semana de World Tour, o que ninguém conseguia desde Wiggins, em 2012. .Pogacar sagra-se bicampeão do mundo de fundo em ciclismo. Afonso Eulálio ficou em nono lugar.Ciclismo. UAE de Pogacar e João Almeida é recordista sem ‘sprinters’