A maratona que gera mais dinheiro no mundo corre-se em Chicago
Nem Boston, nem Londres, nem Nova Iorque: no multimilionário mercado das corridas de rua, a Bank of America Chicago Marathon, vulgo Maratona de Chicago, assumiu o posto de evento desportivo de um único dia com o maior impacto económico direto do planeta, superando as concorrentes. Corre-se neste domingo.
Estudos recentes de impacto económico revelam que a edição de 2025 da Maratona de Chicago injetou a impressionante marca de 755,9 milhões de dólares na economia da região metropolitana, de acordo com o estudo oficial da Jones & Associates Economics, um número superior à das outras sete maratonas majors, Boston, Nova Iorque, Berlim, Londres, Tóquio, Sydney e Cidade do Cabo.
Em comparação, a talvez mais badalada Maratona de Nova York gera cerca de 692 milhões especificamente no fim de semana de corrida. Embora a organização nova-iorquina movimente quase mil milhões de dólares ao longo de um ano inteiro, somando dezenas de outros eventos menores, nenhuma prova individual gera tanto capital concentrado em poucas horas quanto Chicago.
Esse fenómeno financeiro é sustentado por uma engrenagem turística massiva. Das mais de 55 mil pessoas que cruzam a linha de chegada em Grant Park, cerca de 75% vêm de fora do estado de Illinois ou até de outros países, escreve a CBS News, com base em dados do próprio patrocinador, o Bank of America. E esse fluxo de amadores não viaja sozinho: eles trazem familiares, amigos e treinadores, que inflam as taxas de ocupação hoteleira para perto de 100%, lotam a cena gastronómica local e consomem agressivamente no comércio. O evento, segundo as mesmas fontes, muito mais do que uma mera competição desportiva, passa a ditar o melhor trimestre orçamental do ano para o setor de serviços de Chicago.
Paralelamente ao turismo, a arrecadação em ações de caridade opera como outro pilar milionário. O programa oficial de filantropia da prova quebrou recordes históricos ao arrecadar mais de 47,1 milhões de dólares para causas sociais numa única edição, a do ano passado, revela a CBS News. Esse compromisso comunitário atrai marcas globais dispostas a pagar quotas de patrocínio astronómicas para associar os respetivos nomes ao evento.
Enquanto destinos menos clássicos como Dubai e Nagoya focam em atrair os holofotes pagando os maiores prémios individuais aos atletas de elite – 250 mil dólares para os vencedores, segundo estudo do Ticket Sports – Chicago prova que o verdadeiro negócio das maratonas está na massa de corredores anónimos. São os atletas amadores, dispostos a investir milhares de dólares em inscrições, transporte, hospedagem e equipamentos, que sustentam esse império.
Como esta página é sobre dinheiro mas também desporto, falemos de atletas: Jacob Kiplimo, do Uganda, vencedor do ano passado, Amos Kipruto, do Quénia, segundo em 2025, e Bashur Abdi, da Bélgica, duas vezes bronze olímpico, são os favoritos na corrida masculina; na elite feminina, destaque para a presença da queniana Brigid Kosgei, que bateu precisamente em Chicago o recorde mundial, entretanto já superado, da etíope Hawi Feysa, atual campeã da prova, e da prestigiada compatriota Sutume Kebede.

