Balogun, Irão e arbitragens polémicas. Infantino defende "o mundial mais marcante de todos"

Balogun, Irão e arbitragens polémicas. Infantino defende "o mundial mais marcante de todos"

O presidente da FIFA fez o balanço do Mundial2026, conquistado pela Espanha, e atacou quem esteve “por trás dos ecrãs a espalhar ódio”.
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Numa mensagem dirigida a "todos os que amam o futebol", Gianni Infantino, presidente da FIFA, fez um balanço positivo do Mundial 2026, que considerou o "mais marcante de todos" e jogado num "espírito de união", que permitiu a participação do Irão, apesar das restrições impostas por um dos países organizadores, os EUA, e do conflito armado no Médio Oriente. Mas, numa longa mensagem no Instagram, preferiu colocar o foco em quem esteve “por trás dos ecrãs a espalhar ódio”.

O caso Balogun, que foi expulso no duelo dos Estados Unidos com a Bósnia, mas teve o castigo suspenso pela FIFA, e pode assim defrontar a Bélgica na fase a eliminar e com uma revelação pública do presidente norte-americano, Donald Trump, a dizer que falou sobre isso com o líder da FIFA. O caso ainda poderá dar que falar, uma vez que alguns eurodeputados querem ver esclarecido se houve interferências políticas no organismo desportivo.

Sem referir o caso em específico, Infantino admite que "de facto, houve decisões de arbitragem discutíveis ou deliberações disciplinares estranhas como, por exemplo, cartões vermelhos ou amarelos potencialmente errados ou decisões subsequentes de não suspender jogadores em certas situações, que são rotinas amplamente aceites em algumas das maiores ligas do mundo". Mas rematou: "É curioso que os países que aplicam estas práticas sejam os que mais criticam."

Infantino viu um Mundial "sem incidentes e 100% seguro e feliz" que permitiu que "o Irão entrasse nos Estados Unidos sem incidentes ou conflitos", dizendo que "o futebol não é sobre política" e que a modalidade "é maior do que o ódio e discriminação". E que a FIFA trabalhava “incansavelmente para unir dois países em guerra”. O dirigente preferiu ignorar os atropelos reportados pelos responsáveis iranianos, que montaram quartel general no México, por não poder permanecer mais do que 48 horas nos Estados Unidos, e sempre que viajaram para os EUA, para jogar, foram submetidos a um contrololo de segurança ímpar. O capitão do Irão, Mehdi Taremi, ex-avançado do FC Porto, foi interrogado durante mais de uma hora antes de um jogo e no final do Mundial 2026 acusou a FIFA de não resolver os problemas causados pela administração Trump.

O presidente da FIFA também desvalorizou ainda quem não conseguiu entrar nos países organizadores, como o árbitro somali Omar Artan, um dos melhores de África e nomeado pelo organismo: "Mencionaram algumas pessoas a quem foram negados vistos, mas esqueceram os milhões que tiveram vistos aprovados, de todo o mundo". A mãe de Vozinha foi uma delas, com o organismo a interferir junto da administração norte-americana e do governo cabo-verdiano para permitir que a mãe fosse ver o filho, guarda-redes de Cabo Verde, jogar no Campeonato do Mundo.

Mas, na mensagem, o presidente da FIFA lamenta os que ficaram consumidos pelo ódio e criticismo: "para aqueles que, atrás de canetas e papeis, atrás de ecrãs, espalharam o ódio e falsos rumores quero dizer que a FIFA trabalhou duro para entregar o melhor espetáculo do mundo. Enquanto se esconderam, estivemos nas ruas do Canadá, México e Estados Unidos, a falar com os adeptos e a garantir a segurança de todos. Enquanto dividiram, nós unimos."

E por isso, segundo Gianni Infantino é preciso refletir. "A todos os que gastaram o seu tempo a odiar-nos, por favor tirem um momento para refletir, meditar e rezar ou verem um jogo de futebol e observarem verdadeiramente as caras, os olhos, as emoções”, pode ler-se na mensagem do líder da FIFA, na qual preferiu destacar o desfile 'hollywoodesco' nos estádios, com todas as celebridades globais da música, cinema, entretenimento e desporto a assistirem e a desfrutaram.

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