Macau ampliou o seu catálogo oficial de tradições vivas com a inclusão de 12 práticas na Lista do Património Cultural Imaterial, elevando para 24 o número total de elementos reconhecidos. As novas inscrições, que abrangem rituais, gastronomia e celebrações comunitárias, evidenciam a identidade cultural multifacetada da cidade.Ao anunciar a atualização em outubro de 2025, o Instituto Cultural da RAEM afirmou que a lista alargada faz parte de esforços contínuos para “reforçar a proteção do património cultural imaterial de Macau e assegurar a sua transmissão efetiva às gerações futuras”. São as primeiras adições desde a criação da lista em 2019, inicialmente com 12 elementos, entre os quais a ópera cantonesa, as crenças e costumes de A-Má, a procissão de Nossa Senhora de Fátima e a preparação de chás de ervas.A decisão seguiu-se a uma consulta pública realizada entre dezembro de 2024 e o início de janeiro de 2025. Segundo o Instituto, a maioria dos participantes manifestou apoio aos 12 itens propostos, reconhecendo o seu valor e importância culturais.O sistema de salvaguarda de Macau funciona em dois níveis: o Inventário do Património Cultural Imaterial, de caráter mais abrangente, e a lista oficial, mais seletiva. Desde 2014, ano em que entrou em vigor o atual quadro jurídico de proteção do património, as autoridades identificaram, através de trabalho de campo e investigação extensa, 70 elementos para o inventário. Aqueles considerados de especial relevância para a comunidade são posteriormente propostos para inclusão na lista oficial, que lhes confere um nível de proteção mais elevado.Em novembro de 2025, a presidente do Instituto Cultural, Leong Wai Man, revelou que se está a preparar a inclusão de outros 20 elementos no inventário. Entre estes encontra-se o muito apreciado pão com costeleta de porco, mais conhecido localmente como “chu pa pao”, um dos petiscos mais emblemáticos de Macau.. O Instituto pretende igualmente reforçar a promoção do Património Cultural Imaterial, incentivando a participação pública e reconhecendo as organizações envolvidas na salvaguarda das práticas tradicionais. O primeiro grupo, composto por 19 entidades, foi oficialmente designado no final de outubro.Estas entidades de salvaguarda são responsáveis por proteger os elementos patrimoniais específicos a que estão associadas, assegurando formação para a transmissão de conhecimentos e competências, bem como a realização de iniciativas de sensibilização junto do público. Entre estas organizações destacam-se a Universidade de Turismo de Macau, enquanto entidade de salvaguarda da gastronomia macaense, e a Associação dos Comerciantes de Peixe Fresco de Macau, responsável pela preservação do tradicional Festival do Dragão Embriagado.Na Lista do Património Cultural Imaterial de Macau desde 2019 encontram-se…• Ópera cantonense• Naamyam cantonense (canções narrativas)• Música ritual taoista• Teatro em patuá• Crenças e costumes de A-Má• Crenças e costumes de Na Tcha• Festival do Dragão Embriagado• Procissão de Nosso Senhor do Bom Jesus dos Passos• Procissão de Nossa Senhora de Fátima• Preparação de chás de ervas• Esculturas religiosas em madeira• Gastronomia macaenseNovos elementos inscritos: crenças e costumes de Tou TeiTou Tei Kung é uma divindade popular chinesa amplamente venerada, tida como guardiã da Terra, da vida, da saúde e da prosperidade. Em Macau, existem cerca de 10 templos e mais de 160 altares dedicados a esta divindade, além de pequenas tabuletas individuais colocadas à entrada de casas e estabelecimentos comerciais.As festividades em honra de Tou Tei realizam-se no segundo dia do segundo mês lunar, com orações, danças do leão, representações de ópera chinesa em honra das divindades, banquetes comunitários, entre outras celebrações realizadas em vários templos.Estas crenças e respetivos costumes foram incluídos, em 2021, na Lista Nacional dos Elementos Representativos do Património Cultural Imaterial da China.. Tai ChiO Tai Chi, uma arte marcial tradicional chinesa com origens nas dinastias Ming e Qing, combina elementos das filosofias taoista, confucionista e budista, incorporando também os princípios do Yin e do Yang. A sua prática enfatiza o equilíbrio entre movimento e quietude, força e concentração profunda.No início do século XX, mestres oriundos do Interior da China introduziram o Tai Chi em Macau e fundaram associações locais para ensinar e preservar esta arte. O desenvolvimento do Tai Chi simplificado, com 24 formas, bem como a sua transformação numa prática acessível a todos, incluindo vertentes competitivas, desempenharam um papel fundamental na sua popularização na cidade. Atualmente, os estilos de Tai Chi mais praticados em Macau são o Chan, o Yeung, o Ng, o Sun e o Mou, sendo frequente a realização de competições organizadas por associações locais para promover esta arte marcial. Texto de Emanuel GraçaExcerto da edição n.º 90 (dezembro de 2025) da revista Macau (edição em inglês).INICIATIVA DO MACAO DAILY NEWS