Quem passa pela Sala Árabe do Palácio Nacional de Sintra vai-se deparar, a partir de agora, com elementos para além das peças históricas que compõem este recinto. Começaram os trabalhos para restauro dos azulejos da sala, a primeira fase de um projeto inovador que pretende não só restaurar, mas também avançar no conhecimento científico que Portugal - e o mundo - dispõem para este tipo de ação.O projeto é executado pela Parques de Sintra em parceria com o World Monument Fund e arrancou pela Sala Árabe pela variedade do seu conjunto azulejar. "São azulejos únicos, com diferentes técnicas de elaboração e de cozedura, e também diferentes soluções que permitem ser azulejos grafitados, relevados, azulejos com volume. Estas diferentes características de execução leva-nos também a diferentes metodologias de conservação e restauro", explica o presidente da Parques de Sintra, João Sousa Rego. "São azulejos que datam do século XVI e que já apresentam o seu estado de conservação deteriorado", completa o arquiteto..O trabalho tem envolvido especialistas nacionais e internacionais, no que é considerado uma intervenção que também olha para o futuro, explica a diretora executiva do World Monument Fund em Portugal."O Palácio, a sua diversidade e a qualidade dos exemplares que tem permitiam este projeto, que é uma espécie de projeto piloto, em que nós vamos testar soluções, aproximações, estamos a envolver cientistas peritos em património azulejado. Aceitámos este desafio porque o azulejo é um património vivo", diz Teresa Veiga de Macedo.Em maio do ano passado, os investigadores envolvidos no projeto fizeram um primeiro workshop para analisar os trabalhos. "A ideia é envolver esta comunidade na discussão das melhores soluções ao longo do processo. Isto vai enriquecer muito e vai dar muita segurança sobre qual é a melhor forma de tratar este património", completa Teresa Veiga de Macedo, a destacar que "internacionalmente olha-se para Portugal, de facto, como um lugar onde o saber está congregado". Com este projeto, a especialista acredita que o país ganha "as condições para oferecer, em termos internacionais, esta oportunidade de avançar neste âmbito".Com conclusão prevista para julho de 2026, esta primeira fase vai envolver a Sala Árabe e a Câmara de D. Afonso VI e foi adjudicada pelo valor de 147 mil euros euros. A segunda fase vai restaurar os azulejos da Gruta dos Banhos, com duração também estimada de seis meses e com conclusão prevista para janeiro de 2027, com custo estimado em cerca de 90 mil euros.Os recursos são assegurados em partes iguais pela Parques de Sintra e pela World Monuments Fund em Portugal, com o apoio filantrópico das fundações The Robert W. Wilson Charitable Trust, Tianaderrah Foundation / Nellie and Robert Gipson e Fundação Millennium BCP..Como coches de 200 anos voltam à rua, mas sem tocar o chão? Veja a operação realizada pelo Museu Nacional.Réplica inédita da cama onde morreu D. Pedro IV é a nova atração no Palácio de Queluz