Marjane Satrapi lançou em 2007 o filme 'Persepolis', baseado nos quatro volumes da novela gráfica homónima que surgiu como uma autobiografia da autora iraniana radicada em França.
Marjane Satrapi lançou em 2007 o filme 'Persepolis', baseado nos quatro volumes da novela gráfica homónima que surgiu como uma autobiografia da autora iraniana radicada em França.Foto: Facebook da autora

"Morreu de tristeza" Marjane Satrapi, a iraniana que provou que o 'punk' não está morto, nem a liberdade

Celebrizou-se com o filme 'Persepolis', em 2007, beaseado na novela gráfica homónima que retrata a vida que teve em Teerão, onde nasceu. Marjane Satrapi tinha 56 anos.
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“Marjane Satrapi morreu de tristeza pouco mais de um ano depois da morte de Mattias Ripa [morreu a 8 de abril de 2025], seu marido e o amor de sua vida”, escreveu esta quinta-feira, 4 de junho, o jornal francês Le Monde, citando um comunicado que a família da autora iraniana radicada em França partilhou. Marjane Satrapi tinha 56 anos e era uma opositora do regime iraniano.

Nasceu em Rasht, no Irão, no dia 22 de novembro de 1969. Celebrizou-se junto de um vasto público com o filme de animação editado em 2007 Persepolis, baseado na novela gráfica que Marjane Satrapi escrevera e desenhara sob a forma de autobiografia (ou autoficção, como a autora o descreveu).

Tanto o filme como os quatro volumes da novela gráfica mostram uma menina chamada Marjane, num período entre 1978 e 1994 – pouco antes da revolução islâmica, em 1979, que depôs a autocracia do Xá Mohammad Reza Pahlavi para dar lugar à teocracia republicana do aiatola Ruhollah Khomeini, até à ida da autora para Paris –, que luta, mais com estratégia do que com armas literais, pela liberdade de ser.

Com um hijab a cobrir-lhe o cabelo, uns ténis Nike e com um casaco irreverente onde se lê "Punk is not dead" (o punk não está morto), a menina percorre as ruas de Teerão para comprar cassetes de Iron Maiden, contra um regime que a impedia de fazer isso. Depois, ouvia música no recolhimento do seu quarto, perante a preocupação da mãe, aterrorizada com a irreverêcia da filha que não obedecia às leis impostas pelo regime que surgira como uma miragem da democracia.

Marjane Satrapi tinha ainda na sua ascendência o facto de ser tetraneta dum princípe Cajar, uma dinastia persa que governou o Irão entre 1789 e 1925. No entanto, como a própria referiu, ela devia ser uma entre milhares de descendentes dos reis Cajar, porque tinham centenas de mulheres.

Em atualização.

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