Benfica luta pelo heptacampeonato e FC Porto entra em cena numa Liga BPI com 236 jogadoras profissionais
A Liga BPI 2026/27 arranca este sábado com 412 jogadoras inscritas, sendo que 236 são profissionais e176 são consideradas amadoras por não terem contrato de trabalho, segundo dados oficiais da Federação Portuguesa de Futebol enviados ao DN. São assim 57,2% as futebolistas que vivem de praticar a modalidade em Portugal.
O número quase duplicou nos últimos cinco anos. Em 2021/22 eram 125 e no final da época 2022/23 mais de metade das inscritas já era profissional (191 num universo de 328 inscritas). Em 2025/26, com a redução da Liga BPI para 10 equipas a quantidade de futebolistas profissionais subiu para mais de 200 e agora para 236. O crescimento face à temporada 2025/26 é, assim, na ordem dos 15%.
Olhando para o plantel dos 10 clubes da Liga BPI 2026/27, segundo os dados enviados ao DN pela FPF, o Sporting lidera a lista com 34 atletas com estatuto de profissional (e 22 amadoras), enquanto o rival e campeão nacional, o Benfica, tem 29 jogadoras contratualizadas (e três amadoras). O estreante FC Porto assinou com 23 futebolistas, tendo ainda mais 22 com estatuto de amadoras. O Sp. Braga (36/32), o Rio Ave (24/17) e o Valadares Gaia (17/15) têm mais jogadoras amadoras do que profissionais.
Estes números compreendem as jogadoras seniores e juniores inscritas pelos 10 clubes da Liga BPI e demonstram bem o crescimento da quantidade de profissionais registadas, sendo que o total, contando com as atletas da II Liga, é de cerca de 250.
E há margem para crescer, uma vez que o número de praticantes e de clubes que apostam na modalidade tem aumentado. Segundo o Plano Estratégico do Futebol Feminino da Federação Portuguesa de Futebol para 2025-2029, o número de praticantes mais do que duplicou entre 2018/19 (5584 atletas) e esta época (13.873). Tal como o número de clubes com futebol feminino subiu de 209 para 420. O investimento da FPF, esse, cifra-se agora nos 23 milhões de euros.
Juridicamente é profissional a jogadora que faz do futebol a sua atividade exclusiva ou principal, sendo remunerada por isso. As amadoras dedicam-se ao futebol de forma lúdica e recreativa (por vontade própria ou não), sem remuneração e/ou sendo ressarcidas pelas despesas em que incorrem para a prática da atividade.
Para Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato de Jogadores, o nível de exigência do campeonato já não se coaduna com o estatuto de amadorismo e saúda o aumento. “Na Liga BPI o número de jogadoras profissionais já supera claramente o de amadoras, o que é um indicador muito importante”, reconheceu o presidente do Sindicato de Jogadores, revelando que estão criadas condições para celebrar o Acordo Coletivo de Trabalho, de modo a que possa entrar em vigor na próxima época, prevendo um salário mínimo para a profissão de 1380 euros. Sem isso aplica-se a lei geral e o ordenado mínimo nacional de 920 euros.
PROFISSIONAIS Vs. AMADORAS INSCRITAS NA LIGA BPI 2026/27
Sporting 34-22
Sp. Braga 32-36
Benfica 29-3
FC Porto 23-22
Vit. Guimarães 23-16
Torreense 26-19
Racing Power 21-5
Rio Ave 17-24
Marítimo 16-12
Valadares Gaia 15-17
Dez anos depois... resistem três fundadores e hegemonia do Benfica
Foi em setembro de 2016 que o Campeonato Nacional deu lugar à Liga feminina, que em 2018 ganhou como sponsor o banco BPI. Começou com a participação de 14 clubes, quatro convidados da FPF (Sporting, Sp. Braga, Belenenses e Estoril), oito que transitaram da 1.ª Divisão da época anterior (Futebol Benfica, Valadares Gaia, Clube Albergaria, A-dos-Francos, Viseu 2001, Boavista, Ouriense e Vilaverdense) e dois que subiram do campeonato de Promoção (CAC Pontinha e União Ferreirense). Destes restam três na Liga BPI de 2026/27: Sporting, Sp. Braga e Valadares Gaia.
O número de participantes foi sendo reduzido - primeiro para 12 e depois para dez, em 2025/26, num campeonato a duas voltas. E com hegemonia do Benfica, exceção feita para a temporada 2019/20, a primeira do clube da Luz na Liga BPI, que não chegou ao fim devido à pandemia de covid-19. Foram seis campeonatos seguidos, sendo a segunda mais titulada da história, atrás do extinto 1.º Dezembro (12 e sendo que 11 foram de forma consecutiva).
Em 2026/27, o Benfica vai à procura do heptacampeonato, numa Liga BPI que ficará marcada pela estreia do FC Porto, o últimos dos chamados grandes do futebol português a apostar no futebol feminino. Será o 98.º clube a participar nas 36 edições do campeonato. O encontro entre o Valadares Gaia e a equipa dos dragões será um dos primeiros jogos da Liga BPI 2026/27, sábado, às 17h00. À mesma hora, o Sp. Braga recebe o Marítimo. Uma hora depois, em Alcochete, o Sporting enfrenta o Vit. Guimarães, com o dia a fechar com o duelo entre o campeão Benfica e o Racing Power às 20h30.
A primeira jornada fica completa no domingo, às 19h00, com o Torreense-Rio Ave. A equipa de Torres Vedras procura repetir a época de sonho, depois de ter arrecadado um triplete histórico (Supertaça, Taça de Portugal, a Taça da Liga) e conquistado uma das três vagas europeias de Portugal, juntamente com Benfica e Sporting.
Nestes dez anos nem tudo correu bem e as dores de crescimento da modalidade refletem-se mais nos clubes que não têm a espalda da I Liga masculina. O Damaiense é um desses exemplos. Despromovido à 2.ª Divisão, a equipa da Damaia, que participou nas últimas quatro edições da Liga BPI, desistiu do projeto feminino depois de se radicar no Algarve.
1.ª JORNADA DA LIGA BPI 2026/27
Dia 12 de setembro
Sp. Braga-Marítimo 17h00
Valadares Gaia-FC Porto 17h00
Sporting-Vit. Guimarães 18h00
Benfica-Racing Power 20h30
Dia 13 de setembro
Torreense-Rio Ave 19h00
isaura.almeida@dn.pt

