A União Europeia anunciou esta terça-feira, 21 de julho, o cancelamento definitivo de uma subvenção de dois milhões de euros à Bienal de Veneza, que está a decorrer desde maio e que irá terminar a 22 de novembro. A participação da Rússia é a razão que levou Bruxelas a terminar com o subsídio à maior exposição de arte contemporânea do mundo."Os eventos culturais, financiados com o dinheiro dos contribuintes europeus, devem salvaguardar os valores democráticos, promover o diálogo aberto, a diversidade e a liberdade de expressão - valores que não são respeitados na Rússia atual", justifica Thomas Regnier, porta-voz da Comissão Europeia, citado pela AFP.Após o início da 61.ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza, em maio, com a presença de um pavilhão russo pela primeira vez desde o início da invasão da Ucrânia, em 2022, Bruxelas deu início, em abril, ao processo para revogar o subsídio. A UE pediu explicações à organização e e agora tornou pública a decisão definitiva de cancelar o subsídio.A Rússia tinha sido afastada do evento devido à guerra, mas a organização do evento decidiu de forma diferente na edição deste ano, permitindo a inclusão do pavilhão russo, que recebe o projeto "The Tree is Rooted in the Sky". Como consequência desta decisão, o júri internacional do evento decidiu renunciar devido à participação da Rússia e de Israel.A organização defende a posição ao afirmar que na base da fundação da Bienal de Veneza estão os princípios de "abertura, diálogo e rejeição de qualquer forma de encerramento ou censura". No arranque da edição deste ano, Pietrangelo Buttafuoco, presidente da Fundação da Bienal de Veneza afirmou que a única coisa que o evento não permitiria seria a "exclusão preventiva". Disse ainda que a Bienal não pretende censurar, mas "mostrar, levantar questões", adiantando que o evento não era um tribunal. .Bienal vai apresentar recurso da decisão da Comissão Europeia. De referir que Portugal está representado na Bienal de Veneza por Alexandre Estrela com o projeto RedSkyFalls. O artista português também juntou a sua voz ao coro de protestos contra a participação da Rússia e de Israel no certame. No início da Bienal, Alexandre Estrela disse à Lusa que foi um os signatários da carta da Aliança Arte Não Genocídio (ANGA), contra a participação daqueles países no certame, razão pela qual aderiu à greve de de trabalhadores da cultura, em articulação com sindicatos italianos, no início do event cultural, com a suspensão de animações no âmbito do seu projeto RedSkyFalls. A Fundação da Bienal já fez saber que vai apresentar recurso da decisão, referindo que "a subvenção cofinanciou atividades que não têm nenhuma relação com a participação da Rússia" no certame. A decisão "não tem impacto significativo no orçamento, nas contas ou nas atividades planeadas, que permanecem totalmente confirmadas", assegurou a fundação da Bienal..Alexandre Estrela adere ao protesto na Bienal de Veneza no dia em que o pavilhão de Portugal é inaugurado