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Edgar Morin com a mulher, Sabah Abouessalam, em Lisboa em 2023

Morreu o filósofo Edgar Morin

Grande pensador francês tinha 104 anos. Autor de 'Os Sete saberes necessários à educação do futuro' tinha ligação forte a Portugal, onde esteve pela última vez em 2023.
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"Edgar Morin, sociólogo do tempo presente e agitador de ideias" é o título do Le Monde na notícia da morte de Edgar Morin. O grande filósofo francês tinha 104 anos. A morte foi confirmada ao jornal francês pela mulher, a socióloga franco-marroquina Sabah Abouessallam.

Nascido em 1921 em Paris, Edgar Nahoum, com origens judaicas sefarditas, adotou o nome de Edgar Morin quando se juntou à Resistência no tempo da ocupação alemã da França durante a Segunda Guerra Mundial.

Como pensador, deixa vasta obra, desde O Método até Lições de um Século de Vida, passando por Os Sete saberes necessários à educação do futuro, e por Vidal e os Seus, uma biografia do seu pai, judeu de Salónica, que ajuda a entender o compromisso de Morin com a liberdade. Também publicou já com 104 anos Lições da História, editado em português, tal como o essencial da sua obra.

O filósofo tinha uma forte ligação a Portugal, alertava em entrevista recente ao DN Guilherme d'Oliveira Martins, que editou O esplendor das amizades - a experiência portuguesa de Edgar Morin. O livro homenageia a amizade do pensador francês com António Alçada Baptista, que foi diretor da revista O Tempo e o Modo, um exemplo de rebeldia intelectual no tempo do Estado Novo. A última visita de Morin a Portugal foi em 2023, para a conferência "O Atlântico - A Nova Carta do Humanismo".

Entrevistado pelo DN nessa passagem por Lisboa, Morin falou do futuro, dizendo que "antes de pensarmos em ir aos planetas, temos de melhorar o destino da Humanidade aqui na Terra". Também relembrou o amigo Mário Soares, tal como Alçada Baptista.

"Oh, tive aqui tantos amigos! Venho a Portugal desde 1960, participei na revista O Tempo e o Modo, que tinha problemas com a censura, tive caros amigos, que infelizmente já morreram. António Alçada Baptista, Helena Vaz da Silva, Mário Soares, que conheci quando ele estava no exílio em França. E depois, quando houve a revolução dos Cravos e ele teve dificuldades porque houve uma tentativa comunista de se apoderar do poder, eu fiz um grande artigo para defender Mário Soares em França. Porque muitos em França diziam que os portugueses não precisavam de liberdade, precisavam de pão. E eu disse que se tem de ter pão e tem de se ter liberdade", disse Morin. Antigo militante comunista, ideologia com a qual se desiludiu, não hesitou aquando da Revolução Portuguesa em estar ao lado do socialista Soares na defesa da edificação da democracia.

Oliveira Martins, na entrevista já deste ano sobre Alçada Baptista e o filósofo francês, destacou, sobre o pensamento deste, que "Morin tem uma densidade extraordinária, porque, para ele, o importante é a questão da liberdade e a questão da complexidade, a perceção de que não há determinismo. Deixou de ser comunista porque considerou que era incompatível uma lógica autoritária, centralista, coletivista. E, por isso, vai buscar a ideia da liberdade, mas compatibiliza, através da complexidade, com a diversidade de influências e de relações."

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"Antes de irmos a outros planetas, temos de melhorar o destino da Humanidade aqui na Terra" 
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Guilherme d’Oliveira Martins: “Foi António Alçada Baptista que apresentou Mário Soares a Edgar Morin”
Diário de Notícias
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