A Parques de Sintra - Monte da Lua lançou um novo modelo de visitação ao Palácio Nacional de Sintra, tal como já tinha feito, em abril, no Palácio da Pena. A mesma solução está a ser estudada para o Palácio Nacional de Queluz, mas para avançar apenas em setembro. "Existe um eixo comum a todas estas alterações no modelo de visita e esse eixo está ligado à nossa procura e trabalho diário por novas soluções e novos produtos de bilhética que, no fundo, acrescentem valor a quem nos visita", diz ao DN Catarina Alves, responsável da empresa. O objetivo, diz, é oferecer soluções para todos os perfis de visitantes que chegam até Sintra, e não necessariamente angariar mais receita, embora sublinhe "que a Parques de Sintra, apesar de ser uma empresa pública, é responsável por conseguir criar as suas próprias receitas de forma autónoma. Nós não recebemos nenhuma verba de orçamento de Estado, tudo aquilo que fazemos e em que investimos tem de ser feito com dinheiro que vem da nossa bilhética, lojas, cafeterias e do aluguer de espaços para eventos".O novo modelo de visitação no Palácio Nacional de Sintra já está em vigor e resulta de uma alteração da museologia, fruto da investigação dos últimos anos, que permitiu mostrar mais objetos do acervo, com destaque para aqueles relacionados com D. Maria Pia, princesa da casa italiana de Sabóia, que casou com o Rei D. Luís em 1862, tornando-se Rainha Consorte de Portugal e Algarves de 1862 até 1889. Além da visita aos aposentos da monarca, a oferta passa a incluir a visita encenada Os Últimos Anos da Monarquia: Os Aposentos da Rainha D. Maria Pia."Para além daquilo que era o percurso habitual, desenvolvemos mais a zona dos aposentos privados de Rainha D. Maria Pia de Sabóia para explicar, através de uma nova forma de mediação cultural, aquilo que foi a transição, nos séculos XIX e XX, com os últimos anos da monarquia no Palácio Nacional de Sintra. Porque a Rainha D. Maria Pia foi a última monarca a habitar aquele palácio", explica Catarina Alves. .No Palácio Nacional de Sintra há agora três tipologias de bilhetes. "Temos a visita essencial, que é a visita básica, por assim dizer, e depois temos um bilhete que tem a componente principal do Palácio Nacional de Sintra, mais estes aposentos privados que têm uma característica diferente do resto do palácio. Estamos a falar de uma zona onde já não existem baias, onde só conseguem entrar grupos de 20 pessoas de cada vez. E, portanto, a visita é também muito mais intimista, e daí termos um bilhete distinto. E temos depois um terceiro produto, que é uma visita encenada, onde a principal personagem é a Rainha D. Maria Pia e o seu professor de pintura, Henrique Casanova, que, no fundo, eram personagens muito presentes sempre no Palácio Nacional de Sintra". Nesta visita encenada procura-se dar a conhecer os costumes da família real nos século XIX e XX, através de atores. "Quisemos criar uma encenação que aproximasse aquilo que eram os hábitos da Rainha no Palácio Nacional de Sintra daquilo que é o nosso dia-a-dia. Nós temos uma rainha que entra em cena com a sua bicicleta, porque, de facto, a Rainha D. Maria Pia saía muitas vezes para dar passeios na Serra de Sintra, para ir até às praias, e fazia-o de bicicleta." .A visita inicia-se nos aposentos da monarca, continua com um passeio pela vila de Sintra e termina com um chá numa residência aristocrática, a Vila Roma, uma casa situada frente à Quinta da Regaleira. "Quisemos, nesta visita encenada, que ela saísse do Palácio", sublinha a responsável da Parques de Sintra.O preço de um bilhete normal para esta visita encenada que dura uma hora e meia é de 65 euros. Embora já se possa comprar bilhete, a primeira encenação acontece apenas no dia 23 de julho, às 15h30. A visita ao Palácio e aos aposentos da Rainha custa 35 euros e a visita básica mantém-se nos 13 euros. Há preços especiais para jovens, séniores e famílias. A visita encenada não está incluída na entrada gratuita aos domingos para residentes. .Fazendo um balanço do novo modelo de visitação implementado no Palácio da Pena a 2 de abril, Catarina Alves diz que a adesão tem sido "muito positiva", confirmando os estudos que fizeram. "Nós recebemos visitantes de toda a parte do mundo, com vários perfis que procuram coisas distintas quando chegam ao Palácio da Pena, e o que temos vindo a confirmar é que há pessoas que só têm interesse em visitar o parque e ver o palácio do exterior, há pessoas que querem ver o parque mas querem também ter uma noção das principais salas do palácio, e aí compram o nosso bilhete essencial".Mas há também visitantes que procuram mais e para os quais foram desenhadas novas propostas. "Temos um público que se interessa em ter mais conhecimento sobre o património que está a visitar, e então temos uma procura muito grande pelas nossas visitas guiadas, e temos também um perfil de visitante que procura uma experiência diferente, mais imersiva e que recorre à nossa visita encenada, da qual temos tido sempre um ótimo feedback". .Restauro da Capela Real do Palácio Nacional de Sintra vai devolver "esplendor" ao teto mudéjar.Por dentro do restauro dos azulejos da Sala Árabe no Palácio Nacional de Sintra.14 figuras esquecidas do Palácio Nacional de Sintra ganham vida em projeto audiovisual "inovador"